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Por que quase metade dos brasileiros dizem que a economia piorou? | G1

por Redação
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Para economistas ouvidos pelo g1, o aumento da taxa de juros — com a consequente desaceleração da economia e alta da inadimplência — foi determinante para reduzir o efeito positivo dos demais aspectos da economia.

“Isso quer dizer o seguinte: o sujeito até está ganhando mais, o salário está indo bem, só que, dado o nível de endividamento das famílias, o dinheiro não rende”, diz o economista André Perfeito.

“Para as empresas é a mesma coisa: estamos vendo boa parte do lucro empresarial sendo drenado para pagamento de juros, o que faz com que o sentimento empresarial não fique bom.”

Para a economista Zeina Latif, os efeitos dos juros altos ainda aparecem na economia, com perda de ritmo em dados ligados ao consumo das famílias.

“Não tem alívios. A classe média sente condições que não são ruins, mas também não há coisas positivas em curso. Mesmo no mercado de trabalho, é nítida a mudança de tendência na geração de vagas.”

“A inflação, principalmente a dos alimentos, tem efeito desigual. Quando vai bem, a confiança não melhora tanto. Em compensação, quando a inflação sobe, a confiança ou a aprovação no governo cai mais.”

Veja os resultados da pesquisa

A Quaest perguntou sobre a percepção dos entrevistados sobre a economia nos últimos 12 meses. As respostas foram:

  • Piorou: 43% (eram 43% em janeiro);
  • Melhorou: 24% (eram 24%);
  • Ficou do mesmo jeito: 30% (eram 29%);
  • Não souberam/Não responderam: % (eram 4%).

Quaest: percepção sobre a situação da economia nos últimos 12 meses — Foto: Kayan Albertin/Arte g1

Sobre a expectativa para os próximos 12 meses, os entrevistados disseram que a economia deve:

  • Melhorar: 43% (eram 48% em janeiro);
  • Piorar: 29% (eram 28%);
  • Ficar do mesmo jeito: 24% (eram 21%);
  • Não sabem/não responderam: 4% (eram 3%)

Quaest: expectativa para os próximos 12 meses na economia — Foto: Gabs/Arte g1

O levantamento foi encomendado pela Genial Investimentos e ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 5 e 9 de fevereiro. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.

Preço dos alimentos subiu para 56% dos entrevistados

A pesquisa Quaest também quis saber a percepção dos entrevistados sobre o preço dos alimentos nos supermercados e nas feiras onde as pessoas costumam fazer suas compras. Para 56%, os valores estão mais altos. Outros 18%% avaliam que estão mais baixos e 24% disseram que os preços ficaram iguais.

Considerando a margem de erro da pesquisa, não houve mudança na percepção dos entrevistados em relação à pesquisa de janeiro.

No último mês, o preço dos alimentos:

  • Subiram: 56% (eram 58% em janeiro)
  • Ficaram iguais: 24% (eram 24%)
  • Caíram: 18% (eram 16%)
  • Não sabem/não responderam: 2% (era 2%)

Segundo dados divulgados nesta terça-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mostra que os preços subiram 0,33% em janeiro. Essa é considerada a inflação oficial do país.

O resultado veio levemente acima das projeções dos economistas, que esperavam alta de 0,32% em janeiro. A inflação acumulada nos últimos 12 meses chegou a 4,44%, um pouco acima das previsões que eram de 4,43%.

Para 43% dos brasileiros a situação da economia piorou nos últimos 12 meses; 24% dizem que melhorou — Foto: VCA CONSTRUTORA

A pesquisa também mensurou a percepção das pessoas sobre o poder de compra em relação a um ano atrás. 15% responderam que, com o recebem hoje, estão comprando mais; 61% que estão comprando menos e 23% estão comprando a mesma coisa. Os percentuais são parecidos com os da pesquisa de janeiro.

Com o dinheiro que recebe hoje, você consegue comprar:

Mais: 15% (eram 18% em janeiro)
Menos:
61% (eram 61%)
O mesmo tanto:
23% (eram 18%)
Não sabem/não responderam: 1% (eram 2%)

Com relação ao preço dos alimentos no último mês, 56%% disseram que subiu e 18% que caiu. Outros 24% avaliam que o preço não mudou.

49% avalia que está mais difícil conseguir emprego

Os entrevistados foram questionados ainda se está mais fácil ou mais difícil conseguir um emprego no último ano. Para 49% está mais difícil, mas para 39% está mais fácil. Outros 5% responderam que está igual.

Pelo que você ouve falar, está mais fácil ou mais difícil conseguir um emprego nos últimos 12 meses?

  • Mais difícil: 49%
  • Mais fácil: 39%
  • Igual: 5%
  • Não sabem/não responderam: 7%

Na comparação com 2019, ano anterior à pandemia de Covid-19, a queda foi ainda mais expressiva, de 6,2 pontos percentuais. Já em relação a 2012, quando a taxa era de 7,4%, o recuo foi de 1,8 ponto percentual.

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