
O piloto de avião Lito Sousa, do canal Aviões e Músicas, confirma diagnóstico de Creutzfeldt-Jakob
Reprodução/Youtube
A esposa do influenciador Lito Sousa, do canal Aviões e Música, contou em um vídeo que ele teve o diagnóstico da doença Creutzfeld-Jacob. No vídeo, publicado nesta sexta-feira (21) a esposa de Lito, Mila, comentou que o diagnóstico demorou a ser fechado, mas que nas últimas semanas o influenciador perdeu parte da capacidade motora e recebeu a notícia da doença.
A Doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ) é uma doença priônica humana — rara, neurodegenerativa, progressiva e sem cura. O quadro costuma começar com demência, perda de memória e tremores, e evolui com outros sinais neurológicos que afetam diferentes regiões do cérebro simultaneamente. Existem quatro formas conhecidas de DCJ: esporádica, hereditária, iatrogênica e a nova variante (vDCJ).
Segundo levantamento do Ministério da Saúde, o Brasil registrou 547 casos confirmados da enfermidade entre 2005 e 2021 — período que corresponde aos primeiros 17 anos desde que a DCJ passou a integrar a lista de notificações compulsórias.
Antes da confirmação da DCJ, Lito já enfrentava outro problema de saúde: em julho, ele havia revelado publicamente um diagnóstico de câncer de próstata, identificado após alterações em exames de rotina, com indicação de cirurgia.
Lito Sousa é diagnosticado com doença degenerativa sem cura, diz esposa
Uma doença rara, rápida e sem cura
A DCJ é uma doença priônica — causada pela alteração anormal de uma proteína chamada príon, que se multiplica no cérebro e destrói neurônios, deixando no tecido cerebral um padrão de buracos que dá origem ao termo “espongiforme”. A enfermidade é rara, progressiva e, até hoje, sem tratamento capaz de reverter ou interromper sua evolução.
No Brasil, a doença atinge principalmente pessoas mais velhas: a faixa de 55 a 74 anos concentrou 60,2% das notificações, com idade média de 66 anos entre os casos suspeitos — perfil diferente do caso de Lito, já que a forma esporádica costuma acometer pessoas entre 60 e 80 anos.
A literatura usada pelo Ministério da Saúde indica que cerca de 90% dos pacientes evoluem para óbito entre seis meses e um ano após o início dos sintomas, com sobrevida média de cinco meses — dado que reforça a gravidade do quadro relatado pela família de Lito. Entre as notificações analisadas, houve 290 registros de óbito pelo agravo, embora o boletim aponte falhas no preenchimento e acompanhamento dos dados.
O que mostram os dados nacionais
O estudo do Ministério da Saúde analisou 1.576 notificações de casos suspeitos registradas no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). Desse total, 457 foram descartadas e 572 permaneceram com classificação final ignorada. Entre os 547 casos confirmados, 359 foram classificados por critério laboratorial, 161 por critério clínico-epidemiológico, e em 27 registros o critério não foi informado.
A maior concentração de casos ocorreu nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste. São Paulo lidera o número de confirmações (202), seguido por Minas Gerais (57) e Paraná (44).
A doença aumentou no país?
O número de notificações cresceu ao longo da série histórica, com elevação mais expressiva a partir de 2012 — o que, segundo o ministério, pode refletir maior sensibilidade da vigilância epidemiológica, e não necessariamente mais casos reais. O pico foi em 2019, com 174 registros (11% do total), enquanto 2020 e 2021, durante a pandemia de Covid-19, tiveram queda nas notificações.
DCJ não é a mesma coisa que “doença da vaca louca”
A DCJ esporádica — provável forma investigada nos casos suspeitos mais recentes no Rio de Janeiro — não deve ser confundida com a variante da doença (vDCJ), ligada ao consumo de carne bovina contaminada pela encefalopatia espongiforme bovina (EEB), o “mal da vaca louca”. O Ministério da Saúde afirma que nunca houve registro de caso de vDCJ no Brasil desde 2005, nem mortes atribuídas à variante no país.
Vaca louca
Editoria de Arte/G1
Diagnóstico e manejo
Não existe tratamento que reverta a DCJ; os cuidados se concentram no manejo dos sintomas, suporte ao paciente e controle de complicações — o mesmo tratamento paliativo mencionado no caso de Lito. O diagnóstico combina avaliação clínica com exames de imagem, como ressonância magnética, eletroencefalograma e tomografia, além do exame RT-QuIC, feito a partir do líquido cefalorraquidiano, que tem alta especificidade para confirmar casos suspeitos.
*Informações apuradas por Bruna Alencar.
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