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Renault Boreal acumula prêmios, mas não decola em vendas; g1 testou | G1

por Gilberto Cruz
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Hoje é vendido nas versões Evolution por R$ 179.990, Techno de R$ 199.990 e Iconic por R$ 214.990. Entre janeiro e agosto de 2026, a Renault emplacou 7.633 unidades do Boreal.

Até o Jaecoo 7 da Omoda&Jaecoo conseguiu ultrapassar o Boreal com 11.769 unidades vendidas. Sendo que mais que 7 mil desses SUVs importados da China são da versão mais barata, Elite, que custa R$ 189 mil.

O g1 testou a versão Techno para descobrir os pontos positivos e negativos do Boreal. Será que o SUV é uma boa opção? Vale a pena aproveitar os descontos?

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Conforto anestesiado

O Renault Boreal utiliza a Renault Group Modular Platform, conhecida como RGMP. A arquitetura foi desenvolvida para ser utilizada em veículos de diferentes tamanhos e segmentos e permite trabalhar com diferentes configurações de carroceria e sistemas de propulsão.

No Boreal, a suspensão dianteira é do tipo McPherson e a traseira utiliza eixo de torção. A estrutura traseira permite a instalação de uma barra estabilizadora interna de 30 mm.

A direção elétrica também está integrada à lógica da plataforma. A assistência pode ser modificada de acordo com o modo de condução escolhido, ficando mais leve no Comfort e mais firme no Sport.

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Renault Boreal na versão Techno — Foto: Carlos Cereijo / g1

O Boreal tem uma personalidade que é comum a vários SUVs modernos. As marcas abandonaram a ideia de que esses veículos precisam transmitir robustez. Ao contrário, a ideia é um carro grande, alto, mas com comandos e sensação de conforto.

O resultado é uma direção elétrica anestesiada e que aposta na assistência variável para criar sensações. No modo esportivo, a firmeza extra é só uma lembrança de como deve ser um carro divertido de dirigir.

E a Renault sabe muito bem acertar a direção de um esportivo, mesmo sem custar os R$ 200 mil. O finado Sandero RS é um exemplo perfeito de esmero em acerto.

A suspensão foi calibrada, segundo a Renault, para combinar dirigibilidade e conforto. Esse trabalho foi finalizado pela equipe de engenharia da Renault Tecnologia Américas no Autódromo Oscar Cabalén, na Argentina.

O Boreal tem conjunto que precisa equilibrar o centro de massa mais alto e as rodas de 18 polegadas. O SUV chega a um resultado interessante para o dia a dia.

Cabine do Renault Boreal na versão Techno — Foto: Carlos Cereijo / g1

Tecnologia

A arquitetura eletrônica da RGMP foi preparada para receber diferentes sistemas e tecnologias de assistência ao motorista, além de soluções de segurança e gerenciamento de energia.

Outro recurso associado à arquitetura eletrônica é o Multi-Sense, que permite selecionar cinco modos de condução: Eco, Comfort, Sport, Personal e Smart. A seleção pode ser feita pela tela multimídia ou por um comando giratório no console central.

Os modos modificam diferentes características do veículo:

  • Resposta do pedal do acelerador;
  • Esforço da direção;
  • Informações exibidas no painel;
  • Iluminação interna.

No Smart, esses parâmetros são adaptados automaticamente por algoritmos que alternam entre as configurações Eco, Comfort e Sport.

Motor 1.3 turbo do Renault Boreal foi desenvolvido em parceria com a Daimler, dona da marca Mercedes-Benz — Foto: Carlos Cereijo / g1

Motor e câmbio

O Renault Boreal tem motor 1.3 turbo TCe flex e a transmissão automática de dupla embreagem de seis marchas banhada a óleo. Desenvolvido em parceria com a Daimler, o propulsor é produzido no Brasil, em São José dos Pinhais (PR).

O motor entrega 163 cv e 27,5 kgfm de torque. De acordo com dados do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV) do Inmetro, o Boreal registrou:

  • Gasolina: 11,2 km/l na cidade e 13,6 km/l na estrada.
  • Etanol: 7,8 km/l na cidade e 9,4 km/l na estrada.

A transmissão possui modos de condução Sport, Eco e My Sense, além de recursos eletrônicos integrados.

A função creeping permite que o carro inicie o movimento suavemente ao soltar o pedal do freio, facilitando manobras e rodagem em congestionamentos. No Boreal, isso ajuda em manobras em baixa velocidade, pois o câmbio não “salta” quando a embreagem acopla ao tentar, por exemplo, estacionar.

O veículo dispõe ainda de assistente de partida em rampas (HSA) e freio de estacionamento eletrônico inteligente, que gerencia a sincronização da posição P para evitar trancos.

Equipamentos

Por fora, a configuração Techno do Boreal tem rodas de 18 polegadas com desenho Mountain e acabamento preto. Também fazem parte da versão as barras longitudinais no teto, a antena do tipo shark e os faróis de neblina.

A cabine tem duas telas de 10 polegadas. O painel de instrumentos digital pode apresentar a reprodução do mapa de navegação, enquanto a tela central reúne as funções de entretenimento e conectividade.

Na Techno, a central utiliza os serviços do Google integrados ao sistema. Estão disponíveis Google Maps, Google Play e Google Assistant, além de mais de 100 aplicativos.

