Início » Surto de Nipah no Carnaval? Entenda se há risco para o Brasil e quais os sintomas da doença

Surto de Nipah no Carnaval? Entenda se há risco para o Brasil e quais os sintomas da doença

por Redação
surto-de-nipah-no-carnaval?-entenda-se-ha-risco-para-o-brasil-e-quais-os-sintomas-da-doenca


O que se sabe sobre o surto do vírus Nipah na Índia
Com mais um surto do vírus Nipah na Índia e a alta letalidade do vírus, começou a circular nas redes sociais a preocupação: o Brasil pode viver mais uma epidemia às vésperas do Carnaval?
➡️ O Nipah pode causar infecções respiratórias agudas e encefalite (inchaço do cérebro). É transmitido entre humanos e também de animais como morcegos e porcos. (veja mais abaixo)
Segundo os pesquisadores a resposta, de acordo com o atual cenário da doença, é não.
Isso porque o país não abriga o principal hospedeiro para o vírus: os morcegos frugívoros, especialmente da espécie Pteropus. Conhecidos como raposa-voadora, são muito presentes na Ásia e na África e transmitem o vírus.
Segundo o professor Paulo Eduardo Brandão, do Departamento de Medicina Veterinária Preventiva e Saúde Animal da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP, isso faz com que o risco para a doença no Brasil seja muito baixo.
“O vírus Nipah ainda não consegue se transmitir de forma eficiente entre pessoas, e por isso não se tornou uma pandemia”, afirma Brandão.
Morcego raposa-voadora e mais: os hospedeiros do vírus Nipah e os riscos
Na última terça-feira (10), o Ministério da Saúde emitiu uma nota desmentindo a confirmação de casos de Nipah no país.
Segundo a pasta, o Brasil “mantém protocolos permanentes de vigilantes a agentes altamente patogênicos e garante que o risco de uma pandemia causada pelo vírus continua sendo considerado baixo”.
“Não há, portanto, nenhuma evidência de disseminação internacional ou risco para a população brasileira”, tranquiliza o ministério.
Essa é a mesma avaliação da Organização Mundial da Saúde (OMS). De acordo com o órgão de saúde internacional, o surto recente registrado na Índia está praticamente encerrado.
Alta taxa de letalidade
O vírus Nipah é classificado como prioritário pela OMS devido à sua capacidade de desencadear uma epidemia. Não há vacina para prevenir a infecção e nenhum remédio para curá-la.
Rosana Richtmann, médica infectologista do Grupo Santa Joana, explica que o vírus é muito agressivo do ponto de vista do sistema nervoso central.
O vírus Nipah é patógeno com alto índice de letalidade
Universal Images Group/Getty Images
“Os sintomas iniciais são como os de qualquer outra virose: dor de cabeça, dor no corpo, febre. Só que eles evoluem em alguns dias para um quadro de alteração do nível de consciência […] que pode evoluir para consequências neurológicas e até para a morte”, detalha a infectologista.
Ela reitera que a preocupação maior com relação ao vírus fica restrita à Índia e a países vizinhos, que têm o hospedeiro principal do vírus, um tipo de morcego.
O que se sabe sobre o vírus mortal que fez região na Índia fechar escolas e escritórios
Como ocorre a transmissão do vírus Nipah
De acordo com a OMS, a doença é considerada zoonótica – ou seja, é transmitida de animais como porcos e morcegos frugívoros para seres humanos.
➡️ O vírus também pode ser transmitido por meio de alimentos contaminados e por contato com uma pessoa infectada.
“É um vírus zoonótico, ou seja, que pode passar dos animais para os seres humanos. A transmissão de pessoa para pessoa até pode ocorrer, mas é mais comum em profissionais da saúde”, analisa Richtmann.
Ao entrar no corpo humano, o vírus afeta o sistema respiratório e o sistema nervoso central.
Quais os principais sintomas?
Nem todas as pessoas apresentam sintomas visíveis. Outras, no entanto, desenvolvem sinais e consequências como:
Sintomas semelhantes à gripe (incluindo febre, dor de cabeça, dor muscular, fadiga e tontura)
Dificuldades respiratórias
Encefalite (inflamação do cérebro que resulta em sintomas como confusão, desorientação, sonolência e problemas neurológicos como convulsões)
Quando o vírus progride rapidamente, há risco de coma e morte. Nos casos mais graves, sobreviventes podem experimentar efeitos neurológicos de longo prazo.
Como é o diagnóstico?
A infecção pode ser diagnosticada com base no histórico clínico durante a fase aguda e de convalescença da doença. Os principais testes utilizados incluem a reação em cadeia da polimerase em tempo real (RT-PCR) em fluidos corporais e a detecção de anticorpos por ensaio imunoenzimático (ELISA).
Outros testes utilizados incluem o ensaio de reação em cadeia da polimerase (PCR) e o isolamento do vírus por cultura de células.
Alta taxa de mortalidade
A taxa de mortalidade entre aqueles que contraem o vírus é alta – chega a 70%. Isso acontece porque não há remédio que possa combater a infecção. A única opção é controlar os sintomas.
“Não existe nem vacina, nem tratamento específico. O tratamento que a gente oferece é de suporte, isto é, hidratação e manutenção da pressão. Não existe nenhuma medicação específica”, explica a infectologista.
O que se sabe sobre o vírus mortal que fez região na Índia fechar escolas e escritórios
Surtos anteriores
O vírus Nipah foi inicialmente identificado em 1999 durante um surto que afetou criadores de suínos na Malásia. Desde então, não foram registrados novos surtos desse vírus no país.
Em 2001, o vírus foi identificado em Bangladesh, onde surtos quase anuais têm ocorrido desde então.
Em 2018, a Índia, e mais especificamente a cidade Calecute, relatou seu primeiro – e pior – surto de Nipah, quando 17 dos 18 casos confirmados morreram.
Em 2019, um caso foi relatado no distrito de Ernakulam e o paciente se recuperou. Mas em 2021, um menino de 12 anos na vila de Chathamangalam, infectado, morreu.
Especialistas dizem que, devido à perda de habitat, os animais estão vivendo em maior proximidade com os seres humanos, o que ajuda o vírus a saltar dos animais para os humanos.
De acordo com a OMS, outras regiões também podem estar em risco de infecção, uma vez que evidências do vírus foram encontradas em reservatórios naturais conhecidos, como a espécie de morcego Pteropus, e em várias outras espécies de morcegos em diversos países, incluindo Camboja, Gana, Indonésia, Madagascar, Filipinas e Tailândia.

você pode gostar

SAIBA QUEM SOMOS

Somos um dos maiores portais de noticias de toda nossa região, estamos focados em levar as melhores noticias até você, para que fique sempre atualizado com os acontecimentos do momento.

CONTATOS

noticias recentes

as mais lidas

Jornal de Minas © Todos direitos reservados à Tv Betim Ltda®