Início » Tarifa de Trump: veja quais produtos brasileiros devem ficar de fora de taxa de 25% proposta pelos EUA | G1

Tarifa de Trump: veja quais produtos brasileiros devem ficar de fora de taxa de 25% proposta pelos EUA | G1

por Gilberto Cruz
tarifa-de-trump:-veja-quais-produtos-brasileiros-devem-ficar-de-fora-de-taxa-de-25%-proposta-pelos-eua-|-g1

O anúncio ocorre após a conclusão de uma investigação aberta em 15 de julho de 2025 por determinação do presidente Donald Trump e com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Segundo o documento, as tarifas são justificadas porque uma série de atos, políticas e práticas do governo brasileiro seria “irrazoável” e “oneraria ou restringiria” o comércio norte-americano. (entenda mais abaixo)

Alguns itens devem ser poupados da tarifa, como materiais informativos, doações e uma lista específica de produtos. Entre eles estão certas carnes, frutas e minerais, além de café, chá, especiais, cereais, sementes, frutos oleaginosos, plantas industriais e medicinais, palha e forragem.

Aeronaves e peças do setor aeronáutico, terras raras, produtos químicos orgânicos, farmacêuticos e fertilizantes também estariam isentos da medida.

Veja a lista de produtos brasileiros que ficaram de fora da tarifa de 25%

🥩 Produtos alimentícios e agrícolas

  • Carne bovina: cortes frescos, refrigerados ou congelados, com osso ou desossado, incluindo carcaças e cortes de alta qualidade, além de miúdos, carne enlatada e carne seca ou defumada;
  • Frutos do mar e derivados: corais, conchas e materiais similares.
  • Hortaliças e fungos: chuchu, brotos de bambu, castanhas-d’água, orelha-de-pau (wood ears) e cogumelos shiitake secos.
  • Raízes e tubérculos: mandioca (fresca, congelada ou seca), taro, mangarás (yautia), jicama, araruta.
  • Frutas: Tomates (frescos ou refrigerados), cocos (desidratados, frescos, com ou sem casca), fruta-pão, bananas, plátanos, abacaxis, abacates, goiabas, durians, mangas, laranjas, limões, papaias, kiwis, etrogs.
  • Nozes: cocos, castanhas-do-pará, castanhas-de-caju, macadâmias.
  • Café e outros estimulantes: café torrado, não torrado, descafeinado ou não, chá verde, chá preto, erva-mate.
  • Bebidas e estimulantes: café (grão, torrado, cascas e substitutos), chás (verde e preto), erva-mate e cacau (grãos, pasta, manteiga e pó).
  • Cacau e derivados: grãos, cascas, pasta, manteiga e pó de cacau sem açúcar.
  • Especiarias: Pimenta, baunilha, canela, cravo, noz-moscada, gengibre, açafrão e cúrcuma.
  • Produtos processados: Amido de mandioca, tapioca, sucos de frutas (laranja, limão, abacaxi e açaí) e preparações de açaí.

🛢️ Recursos naturais, minerais e combustíveis

  • Minérios: minério de ferro, manganês, cobre, níquel, cobalto, alumínio, zinco, estanho, cromo, tungstênio, urânio, titânio e prata.
  • Minerais: grafite natural, caulim, fosfatos de cálcio, sulfato de bário (barita), magnésita e amianto.
  • Energia e combustíveis: carvão (antracito e betuminoso), coque, gás de carvão, óleos de petróleo (crus e refinados), querosene, lubrificantes, gás natural liquefeito, propano, butano e energia elétrica.

🧪 Produtos Químicos, Fertilizantes e Medicamentos

  • Químicos industriais: iodo, silício, arsênio, selênio, óxidos de zinco e titânio, e diversos compostos orgânicos e inorgânicos.
  • Fertilizantes: ureia, sulfato de amônio, nitrato de sódio, cloreto de potássio e fertilizantes fosfatados.
  • Saúde e Farmacêuticos: vacinas (humanas e veterinárias), sangue humano, antissoros, toxinas, antibióticos (penicilinas, estreptomicinas, tetraciclinas, etc.), hormônios (insulina, cortisona, estrogênios), vitaminas, contraceptivos químicos e kits de ensaios clínicos.

