O acordo abrange R$ 22,4 bilhões em débitos tributários de empresas do grupo. Desse total, R$ 16,7 bilhões são de responsabilidade econômica da Raízen, enquanto os outros R$ 5,7 bilhões ficarão sob responsabilidade final de seus acionistas controladores, conforme os instrumentos aplicáveis.
Na parcela atribuída à Raízen, os descontos reduzem o saldo de R$ 16,7 bilhões para R$ 8,2 bilhões. Para quitar esse valor, a empresa utilizará R$ 5,7 bilhões em créditos fiscais ligados a prejuízos acumulados e pagará os R$ 2,5 bilhões restantes à vista.
- 🔎 Os prejuízos fiscais são perdas registradas para fins tributários que, dentro das regras previstas em lei, podem ser usadas para abater valores devidos em impostos. Nesse caso, a Raízen usará esses créditos para quitar parte do saldo negociado, em vez de desembolsar todo o valor em dinheiro.

Agora no g1
O comunicado não detalha como será quitada a parcela de R$ 5,7 bilhões atribuída aos acionistas controladores. Esse montante não deve ser confundido com os R$ 5,7 bilhões em créditos fiscais que a própria Raízen utilizará para pagar parte de sua dívida tributária.
Acordo faz parte da reestruturação financeira da Raízen
A negociação tributária integra o processo de reorganização financeira da Raízen, que enfrenta dificuldades para administrar suas dívidas. Segundo a empresa, a conclusão do acordo com a União é uma das condições necessárias para implementar seu plano de reestruturação financeira.
Em março, a companhia pediu recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 65,1 bilhões em dívidas financeiras, além de obrigações entre empresas do próprio grupo.
Em julho, a Justiça de São Paulo homologou o plano, que prevê a renegociação de aproximadamente R$ 61,4 bilhões com bancos e investidores.
- 🔎 A recuperação extrajudicial é um mecanismo que permite a uma empresa negociar diretamente com seus credores condições para pagar suas dívidas, como prazos e formas de quitação. Quando o plano alcança o percentual mínimo de adesão exigido por lei e é homologado pela Justiça, suas condições passam a valer também para os credores abrangidos que não aderiram individualmente.
No caso da Raízen, o plano também prevê a possibilidade de converter parte das dívidas em participação na companhia, captar novos recursos por meio de um aumento de capital e vender ativos. O acordo tributário acrescenta uma frente de negociação com o poder público a esse processo.
👉 Enquanto a recuperação extrajudicial trata da renegociação de dívidas financeiras com credores, a transação tributária estabelece condições para quitar os débitos fiscais abrangidos pelo acordo com a União.
Dívida elevada e prejuízo pressionam as contas
A situação financeira da Raízen se deteriorou nos últimos anos em meio a uma combinação de investimentos elevados, condições climáticas adversas que prejudicaram as safras de cana-de-açúcar, oscilações nos preços do açúcar e juros altos, que aumentaram o custo das dívidas.
No fim de dezembro de 2025, a dívida líquida da companhia havia chegado a R$ 55,3 bilhões. No terceiro trimestre da safra 2025/26, encerrado no mesmo mês, a empresa registrou prejuízo de R$ 15,6 bilhões.
Desse resultado, R$ 11,1 bilhões decorreram de um ajuste contábil que reduziu o valor de parte dos ativos da companhia. Sem esse efeito, o prejuízo teria sido de aproximadamente R$ 4,5 bilhões.
