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Deputados têm R$ 165,8 mil mensais para pagar funcionários; saiba o que é a verba de gabinete

por Gilberto Cruz
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Os deputados federais recebem, além do salário mensal de R$ 46,4 mil, uma verba extra no valor de R$ 165,8 mil por mês.
Esse dinheiro, chamado de “verba de gabinete”, serve para pagar os salários de até 25 secretários parlamentares que auxiliam os deputados no exercício do mandato em Brasília e nos estados, contratados sem a necessidade de concurso público.
O g1 revelou nesta sexta-feira (22) que uma ex-funcionária do gabinete do deputado Mário Frias (PL-SP), paga com essa verba, devolveu parte do salário ao então chefe de gabinete e a parentes dele, e pagou despesas de familiares de Frias, entre fevereiro de 2023 e março de 2024 (veja mais sobre o caso abaixo).
Agora no g1
A verba está exclusivamente ligada ao pagamento da folha de pessoal. O salário dos secretários parlamentares variam de R$ 1.710 a R$ 25.958.
Outras despesas com a manutenção do mandato, como passagens aéreas, combustível, divulgação e alimentação são custeadas com outra rubrica, a Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (CEAP), ou “cotão”.
O valor da verba de gabinete foi atualizado pela Mesa Diretora da Câmara dos Deputados em fevereiro de 2026, após a Casa aprovar o aumento do salário dos secretários parlamentares.
Na ocasião, para fazer frente ao aumento da despesa, Motta editou um ato da Mesa elevando de R$ 133,2 mil para os atuais R$ 165,8 mil a verba.
Dinheiro para despesas de familiares de deputado
A ex-funcionária do deputado Mario Frias, que foi nomeada secretária parlamentar de fevereiro de 2023 até maio de 2024, também tomou cinco empréstimos consignados em seu nome, totalizando R$ 174.886. Segundo os documentos, parte dos valores foi transferida ao então chefe de gabinete em datas próximas aos empréstimos.
O g1 teve acesso com exclusividade a comprovantes de PIX e extratos bancários da conta de Gardênia Morais no Banco do Brasil, na qual ela recebia o salário pago pela Câmara. O valor líquido do salário, após todos os descontos, variou no período entre R$ 10 mil e R$ 21 mil.
Os documentos indicam que Gardênia transferia o salário da conta do BB para outra conta de sua titularidade, no Itaú, e dessa conta repassava valores para o então chefe de gabinete, Raphael Azevedo, ou para a ex-mulher e outra parente dele.
Os comprovantes obtidos pela reportagem são:
um PIX de R$ 4.600 para Azevedo em fevereiro de 2023;
um PIX de R$ 5.000 para Azevedo em março de 2023;
um PIX de R$ 1.500 para Avezedo em abril de 2023;
um PIX de R$ 3.200 para a ex-mulher de Azevedo em maio de 2023;
dois PIX, de R$ 3.200 e R$ 816, para a ex-mulher e uma outra parente de Azevedo em julho de 2023;
quatro PIX de R$ 3.200 para a ex-mulher de Azevedo nos meses de agosto, setembro, outubro e novembro de 2023;
e um PIX de R$ 4.000 para o próprio Azevedo em março de 2024.
Comprovantes de PIX feitos por Gardênia Morais, ex-funcionária do gabinete de Mario Frias.
Reprodução
A ex-funcionária afirmou que houve mais repasses além dos que a reportagem identificou, que somam R$ 35.116. Segundo Gardênia, também “tinha mais pessoas devolvendo” o salário no gabinete, além dela.
Procurada pela reportagem e questionada sobre os comprovantes, Gardênia Morais confirmou que devolvia parte do salário, conforme um acordo feito com o então chefe de gabinete, Raphael Azevedo, com o conhecimento do deputado.

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