
O Brasil tem 918,9 mil eleitores registrados fora do país, um contingente que cresceu 31,8% desde 2022.
O eleitorado no exterior ainda é uma fração pequena do total nacional (0,58% dos 158,7 milhões de eleitores do Brasil), mas concentrado: um pequeno grupo de cidades reúne boa parte dos votos brasileiros fora do país. E o perfil desse eleitor é diferente do brasileiro médio: mais escolarizado, solteiro e com uma dependência de biometria muito menor.
O aumento foi de aproximadamente 221,8 mil eleitores em quatro anos, segundo dados divulgados na segunda-feira (20) pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A distribuição destes brasileiros no exterior também mudou nos últimos 4 anos. De acordo com os dados da Justiça Eleitoral, a cidade que registrou maior aumento no número de brasileiros aptos a votar em relação às eleições de 2022 foi Lisboa, em Portugal. Passou de 45,3 mil para mais de 78 mil, crescimento de 74,1%.
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Isso acontece principalmente por causa da imigração. De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE) de Portugal, os brasileiros são a maioria entre os imigrantes regulares do país. Até o fim de 2025, eram pelo menos 574.195, conforme relatório divulgado em junho deste ano.
Ainda assim, considerando todas as cidades, os Estados Unidos continuam sendo o país com o maior número de eleitores brasileiros cadastrados. Eram 182.986 em 2022 e, neste ano, são 265.437.
🗺️ Veja os locais de votação com maiores quantidade de eleitores:
Lisboa (Portugal) — 78,8 mil eleitores
Boston (EUA) — 53,4 mil eleitores
Porto (Portugal) — 47,7 eleitores
Nagóia (Japão) — 44,6 eleitores
Miami (EUA) — 40,1 mil eleitores
Nova York (EUA) — 39 mil eleitores
Londres (Reino Unido) — 37,5 mil eleitores
Tóquio (Japão) — 30 mil eleitores
Paris (França) — 27 mil eleitores
Orlando (EUA) — 26,4 mil eleitores
Portugal e Estados Unidos dominam a lista, refletindo os dois principais destinos históricos da emigração brasileira. Mas a presença de Nagóia e Tóquio no top 10 chama atenção: as duas cidades japonesas, somadas a Hamamatsu (13,7 mil eleitores, 25ª colocada), reúnem quase 89 mil eleitores.
Os dez maiores locais de votação concentram 424.714 eleitores, o equivalente a 46,2% de todo o eleitorado brasileiro no exterior. Considerando os 20 maiores, a proporção sobe para 66,7%. Ao todo, os registros do TSE abrangem 186 localidades fora do país.
Veja os países com maiores quantidade de eleitores. Juntos, eles representam 82% do eleitorado no exterior:
Estados Unidos: 265,4 mil eleitores (28,89% do total)
Portugal: 134,7 mil (14,67%)
Japão: 88,4 mil (9,62%)
Canadá: 46,5 mil (5,06%)
Alemanha: 41,5 mil (4,52%)
Espanha: 40,8 mil (4,44%)
Itália: 38,8 mil (4,23%)
Reino Unido: 37,6 mil (4,09%)
França: 29,7 mil (3,24%)
Suíça: 27 mil (2,94%)
Os Estados Unidos têm quase o dobro do eleitorado de Portugal, mas é Portugal quem está crescendo mais rápido: entre 2022 e 2026, o eleitorado brasileiro em Lisboa cresceu 74% e no Porto, 58% — o boom da emigração brasileira para Portugal dos últimos anos aparece nos números das urnas.
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O crescimento do eleitorado não significa, necessariamente, que o número de brasileiros que vivem no exterior tenha aumentado na mesma proporção.
Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) mostram que, em 2024, 2,2 milhões de brasileiros residiam no exterior, a maior parte nos Estados Unidos (738.994 brasileiros), Japão (207.220), Espanha (179.946), Portugal (173.266) e Itália (137.935).