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Renault Boreal na versão Techno — Foto: Carlos Cereijo / g1

O Google Maps pode ser utilizado diretamente pela central, com informações de trânsito em tempo real e atualizações automáticas. Já o Google Assistant permite utilizar comandos de voz para funções como navegação, música e chamadas, e também para determinadas funções do veículo, como o ar-condicionado.

A Techno tem ainda ar-condicionado automático digital de duas zonas, com saídas de ar para os ocupantes traseiros. O console central é elevado e possui um compartimento refrigerado.

Há quatro portas USB-C, duas na dianteira e duas na traseira, além de carregador de celular por indução.

Os bancos dianteiros da versão têm ajustes elétricos e regulagem lombar para motorista e passageiro.

O porta-malas tem capacidade para 522 litros. Com os bancos traseiros rebatidos, o volume chega a 1.279 litros. A base do compartimento fica em uma posição que facilita o acesso à área de carga.

A iluminação ambiente é outro recurso da Techno. O sistema permite escolher entre 48 cores e pode trabalhar em conjunto com os modos de condução.

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Bancos dianteiros do Renault Boreal na versão Techno — Foto: Carlos Cereijo / g1

A vida a bordo do Boreal é boa. O volante com botões físicos e tamanho correto facilita a vida do motorista. Mesmo com telas grandes, os controles de ar-condicionado e modos de condução estão no painel e console, fáceis de acessar.

A manopla de câmbio singela e tímida comete o mesmo pecado de manoplas de carros como o Porsche 911. São menores e mais chatas de operar, e não liberam espaço no console central. Pelo menos tem bastante espaço no banco traseiro, o que é bom.

A cabine é bem construída e distancia o Boreal do primo, o Kwid. Talvez esteja aí um dos desafios do SUV. Prometer uma experiência premium numa marca conhecida pelo apelo racional dos carros populares.

Segurança

Nesta versão, o Boreal conta com seis airbags, sendo dois frontais, dois laterais e dois de cortina.

Entre os sistemas de assistência estão:

  • Controle de velocidade adaptativo;
  • Alerta de distância segura;
  • Alerta de permanência em faixa;
  • Alerta de ponto cego;
  • Frenagem automática de emergência (que funciona também em curvas);
  • Reconhecimento de placas de velocidade;
  • Limitador de velocidade.

A Techno também conta com alerta de saída segura dos ocupantes. O sistema utiliza os radares laterais traseiros para identificar a aproximação de veículos antes que uma porta seja aberta.

Outro recurso é o alerta de tráfego cruzado traseiro, que monitora a aproximação de veículos, motos ou bicicletas durante manobras de ré.

O conjunto inclui ainda sensores de estacionamento dianteiros, laterais e traseiros e câmera de ré.

A Techno também pode utilizar câmera 360 graus. O sistema reúne quatro câmeras para criar uma visão dos arredores do veículo e auxiliar nas manobras em espaços apertados.

O Boreal possui ainda assistente de estacionamento semiautônomo. Com o auxílio das câmeras e dos radares, o sistema pode assumir os movimentos necessários para realizar determinadas manobras de estacionamento.

Há também assistente de partida em rampa e sensor de fadiga, que monitora o comportamento do motorista e pode emitir alertas quando identifica sinais de cansaço ou desatenção.

Renault Boreal na versão Techno — Foto: Carlos Cereijo / g1

Bom produto

A conclusão é que o Boreal é um SUV com os predicados certos, mas que chega num momento de mercado em transição. O cliente brasileiro nessa faixa dos R$ 200 mil já espera que os carros sejam híbridos e com uma outra experiência a bordo.

Também pesa para a Renault o fato de que a marca francesa nunca conseguiu emplacar modelos caros no Brasil. Sempre performou bem com Sandero ou Duster, mas o SUV compacto era o teto de preço que o brasileiro, na maioria, estava disposto a pagar.

Se o cliente for mais tradicional e não quiser levar um híbrido, o Boreal pode ser uma alternativa. A dica seria aproveitar os descontos e se planejar para ficar mais tempo com o SUV. Isso ajudaria a evitar o derretimento do preço no mercado de seminovos num prazo de dois a três anos.

Renault Boreal Techno: R$ 199.990

  • Assentos: 5
  • Comprimento: 4,56 m
  • Largura: 1,84 m
  • Altura: 1,65 m
  • Entre-eixos: 2,70 m
  • Porta-malas: 522 litros (VDA)
  • Peso: 1.423 kg
  • Rodas: 18 polegadas
  • Pneus: 225/55 R18
  • Suspensão dianteira: Independente, do tipo McPherson
  • Suspensão traseira: Eixo de torção com barra estabilizadora, rodas semi-independentes
  • Freios dianteiros: Discos ventilados
  • Freios traseiros: Discos sólidos
  • Direção: Elétrica
  • Motor: Dianteiro, 1.3 turbo flex, quatro cilindros em linha, 16 válvulas e injeção direta
  • Combustível: flex
  • Potência: 163 cv com etanol e 156 cv com gasolina
  • Torque: 27,5 kgfm com etanol ou gasolina
  • Câmbio: Automático de dupla embreagem
  • Marchas: 6
  • Tração: Dianteira
  • 0 a 100 km/h: 9,5 segundos com etanol e 9,8 segundos com gasolina
  • Velocidade máxima: 180 km/h, limitada eletronicamente
  • Gasolina: 11,2 km/l na cidade e 13,6 km/l na estrada.
  • Etanol: 7,8 km/l na cidade e 9,4 km/l na estrada.
  • Tanque de combustível: 50 litros

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