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Recuperação extrajudicial dispara no Brasil; entenda por quê | G1

por Gilberto Cruz
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Após anos de juros elevados, entre os mais altos do mundo, um número crescente de empresas brasileiras tem buscado negociar com credores fora dos tribunais para evitar os custos e os impactos associados à recuperação judicial.

Os pedidos de recuperação extrajudicial saltaram de 16, em 2021, para 84 no ano passado. Os casos envolvem empresas de setores como indústria, mineração, varejo, agronegócio e logística, segundo o Observatório Brasileiro de Recuperação Extrajudicial (Obre).

Em 2026, até o momento, outras 33 empresas seguiram o mesmo caminho.

Preços dos combustíveis exibidos em um posto de gasolina Shell em Copenhague, Dinamarca — Foto: Reuters

Mas esse movimento também é resultado de uma reforma aprovada em 2020, que fortaleceu o mecanismo no Brasil e promoveu “uma mudança cultural”, segundo Juliana Biolchi, diretora do Obre.

Segundo Luiz Fabiano Saragiotto, sócio da Journey Capital, a atualização tornou as reestruturações extrajudiciais mais flexíveis. A mudança permitiu que as empresas excluíssem algumas classes de credores e incentivou o início das negociações de dívida antes que fosse necessário recorrer à recuperação judicial.

Segundo Saragiotto, as reestruturações judiciais são complexas e custosas porque “envolvem todos os credores, afetando a reputação da companhia e o acesso às linhas de crédito, além da manutenção do negócio em si”.

“No momento em que um pedido de recuperação judicial é deferido, a empresa ganha esse carimbo maldito”, completa.

Solução mais simples

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A recuperação extrajudicial permite que empresas em dificuldades negociem diretamente com grupos específicos de credores. Depois de aprovado por maioria simples, o plano passa a valer para todos os credores das classes afetadas, impedindo que quem rejeitou o acordo consiga barrá-lo.

Segundo Biolchi, a simplicidade do processo em relação à recuperação judicial fez com que ele passasse a ser “cada vez mais associado a crises financeiras menos agudas”.

Segundo a empresa, o plano não afetou fornecedores, parceiros comerciais, clientes nem funcionários.

Empresas do agronegócio, setor que enfrenta um elevado endividamento, também passaram a recorrer ao mecanismo, indicando que seu uso tem se espalhado por diferentes áreas da economia.

Impulsionado pelo caso da Raízen, o volume de dívidas das empresas que pediram recuperação extrajudicial em 2026 já supera R$ 109 bilhões. Em 2024, esse total foi de R$ 41,5 bilhões, refletindo o avanço do movimento e seus impactos no mercado.

“Os investidores estão muito mais preocupados com o risco de crédito do que estavam no passado”, disse Caio Viggiano, diretor da área de renda fixa do Itaú BBA. Segundo ele, os conflitos globais, os juros elevados e a onda de reestruturações corporativas explicam essa mudança.

Especialistas acreditam que o número de recuperações extrajudiciais deve continuar crescendo nos próximos meses.

A Oncoclínicas, maior empresa de tratamento oncológico da América Latina, está entre as companhias que avaliam recorrer ao mecanismo, segundo reportagens da imprensa e uma fonte com conhecimento das discussões. Procurada, a empresa se recusou a comentar.

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