✈️ Setor Aeroespacial e outros itens industriais

  • Motores e peças: motores de pistão, turbojatos, turbopropulsores e suas partes.
  • Componentes de voo: hélices, rotores, trens de pouso e fuselagens.
  • Equipamentos internos: assentos de aeronaves, aparelhos de respiração, caixas-pretas (flight data recorders) e instrumentos de navegação aérea (pilotos automáticos e bússolas).
  • Materiais diversos: tubos de plástico, pneus de borracha, juntas de vedação e vidros de segurança laminados, desde que destinados ao uso em aeronaves.
  • Madeira: teca, mogno, balsa e virola (em toras ou serradas).
  • Papel e celulose: polpa de madeira química e diversos produtos de papel.
  • Metais preciosos: ouro, prata e platina (em formas brutas ou manufaturadas).
  • Tecnologia: Máquinas para fabricação de semicondutores, circuitos integrados eletrônicos e processadores.

Os 5 produtos brasileiros mais exportados para os EUA

Ranking dos 5 produtos brasileiros mais exportados para os EUA

ProdutosValor exportadoParticipação no total exportado
Produtos semi-acabados, lingotes e outras formas primárias de ferro ou açoUS$ 1 bilhão9,2%
Óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos crusUS$ 857,5 milhões7,9%
Carne bovina fresca, refrigerada ou congeladaUS$ 814,6 milhões7,5%
Aeronaves e oturos equipamentos, incluindo suas partesUS$ 768,3 milhões7,0%
Ferro-gusa, spiegel, ferro-esponja, grânulos e pó de ferro ou aço e ferro-ligasUS$ 594,1 milhões5,4%

Por que novas tarifas foram anunciadas?

Segundo documento divulgado pelo USTR, a investigação aberta pelo governo americano concluiu que o governo brasileiro adota práticas que “oneram ou restringem” o comércio com os americanos. Entre elas estão o PIX, o desmatamento ilegal, a pirataria e falhas na aplicação de leis anticorrupção.

Quando a investigação foi aberta, em julho de 2025, o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, já tinha afirmado que havia documentado “práticas comerciais desleais do Brasil que restringem o acesso de exportadores americanos ao seu mercado há décadas”, mas não apresentou evidências para sustentar a acusação.

O documento reunia argumentos comerciais e políticos, incluindo a alegação de que os EUA têm déficit comercial com o Brasil. No entanto, os americanos exportam mais para o mercado brasileiro do que importam desde 2009. (clique aqui para saber mais)

Agora, Greer afirma que o governo americano mantém diálogo intenso com a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas que ainda existem divergências entre os dois países.

“Ao longo do último ano, o presidente Trump e eu tivemos várias reuniões construtivas com o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o seu gabinete, que se intensificaram nas últimas semanas. Contudo, continuamos a ter divergências substanciais na resolução das questões identificadas nesta investigação”, afirmou.

Lula e Trump em encontro na Casa Branca — Foto: Ricardo Stuckert

Os pontos criticados pelos EUA

Segundo o relatório final do USTR, algumas das práticas do governo brasileiro que “oneram ou restringem” o comércio norte-americanos são:

