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Trump oficializa cota extra de importação de carne para baixar preços nos EUA | G1

por Gilberto
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A medida tem o objetivo de aumentar a oferta e tentar conter os preços da carne para os consumidores norte-americanos.

A nova cota vale apenas para carnes consideradas magras, usadas na produção de carne moída e para a preparação de hambúrgueres.

A ampliação será válida por 90 dias a partir de 1º de setembro e permitirá a entrada de até 100 mil toneladas por mês.

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Segundo a Casa Branca, a medida estabelece uma redução em 25% do preço da carne no mercado norte-americano em relação aos valores atuais.

Além disso, o governo Trump acredita que ela aumentará em 10% a oferta do produto no país.

A ampliação não altera os acordos de livre-comércio com os EUA e não se aplica a países que possuem cotas específicas de carne bovina.

Brasil pode ser beneficiado?

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) informou ao g1 que o Brasil será contemplado pela medida, “embora não seja o único país que poderá se beneficiar da ampliação”.

Contudo, os ganhos da indústria devem ser limitados, uma vez que a proclamação estabelece a comercialização com valores menores aos consumidores.

O zootecnista e consultor de mercado da Scot Consultoria Felipe Fabbri concorda que o Brasil deve se beneficiar da medida. Segundo o especialista, uma ampliação da cota ou uma redução das tarifas aumentaria a competitividade da carne bovina brasileira no mercado norte-americano e poderia abrir espaço para um volume maior de embarques aos Estados Unidos.

Atualmente, o Brasil participa de uma cota compartilhada com outros fornecedores dos EUA, que costuma ser preenchida nas primeiras semanas do ano. Depois que esse volume é esgotado, a carne brasileira continua podendo entrar no país, mas passa a pagar uma tarifa extra-cota de 26,4%.

Por isso, uma ampliação da cota que inclua o Brasil deve melhorar as condições de acesso da carne bovina brasileira ao mercado americano.

A medida de Trump acontece em um momento em que o Brasil diminuiu os embarques para o seu maior cliente, a China, depois de atingir o limite de cotas de comercialização sem a tarifa adicional.

Para a Abiec, a medida não substitui o mercado chinês, uma vez que China e Estados Unidos demandam produtos com características e perfis distintos.

Carne em crise nos EUA

A medida de Trump ocorre em um momento difícil para os consumidores americanos, que têm sentido cada vez mais no bolso a alta dos preços da carne bovina.

Segundo dados do Bureau of Labor Statistics, o preço de uma libra (equivalente a 453,59 gramas) de carne moída chegou a US$ 6,82 em junho deste ano, 79% acima do registrado no início de 2019.

Fabbri explica que a alta da carne bovina nos Estados Unidos está relacionada principalmente à redução do rebanho e da produção, em um cenário de demanda ainda aquecida.

O rebanho norte-americano está no menor nível em 75 anos, enquanto o preço do gado atingiu níveis recordes, movimento que acabou sendo repassado ao consumidor.

O fornecimento ficou ainda mais restrito porque os EUA suspenderam em 2025 a maioria das importações de gado mexicano, diante de preocupações com a disseminação da bicheira-do-Novo-Mundo, uma praga que infesta o gado.

Apesar de também serem grandes produtores, os EUA ainda precisam importar carne para atender à demanda dos consumidores, que se manteve firme e pressionou os preços.

Ele aponta que o impacto da medida sobre o preço ao consumidor ainda é incerto e dependerá da estratégia adotada pelas indústrias locais.

“É difícil afirmar que o preço do hambúrguer cairá para o consumidor americano, mas a expectativa é que a medida ajude, ao menos em parte, a conter novas altas e a reduzir o custo de produção das indústrias locais”, afirma.

A afirmação feita no programa de Glenn Beck ocorreu depois que o apresentador sugeriu que a redução das regras permitiria que agricultores e pecuaristas realizassem seus próprios abates.

Brasil já é um dos principais fornecedores

Os Estados Unidos são atualmente o segundo maior mercado para a carne bovina brasileira. De janeiro a julho de 2026, o Brasil exportou 233,8 mil toneladas de carne bovina para o país, alta de 17,1% em relação ao mesmo período de 2025.

A receita chegou a US$ 1,54 bilhão, crescimento de 33,1% na comparação anual, segundo dados da Abiec.

Atualmente, cerca de 50 plantas frigoríficas brasileiras estão habilitadas a exportar carne bovina para os Estados Unidos.

Devido aos altos preços, Trump solicitou a abertura de uma investigação contra os quatro maiores frigoríficos atuantes no país, a JBS, a National Beef, controlada pela Marfrig, e as norte-americanas Cargill e Tyson Foods.

Na época, o presidente afirmou que o encarecimento aconteceu “por meio de conluio ilícito”.

Veja as exportações de carne para a China e os EUA em 10 anos — Foto: Arte g1

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