
Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na CCJ.
Geraldo Magela/Agência Senado
A campanha de Flávio Bolsonaro enfrenta um diagnóstico cada vez mais frequente dentro do próprio bolsonarismo: entrou em “modo cercadinho”. A expressão, usada até por aliados como Fábio Wajngarten, descreve uma candidatura que se fecha sobre si mesma, acumulando ruídos internos e encontrando dificuldades para falar além da própria base.
Esse cenário se soma a uma crise que se desenrola em duas frentes.
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Na frente familiar, a disputa entre Michelle e Flávio Bolsonaro deixou de ser um assunto de bastidor. Michelle busca protagonismo, “risca o chão” e explicita divergências que antes permaneciam restritas ao ambiente doméstico. Com isso, acaba atingindo dois dos principais ativos eleitorais do bolsonarismo: o eleitorado feminino e o segmento evangélico. Além disso, desgasta a imagem de unidade familiar, um dos pilares da narrativa construída pelo grupo político.
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Na frente externa, cresce a insatisfação com a falta de comando da campanha. A avaliação de integrantes do partido é que as principais decisões estratégicas vêm sendo tomadas a partir do núcleo instalado nos Estados Unidos, onde está Eduardo Bolsonaro. Enquanto isso, lideranças que permanecem no Brasil cobram que Flávio enquadre ou desautorize a atuação do chamado “gabinete do ódio” no exterior. Desgastes recentes, como o tarifaço e o ataques a aliados, são atribuídos por aliados a essa condução.
Há ainda um elemento adicional de pressão: o caso da Dark Horse, investigado pela Polícia Federal para apurar se houve recursos destinados ao financiamento da permanência de Eduardo Bolsonaro no exterior.
O resultado é que o racha familiar transborda para a política. Afeta alianças, dificulta a coordenação da campanha e reforça a percepção de uma candidatura cada vez mais fechada sobre si mesma — o chamado “modo cercadinho” — justamente no momento em que precisaria ampliar sua base de apoio.
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