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Quanto café é saudável tomar por dia? Estudo indica consumo associado a menor risco de doenças do coração

por Gilberto Cruz
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Quanto café é saudável tomar por dia?
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Pesquisa aponta que o consumo moderado de café pode reduzir o risco de doenças cardiovasculares, mas os efeitos da cafeína variam de acordo com o organismo e o preparo da bebida.Uma xícara, depois outra, e mais uma. Quando você percebe, já perdeu a conta de quantos cafés tomou ao longo do dia. Mas afinal, qual é a quantidade de café considerada saudável?
Segundo uma revisão científica publicada neste mês pela Associação Americana do Coração (AHA) na revista Circulation, o consumo de até 400 miligramas de cafeína por dia é geralmente seguro para a maioria dos adultos e pode estar associado a um menor risco de doenças cardiovasculares, como insuficiência cardíaca, doenças cardíacas e acidente vascular cerebral (AVC).
A referência utilizada pelos pesquisadores se baseia principalmente nos hábitos de consumo dos Estados Unidos, onde uma xícara padrão de café tem cerca de 240 ml. Segundo a AHA, 400 mg de cafeína equivalem aproximadamente a cinco xícaras de café americano por dia.
No Brasil, porém, a situação é um pouco diferente. A concentração de cafeína varia conforme o tipo de grão, o método de preparo e a quantidade de pó utilizada. Em geral, uma xícara de 200 ml de café coado contém entre 80 e 120 mg de cafeína. Assim, o consumo considerado seguro ficaria em torno de três a cinco xícaras por dia, dependendo da intensidade da bebida.
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Outro ponto importante é a origem da cafeína, chamada pelos pesquisadores de “cafeína saudável”. Isso significa que os benefícios observados pelos estudos estão associados principalmente ao consumo de café, e não necessariamente à cafeína presente em refrigerantes, energéticos ou suplementos. Essas bebidas podem conter outros ingredientes que, em excesso, estão relacionados ao aumento da pressão arterial e a alterações do ritmo cardíaco.
O tipo de preparo importa
Entre outras descobertas, o consumo de café com cafeína sem adição de açúcar, aromatizantes ou creme está associado a um menor risco de diabetes tipo 2, doenças cardíacas, acidente vascular cerebral (AVC) ou insuficiência cardíaca.
As evidências mais robustas sugerem que o café com cafeína pode ajudar a reduzir o risco de fibrilação atrial, um tipo comum de arritmia cardíaca. Por outro lado, a substância parece aumentar a frequência de contrações ventriculares prematuras — batimentos cardíacos extras que geralmente são benignos, mas podem ser percebidos como “falhas” ou “saltos” no coração.
Ensaios clínicos também indicam que o cafestol, uma substância naturalmente presente tanto no café com cafeína quanto no descafeinado, pode elevar os níveis de lipoproteína de baixa densidade (LDL), o chamado colesterol “ruim”.
A concentração de cafestol varia de acordo com o método de preparo. A substância está presente em maiores quantidades em cafés não filtrados, como o expresso, o preparado em prensa francesa, o café turco e o café fervido. Já o café coado com filtro de papel e o café instantâneo contêm níveis muito menores, uma vez que boa parte do composto fica retida durante o processo de preparo.
Embora o café seja a principal fonte de cafeína para a maioria dos adultos, ele está longe de ser a única. A substância também é encontrada no chá, no chocolate, em refrigerantes, bebidas energéticas e em alguns medicamentos, tanto de venda livre quanto sob prescrição médica.
Por isso, especialistas recomendam considerar a ingestão total de cafeína ao longo do dia, e não apenas a quantidade de café consumida. Afinal, uma lata de energético, um refrigerante à base de cola ou até mesmo determinados remédios podem contribuir significativamente para o consumo diário da substância.
Cada corpo reage diferente
Após ser consumida, a cafeína é absorvida rapidamente pelo organismo e metabolizada principalmente no fígado. Em geral, sua concentração no sangue atinge o pico entre 30 minutos e uma hora após a ingestão, embora esse tempo possa variar de pessoa para pessoa.
A velocidade com que a substância é processada depende de diversos fatores, como genética, idade, metabolismo, uso de medicamentos e hábitos de consumo. Pessoas que tomam café regularmente, por exemplo, podem desenvolver certa tolerância aos efeitos da cafeína ao longo do tempo, enquanto outras permanecem mais sensíveis à substância e sentem seus efeitos mesmo em doses menores.
Entre os efeitos de curto prazo mais comuns estão o aumento temporário do estado de alerta, da concentração, da frequência cardíaca e da pressão arterial. A cafeína também pode provocar elevações transitórias dos níveis de açúcar no sangue. Em algumas pessoas, porém, o consumo excessivo pode causar sintomas indesejados, como palpitações, ansiedade, irritabilidade e dificuldades para dormir.
Os especialistas ressaltam que a resposta à cafeína é altamente individual. Uma quantidade considerada segura para uma pessoa pode provocar efeitos adversos em outra, especialmente entre indivíduos mais sensíveis à substância.
Por isso, apesar das evidências que associam o consumo moderado de café a benefícios cardiovasculares, os autores da revisão destacam que ainda são necessárias mais pesquisas para entender melhor como a cafeína afeta o organismo, de que forma as diferentes fontes da substância influenciam a saúde do coração e por que seus efeitos podem variar tanto entre as pessoas.
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