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Plano de investimento de filme sobre Bolsonaro previa cotas de 1 milhão de dólares e ‘oportunidade de imigração’

por Gilberto Cruz
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O plano de investimento do filme “Dark Horse” sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro previa uma oferta de cotas que variavam de US$ 500 mil a US$ 1,1 milhão e tinha como chamativo a promessa incomum no mercado de cinema de uma “oportunidade de imigração” nos Estados Unidos.
As informações foram reveladas pelo Intercept Brasil nesta sexta-feira (15). A TV Globo confirmou as informações.
Segundo o site, o plano oferecia um “atalho” para que investidores comprassem o direito a visto de residência permanente nos Estados Unidos.
Essa promessa, no entanto, constava apenas para aqueles que comprassem o pacote mais caro, de US$ 1,1 milhão de dólares (cerca de R$ 5.5 milhões na cotação atual).
Eduardo Bolsonaro assinou contrato como produtor-executivo do filme ‘Dark Horse’, diz site
Estratégia de venda
Para atrair investidores, o orçamento do filme foi dividido em pacotes de investimento que ofertavam 40 cotas de US$ 500 mil — um total de US$ 20 milhões (mais de R$ 100 milhões na cotação atual).
Além disso, previa a venda de cinco cotas de US$ 1 milhão cada (cerca de R$ 5 milhões na cotação atual). O investidor que comprasse esse pacote teria direito a uma cadeira no conselho do filme, podendo dar opiniões sobre a produção.
Segundo o Intercept, quem investisse no filme teria como retorno o dinheiro alocado mais 20% sobre o valor investido. Após quitar os pagamentos, o lucro restante seria dividido meio a meio entre investidores e produtores.
O plano de investimento projetava três cenários para a receita global do filme:
US$ 45 milhões (cerca de R$ 227 milhões na cotação atual)
US$ 70 milhões (cerca de R$ 350 milhões na cotação atual)
US$ 100 milhões de dólares (cerca de R$ 500 milhões na cotação atual)
Eduardo Bolsonaro como produtor-executivo
O deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) trabalhou como produtor-executivo do filme sobre a história do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e tinha entre suas atribuições ajudar na captação de recursos para o projeto.
A função consta em contrato a que o Intercept Brasil teve acesso. A TV Globo confirmou as informações.
Jim Caviezel no pôster de ‘Dark Horse’
Reprodução/Instagram/therealjimcaviezel
Na quarta-feira (13), o site revelou que o banqueiro Daniel Vorcaro ajudou a financiar “Dark Horse” e que as negociações envolveram contatos diretos com o filho mais velho do ex-presidente, o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
🔎 Vorcaro, dono do Banco Master, está preso em Brasília, acusado de chefiar um esquema bilionário de fraudes financeiras bilionárias, segundo a Polícia Federal.
A publicação exibiu áudio em que Flávio pede dinheiro e pressiona Vorcaro pelos pagamentos. De acordo com a reportagem, o banqueiro chegou a pagar R$ 61 milhões. A TV Globo também confirmou essas informações.
Investigação sobre uso do dinheiro
A Polícia Federal investiga se recursos que Daniel Vorcaro repassou para bancar o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro, foram usados para financiar despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Segundo publicou o blog da Andreia Sadi, uma das linhas de investigação busca esclarecer se o dinheiro teria sido destinado oficialmente à produção do filme ou se esse recurso serviu apenas como justificativa para a transferência dos valores para financiar despesas de Eduardo nos Estados Unidos.
O deputado cassado mora nos Estados Unidos desde fevereiro do ano passado, e não retornou ao Brasil desde então.
Na quinta-feira (14), Eduardo disse, em uma publicação na internet, que o status migratório dele nos Estados Unidos o impediria de receber dinheiro de fundo de investimento ligado a Vorcaro.
Contrato traz definições sobre funções
Segundo o Intercept, o contrato de produção do filme foi assinado digitalmente por Eduardo em 30 de janeiro de 2024. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro aparece ao lado do deputado federal Mário Frias, também do PL de São Paulo, como produtor-executivo do filme.
Além disso, o documento traz a empresa GoUp Entertainment, que tem sede nos Estados Unidos, como produtora.
Ainda de acordo com o contrato, cujos trechos foram publicados pelo site e confirmados pela TV Globo, a produtora e os produtores-executivos deveriam se dedicar à captação de recursos para o projeto.
As atividades incluíam o “envolvimento nas considerações estratégicas relacionadas ao financiamento do filme e preparação de informações e documentação para investidores e assistência na identificação de recursos de financiamento de filmes, incluindo créditos e incentivos fiscais, colocação de produtos e patrocínio”.

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