Especialista fala sobre protocolo de exercícios que ajudam no combate ao câncer de mama
Na semana passada, acompanhei diversas sessões do 13º. Congresso de Geriatria e Gerontologia do Rio de Janeiro (GeriatRio 2026) – e tenho muito para contar! A primeira palestra foi sobre a importância do exercício para a pessoa com câncer, dada por Daniel Galvão, professor da Universidade Edith Cowan, em Perth (Austrália), e diretor do Instituto de Pesquisa em Medicina do Exercício da instituição. “Ele melhora a capacidade funcional do paciente para atravessar o tratamento. Antes de uma cirurgia, deixa o indivíduo mais apto, o que pode resultar num tempo menor de hospitalização. Além disso, reduz a toxicidade do tratamento e será parte fundamental da reabilitação. Atualmente, as chances de sobrevida aumentaram muito, mas nem sempre essa sobrevida é de boa qualidade. É onde o treino físico é capaz de fazer uma enorme diferença”, afirmou, acrescentando que a prescrição sempre deve ser individualizada.
Daniel Galvão, professor da Universidade Edith Cowan, em Perth (Austrália) e diretor do Instituto de Pesquisa em Medicina do Exercício da instituição
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Galvão citou, como exemplo, o tratamento do câncer de próstata, que inclui a supressão da testosterona – clinicamente chamada de Terapia de Privação Androgênica. Uma das principais estratégias contra o tumor, ela provoca uma mudança na composição corporal: há redução de massa muscular e ganho de gordura, dois fatores que afetam a funcionalidade e aceleram o envelhecimento.
“O exercício é a melhor maneira para proteger a massa muscular, a integridade óssea e a função cardiorrespiratória. Tem que ser visto como uma intervenção terapêutica. Há um outro componente nessa equação: a melhora na percepção de vitalidade, qualidade de vida e saúde dos pacientes. Diminui a fadiga, um dos efeitos colaterais sofridos por quem está em tratamento, e auxilia nos quadros de ansiedade, depressão e estresse”, explicou.
Até 2010, era simplesmente contraindicado exercitar-se após um diagnóstico de câncer. Um significativo volume de pesquisas – a Austrália é pioneira nesse campo – mostrou a relevância do treino e mudou o jogo a partir de 2019. No entanto, o professor reconhece que os sistemas de cuidado oncológico ainda não estão preparados para oferecer um suporte sistemático ao exercício.
Suplementos: padrão alimentar vale mais do que uma cápsula
Já escrevi algumas vezes sobre o assunto, mas vale voltar ao tema, principalmente depois de assistir às apresentações de dois professores da UFRJ, ambos com especialização em oncologia: o hepatologista João Marcello de Araújo Neto e a nutricionista Wilza Peres. “Um levantamento de 2020 mostrava que, em 59% dos lares, havia pelo menos uma pessoa consumindo suplementos. Entre os idosos, dados sugerem que o consumo chega ao dobro da média da população”, disse Araújo Neto, lembrando que, somente em 2025, o mercado de suplementos movimentou cerca de R$ 7,6 bilhões no país. Ele apontou riscos do seu uso indiscriminado:
Vitamina A: em dose moderada pode reduzir a densidade óssea e, em dose alta, leva à toxicidade hepática.
Vitamina D: em dose alta, pode causar hipercalcemia (concentração de cálcio no sangue acima dos valores de referência normais) e cálculo renal. O risco se faz presente com doses a partir de 1.000 UI por dia.
Vitamina B6: doses acima de 35 mg por dia estão associadas a mais fraturas de quadril.
Vitamina C: possível associação com nefrolitíase (pedras nos rins) em homens.
Sobre os esteroides anabolizantes, foi especialmente enfático: elevam a pressão arterial e os níveis do LDL (o colesterol ruim), aumentando o risco cardíaco, diminuem o nível de testosterona e acarretam danos ao fígado.
Peres alertou para a vulnerabilidade das pessoas mais velhas, que acreditam que os suplementos vão garantir uma longevidade saudável. “A pergunta que deve ser feita é: que problema este suplemento vai tratar ou prevenir, e qual é a evidência de que funcione? Se não houver resposta, não há indicação”, afirmou. Esse é o problema dos multivitamínicos, que só fazem sentido em pessoas com dieta muito restrita, insegurança alimentar ou dificuldade de mastigação.
“Suplementar não é uma intervenção biologicamente neutra. O padrão alimentar vale mais do que uma cápsula. Alimentos entregam nutrientes dentro de uma matriz complexa. A dieta mediterrânea, por exemplo, diminui o risco de fragilidade em 56%”, complementou a nutricionista.
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