A equipe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já começou a discutir a estratégia para um eventual segundo turno da eleição presidencial.
Segundo conselheiros do petista, a avaliação interna é que a disputa irá para o segundo turno e que, nessa etapa, Lula precisará apresentar aos eleitores algo além da comparação entre os dois candidatos.
Um dos pontos considerados centrais é a política fiscal.
“Lula vai ter de mostrar que, no seu quarto mandato, terá mais rigor fiscal”, diz um interlocutor do presidente.
A avaliação desses interlocutores é que Lula consegue apresentar argumentos para explicar as dificuldades enfrentadas nas contas públicas durante o terceiro mandato, atribuindo parte dos problemas à situação fiscal herdada do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Para um eventual quarto mandato, porém, aliados avaliam que Lula terá de sinalizar medidas para conter o crescimento da dívida pública.
Lula informa que não vai participar do debate da Globo, nesta quinta-feira (1º)
Em junho, a dívida bruta do setor público chegou a 82% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo dados do Banco Central divulgados em julho.
O tema é especialmente relevante porque o próprio Lula afirmou, em entrevista à TV Globo em agosto, que a dívida pública brasileira não o preocupava e defendeu que o crescimento da economia ajudaria a reduzir o peso do endividamento.
Além da questão fiscal, os conselheiros dizem que Lula terá de explicar o que pretende oferecer de novo aos brasileiros em um eventual quarto mandato.
“Ele precisa dizer exatamente o que trará de novo num quarto mandato para atrair um eleitor que já está, de certa forma, cansado do estilo do petista”, afirma um conselheiro do presidente.
Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Lula (PT) durante eventos de campanhas
Fernando Frazão/Agência Brasil e Ricardo Stuckert/Planalto
Minas Gerais
Dentro dessa estratégia, interlocutores de Lula consideram fundamental melhorar significativamente o desempenho em Minas Gerais, numa tentativa de compensar a vantagem do também candidato Flávio Bolsonaro (PL) no Rio de Janeiro e em São Paulo.
Pesquisas recentes mostram uma recuperação de Lula entre os mineiros. Na Quaest, o petista passou de 31% no início de setembro para 35% no levantamento de 23 de setembro e manteve esse patamar na pesquisa divulgada no dia 29.
No segundo turno, Lula saiu de 37% no início do mês para 41% no levantamento mais recente, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 40%.
A avaliação do governo também melhorou: na comparação entre agosto e setembro, a aprovação de Lula em Minas passou de 41% para 44%, enquanto a desaprovação caiu de 52% para 49%.
O comando da campanha de Lula afirma confiar que o presidente chegará ao domingo à frente de Flávio Bolsonaro.
Aliados reconhecem, porém, que o cenário de um eventual segundo turno é mais difícil, diante do empate apontado pelas pesquisas nas simulações entre os dois.
A avaliação entre integrantes da campanha é que Flávio Bolsonaro poderá reunir mais apoios formais entre os candidatos derrotados no primeiro turno.
Segundo esses interlocutores, Lula não teria, entre os candidatos de esquerda ou centro-esquerda desta eleição, um nome com capital político expressivo para transferir votos ao petista.
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