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Bebê de 6 meses é enterrada após morrer de ebola em orfanato no Congo; surto já soma mais de 900 casos

por Gilberto Cruz
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Freiras católicas do orfanato onde Vanisa Anifa, uma menina órfã de 6 meses que morreu de Ebola, estava abrigada, comparecem ao seu funeral em Bunia, Congo
AP/Moses Sawasawa
Moradores, religiosos e profissionais de saúde se reuniram nesta sexta-feira (19) para o enterro de uma bebê de 6 meses que morreu de ebola no leste da República Democrática do Congo. A criança é a terceira vítima da doença em um orfanato da região de Ituri, atual epicentro do maior surto registrado no país nos últimos anos.
Durante a cerimônia, o pequeno caixão foi levado até a sepultura por agentes de saúde usando máscaras, luvas e outros equipamentos de proteção. Como determina o protocolo para evitar novas transmissões, apenas profissionais treinados puderam manusear o corpo.
“É um sentimento de tristeza porque perdemos uma das nossas, uma filha da Igreja”, afirmou o padre católico Innocent Ndogo, que participou do funeral.
A cena ilustra um dos desafios enfrentados pelas autoridades sanitárias: conciliar medidas rigorosas de controle da doença com tradições locais ligadas aos rituais de despedida. Em surtos anteriores, funerais e sepultamentos estiveram entre os principais focos de transmissão do vírus.
Entenda o Ebola em 7 pontos
Segundo o ministro da Saúde do Congo, Roger Kamba, o atual surto já acumula 933 casos confirmados e 245 mortes. Mais de 90% dos registros estão concentrados na província de Ituri, embora casos também tenham sido identificados nas províncias vizinhas de Kivu do Norte e Kivu do Sul.
O vírus também ultrapassou as fronteiras do país. Em Uganda, autoridades já confirmaram 19 infecções e duas mortes relacionadas ao surto.
Trabalhadores da Cruz Vermelha se preparam para enterrar Vanisa Anifa, uma menina órfã de 6 meses que morreu de Ebola, no Cemitério de Bigo, em Bunia, Congo, sexta-feira, 19 de junho de 2026.
AP/Moses Sawasawa
Variante sem vacina aprovada
O atual surto é causado pela variante Bundibugyo do ebola, para a qual não há vacinas ou tratamentos aprovados. Diferentemente da cepa Zaire — responsável pela maioria dos surtos registrados no Congo e alvo das vacinas atualmente disponíveis — a variante que circula agora possui menos ferramentas de controle.
Especialistas afirmam que a ausência de imunizantes e tratamentos específicos dificultou a resposta inicial e contribuiu para a expansão da doença.
Dados do Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças indicam que cerca de 35 mil pessoas podem ter sido expostas ao vírus e estão sendo monitoradas.
Familiares de Vanisa Anifa, uma menina órfã de 6 meses que morreu de Ebola, comparecem ao seu enterro em Bunia, Congo, na sexta-feira, 19 de junho de 2026.
AP/Moses Sawasawa
Além dos desafios médicos, a resposta ao surto enfrenta obstáculos logísticos e sociais. Em algumas comunidades, moradores resistem às medidas de isolamento e aos protocolos de sepultamento seguro. Profissionais de saúde também relatam escassez de equipamentos de proteção, como máscaras e luvas.
Durante visita a Bunia, principal cidade da região afetada, o ministro Roger Kamba anunciou que todos os serviços de saúde em Ituri passarão a ser gratuitos e que os bônus pagos aos profissionais da área serão dobrados como forma de reforçar a resposta à emergência.
Embora a velocidade de propagação preocupe as autoridades, o surto ainda está distante da escala observada na epidemia de ebola que atingiu a África Ocidental entre 2014 e 2016 e deixou mais de 11 mil mortos.

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