  • Comércio digital e serviços de pagamento (PIX): o texto aponta aponta que o Banco Central do Brasil favorece o sistema PIX, de pagamentos instantâneos, em detrimento de provedores americanos, agindo simultaneamente como regulador e proprietário do sistema, impondo o uso do PIX e limitando taxas de concorrentes
  • Regulação de redes sociais: o USTR cita que tribunais brasileiros emitiram ordens secretas para que empresas americanas de mídia social removessem conteúdos políticos e suspendessem perfis de residentes nos EUA — em alguns casos, globalmente —, proibindo a divulgação das ordens. O órgão também critica a imposição de multas severas, restrições a ativos e contas bancárias e, em ao menos um caso, o fechamento completo de um site;
  • Tarifas preferenciais desleais: o governo americano contesta os acordos comerciais mantidos pelo Brasil com o México e a Índia. Segundo o USTR, o Brasil concede tarifas mais baixas a centenas de produtos desses países em setores nos quais ambos são produtores avançados e competitivos globalmente;
  • Desmatamento ilegal: o documento afirma que, embora o Brasil possua um marco legal para combater o desmatamento ilegal, o país historicamente falhou em aplicá-lo de forma eficaz, permitindo a persistência do problema;
  • Acesso ao mercado de etanol: o órgão americano argumenta que o Brasil interrompeu abruptamente, em 2017, o tratamento tarifário equilibrado que aplicava ao etanol e, desde então, não oferece tratamento recíproco às exportações do combustível vindas dos EUA;
  • Proteção da propriedade intelectual: os EUA apontam falta de aplicação suficiente de leis penais e aduaneiras contra a falsificação de produtos, lentidão excessiva no exame de patentes e falta de medidas antipirataria contínuas. Os EUA criticam a demora do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) para analisar patentes especialmente biofarmacêuticas, que levam até 109 meses.
  • Combate à corrupção: a representação americana concluiu que o Brasil não adota medidas suficientes para combater o suborno e a corrupção. O documento cita especificamente a anulação de processos da Operação Lava Jato pelo STF em 2023, a renegociação “sem transparência” de acordos de leniência e a queda do Brasil no Índice de Percepção da Corrupção da Transparência Internacional.

Próximos passos e prazos

Representante Comercial dos EUA, Jamieson Greer, fala à imprensa no dia em que participa de um almoço de trabalho com ministros do comércio da UE, em Bruxelas, Bélgica, 24 de novembro de 2025. — Foto: Piroschka van de Wouw/Reuters

Durante a fase inicial da investigação, ainda em 2025, os EUA já havia colhido depoimentos de mais de 30 testemunhas e recebido mais de 295 comentários e réplicas antes de emitir o parecer atual.

O grupo de trabalho foi instituído após a visita do presidente brasileiro ao americano em 7 de maio na Casa Branca. Nas redes sociais, a USTR chegou a celebrar o “engajamento construtivo” do governo brasileiro para avançar em questões comerciais e afirmou que aguardava com expectativa a continuidade das discussões entre os dois países.

A conclusão da investigação ocorre dentro do prazo estabelecido para as negociações do grupo de trabalho criado pelos governos dos EUA e Brasil para tratar de temas comerciais e evitar aplicação de novas tarifas.

Antes da aplicação definitiva de qualquer sanção ou medida corretiva, o governo dos EUA estabeleceu um cronograma de audiências e consultas públicas para coletar depoimentos de interessados. Veja abaixo:

  • Até 22 de junho de 2026: Prazo máximo para o envio de solicitações de comparecimento à audiência pública, acompanhadas de um resumo do depoimento.
  • Até 1º de julho de 2026: Prazo para o envio de comentários por escrito sobre as medidas propostas pelo USTR.
  • 6 de julho de 2026: Realização da audiência pública oficial pelo USTR para debater as ações propostas.
  • 15 de julho de 2026: Prazo limite legal para a definição e aplicação das medidas corretivas contra o Brasil.

Esse é um novo tarifaço?

O presidente dos EUA, Donald Trump, aponta o dedo durante uma reunião de gabinete na Sala do Gabinete da Casa Branca, em Washington, DC, EUA, em 27 de maio de 2026 — Foto: REUTERS/Evan Vucci

Na prática, a decisão da Suprema Corte anulou todas as tarifas aplicadas com base na IEEPA.

Na época, o governo Trump já indicou que pode buscar outros fundamentos legais para impor tarifas de importação, como argumentos ligados à segurança nacional ou a práticas comerciais consideradas desleais.

Algumas dessas alternativas chegaram a ser mencionadas no voto dissidente do juiz Brett Kavanaugh. Entre elas, estava justamente a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que permitem ao governo pode impor tarifas sem limite de valor ou duração, mas exigem a investigação formal e a realização das consultas públicas.

você pode gostar

SAIBA QUEM SOMOS

Somos um dos maiores portais de noticias de toda nossa região, estamos focados em levar as melhores noticias até você, para que fique sempre atualizado com os acontecimentos do momento.

CONTATOS

noticias recentes

as mais lidas

Jornal de Minas Ltda © Todos direitos reservados CNPJ: 65.412.550/0001-63