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SUS incorpora nova combinação de remédios para tratar casos graves de leishmaniose visceral

por Gilberto Cruz
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Transmissão da leishmaniose é feita pelo Mosquito-palha
Divulgação
O Ministério da Saúde incorporou ao Sistema Único de Saúde (SUS) uma nova combinação de medicamentos para tratar casos de leishmaniose visceral em pacientes imunocomprometidos — pessoas com o sistema de defesa enfraquecido, como pacientes transplantados ou que vivem com determinadas condições que reduzem a imunidade.
A decisão, publicada nesta quinta-feira (2) pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (SCTIE), prevê o uso associado de anfotericina B lipossomal e miltefosina. Após a incorporação, as áreas técnicas do ministério têm até 180 dias para efetivar a oferta na rede pública.
A leishmaniose visceral é uma doença infecciosa causada por parasitas do gênero Leishmania e transmitida pela picada do mosquito-palha infectado. Sem tratamento adequado, pode evoluir para quadros graves e levar à morte.
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Imunocomprometidos precisam de outra estratégia
O tratamento da leishmaniose visceral depende tanto da ação dos medicamentos contra o parasita quanto da resposta do próprio organismo para controlar a infecção.
Em pessoas com baixa imunidade, esse processo costuma ser mais difícil: há maior risco de persistência do parasita, resposta insuficiente ao tratamento e recaídas após a melhora inicial.
A nova estratégia combina dois medicamentos com mecanismos diferentes. A anfotericina B lipossomal age danificando a estrutura do parasita, enquanto a miltefosina interfere em processos essenciais para sua sobrevivência. A associação busca aumentar a eficácia em um grupo considerado mais vulnerável.
Doença pode atingir órgãos internos
Diferentemente da forma cutânea da leishmaniose, que provoca principalmente lesões na pele, a forma visceral atinge órgãos como baço, fígado e medula óssea.
Entre os sintomas mais comuns estão febre prolongada, perda de peso, fraqueza, aumento do abdômen pelo crescimento do fígado e do baço e alterações no sangue, como anemia.
A doença é considerada negligenciada porque afeta principalmente populações mais vulneráveis e áreas com menor infraestrutura de saneamento e controle ambiental.
Próximos passos no SUS
A incorporação foi feita após avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), órgão responsável por analisar evidências científicas, benefícios clínicos e impacto para a rede pública antes da inclusão de novas tecnologias.
Com a publicação da portaria, o Ministério da Saúde deve organizar os protocolos, distribuição e acesso ao tratamento dentro do prazo previsto.
A mudança amplia as opções terapêuticas para um grupo em que controlar a infecção costuma ser mais complexo e em que novas estratégias podem reduzir o risco de complicações e retorno da doença.

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