Em número absoluto de novos eleitores, Lisboa lidera isolada, com mais 33.564 eleitores desde 2022. Sozinha, a capital portuguesa respondeu por 15% de todo o crescimento do eleitorado no exterior no período.
✈️Comparando o eleitorado brasileiro por cidade entre 2022 e 2026, alguns destinos tiveram aumento:
Hartford (EUA) — de 4 mil para 9,1 mil eleitores (+128%)
Lisboa (Portugal) — de 45,2 mil para 78,8 mil eleitores (+74%)
Los Angeles (EUA) — de 11,2 mil para 18,3 mil eleitores (+63%)
Barcelona (Espanha) — de 10,9 mil para 17,3 mil eleitores (+59%)
Porto (Portugal) — de 30 mil para 47,6 mil eleitores (+58%)
Já outros destinos tradicionais praticamente estagnaram. Miami encolheu 0,2% (de cerca de 40,2 mil para 40,1 mil), e alguns consulados em países vizinhos perderam eleitores: Caracas (-20%), Maputo (-17%) e Cayenne, na Guiana Francesa (-10%).
🗳️Por outro lado, há locais de votação com menos de uma dezena de eleitores. É o caso de Dacca e Pyongyang , cidades asiáticas localizadas em Bangladesh e Coreia do Norte, respectivamente; e as sul-americanas Cobija (Bolívia) e Santa Elena de Uairen (Venezuela). Todas aparecem nos registros do TSE com apenas um eleitor.
1 eleitor: Dacca (Bangladesh), Saint Johns, Cobija (Bolívia), Santa Elena de Uairen (Venezuela), Pyongyang (Coreia do Norte);
2 eleitores: Brazzaville (Congo);
3 eleitores: Abuja (Nigéria) e Adis Beba (Etiópia);
5 eleitores: Conacri (Guiná), Baku (Azerbaijão), Malabo (Guiné Equatorial), Bamako (Mali);
6 eleitores: Uagadugu (Burkina Faso), Lilongue (Malauí), Yangon (Myanmar);
7 eleitores: Harare (Zimbábue), Lome (Togo), Castries (Ilha de Santa Lúcia);
8 eleitores: Cotonou (Benim), Puerto Quijarro (Bolívia);
9 eleitores: Tirana (Albania);
10 eleitores: Gaborone (Botsuana), Bagdá (Iraque), St. Georges de Loyapock (Guiana Francesa)
Mulheres são maioria, e o eleitorado é bem mais escolarizado
No exterior, a diferença entre os gêneros é mais acentuada do que no Brasil: 527.734 mulheres (57%) contra 391.142 homens (43%) votam fora do país.
A maior faixa etária é a de 40 a 44 anos, com 124.782 eleitores (13,6%). O perfil está concentrado principalmente entre adultos: quase seis em cada dez brasileiros aptos a votar no exterior têm entre 30 e 54 anos (59%).
Nas faixas mais jovens, há 2.431 eleitores de 16 e 17 anos, apenas 0,26% do total.
Entre os eleitores de 16 a 19 anos, os homens são maioria: 10.662 (51,7%), ante 9.966 mulheres (48,3%). A inversão começa aos 20 anos, com 6.897 mulheres e 6.849 homens.
Já os brasileiros com 70 anos ou mais, para os quais o voto é facultativo, somam 38.211, ou 4,2%.
Mulheres continuam como maioria no eleitorado no exterior e no eleitorado total de 2026
Kayan Albertin – Arte/g1
O contraste aparece também na escolaridade. Entre os brasileiros no exterior, cerca de 52% têm superior completo ou incompleto (quase três vezes a proporção observada no eleitorado nacional, que é de 17%).
Do lado oposto, o analfabetismo é quase inexistente entre o eleitorado brasileiro fora do país: apenas 0,12% dos eleitores no exterior se declaram analfabetos, contra 3,48% no Brasil. Retrato da emigração brasileira recente, puxada por profissionais qualificados, estudantes e imigração de trabalho especializado.
Mídia de distribuição geral eleições 2026 g1
Arte g1
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