‘Pulmões parecem movidos a bateria’: cantora britânica Lola Young relata efeitos do uso de vape
reprodução Tik Tok
A cantora britânica Lola Young, de 25 anos, afirmou que começou a sentir os efeitos do uso prolongado de cigarros eletrônicos e relatou dificuldade para respirar. Em um vídeo publicado no TikTok nesta quarta-feira (30), a artista disse que havia sido alertada de que, por volta dos 25 ou 26 anos, começaria a perceber consequências do vaping e decidiu ignorar o alerta na época. Agora, Young diz acreditar que esse momento chegou.
Ao descrever como se sente, a cantora afirmou que seus pulmões parecem estar “movidos a bateria” e que respirar passou a parecer uma tarefa. Ela comparou o esforço a um trabalho árduo e brincou que deveria receber 30 libras por hora para respirar.
O relato chama atenção para os possíveis efeitos dos dispositivos eletrônicos para fumar, conhecidos como cigarros eletrônicos ou vapes. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Instituto Nacional de Câncer (Inca), esses produtos podem expor os usuários a substâncias tóxicas e estão associados a riscos de doenças respiratórias e cardiovasculares.
No Brasil, a fabricação, a venda, a importação, a divulgação e a distribuição desses dispositivos são proibidas desde 2009.
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O vape está trazendo o cigarro de volta?
O que acontece ao usar um cigarro eletrônico?
Embora sejam popularmente conhecidos como vapes, esses aparelhos fazem parte do grupo chamado de Dispositivos Eletrônicos para Fumar (DEF).
Segundo o Inca, eles funcionam com uma bateria que aquece um líquido, que pode conter nicotina em diferentes concentrações. Esse processo produz um aerossol que é inalado pelo usuário e costuma ser chamado popularmente de “vapor”.
Os aparelhos podem aparecer em diferentes formatos, semelhantes, por exemplo, a cigarros, canetas e pen drives.
O Inca também inclui entre os diferentes tipos de dispositivos eletrônicos para fumar os cigarros de tabaco aquecido, vaporizadores de ervas secas e produtos híbridos.
Como o vape pode prejudicar os pulmões
De acordo com a Anvisa, o uso de cigarros eletrônicos está associado a riscos de doenças pulmonares, como bronquite, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), o chamado “pulmão de pipoca” e Evali, lesão pulmonar associada ao uso desses produtos.
A agência também aponta possíveis problemas cardiovasculares e exposição a substâncias tóxicas, entre elas formaldeído, acroleína, diacetil e metais pesados.
Outro problema é a nicotina. Os dispositivos, especialmente aqueles que utilizam sais de nicotina, podem levar à dependência.
A Anvisa ressalta ainda que nem todos os riscos relacionados aos cigarros eletrônicos são conhecidos e que novas evidências sobre seus efeitos continuam surgindo.
O Instituto Nacional do Câncer (Inca) também afirma que nenhum dispositivo eletrônico para fumar é seguro.
Segundo o instituto, esses produtos podem conter substâncias tóxicas relacionadas ao desenvolvimento de câncer e de doenças respiratórias e cardiovasculares.
A maioria dos aparelhos possui nicotina, substância responsável pela dependência.
Com base nas evidências disponíveis, o instituto aponta ainda que cigarros eletrônicos com nicotina aumentam o risco de envenenamento, convulsões, dependência, traumas e queimaduras provocadas por explosões, além de doenças respiratórias, incluindo a evali.
O que é evali?
Entre os problemas associados aos dispositivos eletrônicos para fumar está a lesão pulmonar relacionada ao uso desses produtos, conhecida como evali.
A condição aparece entre os riscos respiratórios destacados tanto pela Anvisa quanto pelo Inca.
O instituto alerta que o fato de os aparelhos produzirem um aerossol, frequentemente chamado de “vapor”, não significa que sejam inofensivos. Os cigarros eletrônicos podem conter substâncias tóxicas e expor o organismo a compostos associados a diferentes problemas de saúde.
Cigarros eletrônicos são proibidos no Brasil
No Brasil, os dispositivos eletrônicos para fumar são proibidos desde 2009.
A legislação impede a fabricação, importação, comercialização, distribuição e divulgação desses produtos.
A proibição foi mantida pela Anvisa após uma avaliação dos riscos à saúde pública. A Resolução RDC nº 855/2024 manteve as restrições e reforçou também a proibição do uso dos dispositivos em recintos coletivos fechados.
Além dos possíveis efeitos para quem utiliza os aparelhos, o Inca alerta para impactos ambientais.
Entre eles estão o aumento de material particulado com substâncias potencialmente cancerígenas no ar de ambientes internos, o risco de incêndios e explosões e a geração de resíduos que contêm substâncias tóxicas.
Para o instituto, a orientação é clara: nenhum tipo de dispositivo eletrônico para fumar é considerado seguro.
Quem é Lola Young?
A cantora inglesa estreou no Brasil em setembro, quando se apresentou no Palco Mundo do Rock in Rio. Aos 25 anos, Young já havia sido anunciada anteriormente como uma das atrações do Lollapalooza Brasil 2026, mas cancelou a participação depois de decidir fazer uma pausa na carreira.
O hiato ocorreu após a cantora desmaiar no palco do festival All Things Go, em Nova York, em 2025.
Young já falou publicamente sobre outros problemas de saúde e dependência. Ela relatou sua experiência com dependência de cocaína e revelou ter sido diagnosticada na adolescência com transtorno esquizoafetivo e TDAH.
Após cinco anos se apresentando em pubs e pequenas casas de shows em Londres, a britânica ganhou projeção internacional em 2024 com a ajuda de um sucesso no TikTok.
A música “Messy” permaneceu durante quatro semanas no topo da parada de singles do Reino Unido e ajudou a transformar Young em um dos nomes do pop alternativo de sua geração.
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