Diante do movimento, a B3 acionou o “circuit breaker”, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações em momentos de forte queda do mercado. A suspensão ocorreu logo no início do pregão e teve duração prevista de 30 minutos. (veja mais detalhes do dia no mercado)
Segundo a B3, a suspensão atingiu a compra e venda de ações de empresas, fundos de investimento negociados na bolsa (ETFs) e outros tipos de aplicações financeiras. A bolsa informou que as operações seriam retomadas por meio de um leilão entre 10h30 e 10h35.
Entenda como funciona o circuit breaker:
Painel da B3 – Bovespa — Foto: Nelson Almeida/ AFP
É um mecanismo utilizado pela bolsa para interromper temporariamente as negociações quando o mercado de ações registra quedas muito bruscas.
O objetivo é dar tempo para que os investidores reavaliem suas decisões e reduzir o risco de movimentos desordenados de compra e venda. Após a interrupção, os negócios são retomados.
Quando os negócios são interrompidos por 30 minutos?
Isso acontece quando o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, registra queda de 10% em relação ao fechamento do dia anterior.
Nesse caso, as negociações nos mercados abrangidos pelo mecanismo, como ações e derivativos, são suspensas por 30 minutos.
Quando a bolsa pode parar por 1 hora?
Se, após a primeira interrupção, o Ibovespa continuar caindo e atingir uma queda de 15% em relação ao fechamento do dia anterior, as negociações podem ser suspensas novamente, desta vez por uma hora.
A paralisação também atinge os mercados abrangidos pelo mecanismo.
As negociações podem ficar suspensas por mais tempo?
Sim. Se, após a interrupção de uma hora, o Ibovespa atingir uma queda de 20% em relação ao fechamento anterior, a bolsa poderá determinar uma nova suspensão das negociações.
Nesse caso, a duração da paralisação será definida pela própria bolsa, que deverá comunicar a decisão ao mercado.
Os negócios podem ser interrompidos no fim do pregão?
Não na última meia hora do pregão. Se o circuit breaker for acionado na penúltima meia hora, o horário de negociação poderá ser prorrogado em até 30 minutos, para garantir pelo menos meia hora de operações após a reabertura.
Quais foram as últimas vezes que o circuit breaker foi acionado?
O circuit breaker foi criado em 1997 e já foi acionado 23 vezes. Entre os principais momentos estão:
- 1997 – Crise asiática: o Ibovespa registrou queda de 10,19%;
- 1999 – Desvalorização do real: o Ibovespa caiu 10,29% no dia;
- 2008 – Crise do subprime nos Estados Unidos: houve seis interrupções em menos de um mês;
- 2020 – Pandemia de Covid-19: o circuit breaker foi acionado seis vezes em março.
O circuit breaker foi acionado pela última vez em março de 2020, durante dias de turbulência provocada pelo início da pandemia de Covid-19 e por fortes oscilações nos mercados internacionais.
Antes disso, o mecanismo havia sido acionado em 18 de maio de 2017, quando as negociações foram suspensas por 30 minutos após o Ibovespa cair mais de 10%, em meio às denúncias contra o então presidente Michel Temer, reveladas na véspera.
Em 2008, durante a crise financeira internacional, o circuit breaker também foi acionado diversas vezes. Em 22 de outubro, a bolsa fechou com queda de 10,18%. Naquele mês, as negociações foram interrompidas quatro vezes por 30 minutos e uma vez por uma hora.
Os mercados internacionais enfrentavam forte turbulência diante da quebra de instituições financeiras nos Estados Unidos, da necessidade de socorro bilionário aos bancos e das preocupações com a situação do sistema bancário europeu.
Em 11 de setembro de 2001, após os ataques às Torres Gêmeas, em Nova York, as negociações também foram interrompidas na Bovespa, mas sem o acionamento do circuit breaker. Naquele dia, o índice recuou 9,17% em pouco mais de uma hora.
A bolsa decidiu encerrar as operações, acompanhando o movimento de outros mercados internacionais. As negociações só foram retomadas no dia seguinte.
Em janeiro de 1999, o circuit breaker também foi acionado na bolsa brasileira. Em 14 de janeiro, um dia antes da adoção do câmbio flutuante no país, as negociações foram suspensas por meia hora, e o índice recuou 9,33%. Investidores temiam os efeitos da mudança na política cambial brasileira.
Em 1998, ano da crise financeira russa, o mecanismo foi acionado cinco vezes. Em 10 de setembro, as negociações foram interrompidas por uma hora, e a bolsa encerrou o dia com queda de 15,82%.
O circuit breaker foi acionado pela primeira vez no Brasil em 28 de outubro de 1997, um dia após a Bovespa registrar queda superior a 14% em meio à crise financeira asiática. O mecanismo voltou a ser utilizado outras duas vezes naquele ano.
