
Renan Santos (Missão) com Renata Vasconcellos e César Tralli nos Estúdios Globo.
Globo/ Manoella Mello
O candidato à Presidência da República pelo Missão, Renan Santos, foi entrevistado nesta quarta-feira (26) pela Globo.
Conduzida pelos jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli diretamente dos Estúdios Globo, no Rio, a entrevista faz parte de uma série realizada com presidenciáveis. É a primeira vez que as sabatinas com postulantes ao Palácio do Planalto são exibidas após o “Jornal Nacional”, e não durante o telejornal.
A emissora convidou os seis mais bem colocados na pesquisa de intenção de voto divulgada pela Quaest em 14 de agosto. A ordem das entrevistas foi definida por sorteio, com a presença de representantes dos partidos.
A programação é a seguinte:
24 de agosto (segunda-feira) – Romeu Zema (Novo) – leia a checagem
25 de agosto (terça-feira) – Ronaldo Caiado (PSD) – leia a checagem
26 de agosto (quarta-feira) – Renan Santos (Missão)
27 de agosto (quinta-feira) – Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
28 de agosto (sexta-feira) – Flávio Bolsonaro (PL)
29 de agosto (sábado) – Augusto Cury (Avante)
A equipe do Fato ou Fake checou as principais declarações de Renan Santos. Leia:
“Os Estados Unidos não dispõem nem das terras raras no seu território, nem da extração, nem do processamento.”
Selo Fake (Horizontal)
g1
A declaração é #FAKE. Veja por quê:
Segundo fontes oficiais do governo americano e a Agência Internacional de Energia, os Estados Unidos têm reservas de terras raras e fazem extração e processamento. Terras raras são um grupo de 17 elementos químicos essenciais para a produção de produtos como smartphones, TVs, câmeras digitais e LEDs. Mesmo usados em pequenas quantidades, são insubstituíveis.
O relatório “Sumário de commodities minerais” divulgado em maio pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) e disponível para consulta no site oficial do órgão, indica que o território americano tem 1,9 milhão de toneladas de óxidos de terras raras.
Com relação à extração, há destaque para a MP Materials, empresa local que explora terras raras na mina e refinaria Mountain Pass, na Califórnia. Dados enviados em junho de 2026 pela MP Materials à Securities and Exchange Commission (SEC, na sigla em inglês), órgão que atua na regulação do mercado de capitais dos Estados Unidos, mostram que a empresa produziu 50.692 toneladas de óxidos de terras raras em 2025, além de 2.599 toneladas de óxido de neodímio, com separação de terras raras pesadas em implantação. A empresa opera ainda a fábrica de ímãs Independence, em Fort Worth (Texas), e fechou em julho de 2025 um acordo com o Pentágono com preço mínimo garantido por dez anos.
Por fim, a Agência Internacional de Energia lista os Estados Unidos como um dos principais motores da diversificação do refino fora do território chinês, que detém quase o monopólio desse mercado. Segundo o documento “Perspectivas globais para minerais críticos de 2026”, publicado em maio, a produção refinada americana (liderada por projetos como o da MP Materials em Mountain Pass) atingiu 5 mil toneladas em 2025 (em termos de terras raras magnéticas contidas). Projeta-se, ainda alcance 9 mil toneladas em 2030 e 11 mil toneladas em 2040.
“Quem é o país que dispõe das segundas maiores reservas globais de terras raras? É justamente o Brasil.”
g1
A declaração é #FATO. Veja por quê:
O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês) compila dados globais sobre reservas das chamadas terras raras.
O mais recente boletim do órgão, divulgado em fevereiro, aponta que o Brasil tem uma reserva de 11 milhões de toneladas destes elementos (a segunda maior do mundo). O volume só é superado por China (44 milhões de toneladas) e supera as cifras de Austrália (6,3 milhões), Rússia (3,8 milhões) e Vietnã(3,5 milhões).
O uso mais importante dessas substâncias conhecidas como “terras raras” está na fabricação de ímãs permanentes. Potentes e duráveis, eles mantêm suas propriedades magnéticas por décadas. Graças a isso, é possível produzir peças menores e mais leves, algo essencial por exemplo, para tecnologias, turbinas eólicas e veículos elétricos.
Esses elementos também são fundamentais para a indústria de defesa. Estão presentes em aviões de caça, submarinos e equipamentos com telêmetro a laser. Justamente por essa relevância estratégica, o valor comercial é elevado.
Esta checagem está em andamento.
Participaram da checagem: Camila Zarur, Camilla Alcântara, Carolina Callegari, Gustavo Petró, Jorge Fofano, Marcelo Parreira, Mel Trench, Roney Domingos e Vinícius Cassela.
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