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Novo ‘morango do amor’? Entenda por que bolo-pudim virou febre em 2026 | G1

por Gilberto Cruz
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A sobremesa, que combina duas receitas clássicas da confeitaria brasileira, se espalhou rapidamente por vídeos nas redes sociais, impulsionou vendas e virou aposta de pequenos empreendedores em diferentes regiões do país.

Por volta das 7h, já havia fila de clientes à espera do doce, vendido a R$ 25 a unidade. Algumas pessoas chegaram a aguardar até duas horas. Antes mesmo do fim da feira, por volta das 11h, todas as fatias já haviam se esgotado.

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Para dar conta da demanda, as massas são preparadas às quartas‑feiras e a montagem acontece às sextas. Ao todo, são produzidos 20 bolos, com média de 30 fatias cada. A equipe reúne oito pessoas, incluindo familiares.

O preparo e o corte do doce chamaram tanta atenção nas redes sociais que os vídeos publicados ultrapassaram 18 milhões de visualizações. Hoje, o perfil da confeiteira soma mais de 20 mil seguidores.

Carro-chefe de confeiteira é bolo de pudim em Rio Preto (SP) — Foto: Lisa Cake Design/Arquivo pessoa

Mas o que explica tamanho sucesso? 🤔

Especialistas ouvidos pelo g1 avaliam que o bolo‑pudim reúne dois fatores centrais do consumo contemporâneo: memória afetiva e forte apelo visual, potencializados pela lógica das redes sociais, que aceleram a transformação de tendências gastronômicas em fenômenos quase instantâneos.

Segundo Bruno Sola, especialista em marketing e CEO da agência Bunch Marketing & Growth, produtos com forte apelo visual, afetivo e sensorial encontram terreno fértil em plataformas como TikTok e Instagram.

“Vídeos curtos e imagens impactantes despertam desejo imediato. A curiosidade gerada no ambiente digital rapidamente se converte em demanda no mundo real”, analisa.

De acordo com ele, o sucesso dessas tendências vai além da estética. “Produtos que combinam nostalgia, curiosidade, indulgência e experiência sensorial acionam gatilhos emocionais que geram mais compartilhamentos, comentários e conteúdos espontâneos. Isso cria um efeito de validação social que impulsiona ainda mais a procura”, explica.

Para empreendedores menores, esse movimento representa uma oportunidade estratégica de crescimento orgânico. “Pequenos negócios conseguem testar sabores, formatos, embalagens e apresentações em tempo real, surfando tendências antes que elas se desgastem”, afirma Sola.

Ele destaca ainda a habilidade do empreendedor brasileiro nesse cenário: “Existe uma capacidade muito intuitiva de entender a lógica dos algoritmos e produzir conteúdos alinhados ao que tem maior potencial de recomendação e engajamento”.

O bolo‑pudim segue a mesma lógica de outros fenômenos recentes, como o “morango do amor” e a paleta mexicana. “A curiosidade gerada no ambiente digital se transforma rapidamente em vendas”, resume o especialista.

O caso do “morango do amor”, que viralizou massivamente no Brasil em julho de 2025, ilustra esse efeito. As buscas pelo doce cresceram 1.333% em apenas uma semana no Google, atingindo pico nacional em 24 de julho daquele ano, enquanto os pedidos no iFood aumentaram mais de 2.300% no mesmo período.

O crescimento foi tão intenso que chegou a impactar a cadeia de suprimentos, elevando o preço do morango em algumas regiões de São Paulo. A expectativa do setor é que o bolo‑pudim siga trajetória semelhante, impulsionado pela mesma dinâmica de viralização e compartilhamento.

Fotos mostram confeiteira que criou a torta pudim, Maria Tereza dos Santos, segurando bandeja com o doce que causou euforia na Feira Hippie de BH — Foto: Divulgação

Para Karine Karam, professora de comportamento do consumidor da ESPM e sócia da consultoria Markka Pesquisas, o sucesso da sobremesa está na combinação entre familiaridade e novidade.

Sobremesas que unem dois clássicos fazem muito sucesso porque ativam, ao mesmo tempo, conforto e curiosidade. O consumidor conhece o bolo e o pudim, mas quando esses dois universos se encontram, surge uma experiência nova sem romper com o que já é familiar.

— Karine Karam, professora de comportamento do consumidor do curso de Comunicação e Publicidade da ESPM e sócia da Markka Pesquisas.

Ela ressalta o forte componente emocional envolvido. “Tanto o bolo quanto o pudim fazem parte da memória afetiva do brasileiro. Estão associados à infância, à casa da avó, a encontros familiares. Quando aparecem juntos, há uma potencialização dessa nostalgia”, diz.

Em um cenário de excesso de estímulos e ansiedade cotidiana, segundo a pesquisadora, doces indulgentes acabam funcionando como uma forma de conforto emocional. O apelo visual também é decisivo para a viralização.

“O bolo‑pudim é extremamente ‘instagramável’: as camadas bem definidas, a calda escorrendo, o contraste de texturas e o momento do corte geram forte estímulo visual. Hoje, muitos alimentos são consumidos primeiro pelos olhos e pela câmera do celular”, observa.

Na avaliação de Karine Karam, o doce vai além de uma moda passageira. “O bolo‑pudim faz parte de uma tendência maior da confeitaria contemporânea, que valoriza produtos híbridos, exagerados e altamente sensoriais. O alimento deixa de ser apenas comida e vira experiência, entretenimento e conteúdo”, conclui.

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