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Novo ministro diz que PL dos apps só será analisado após as eleições e cita necessidade de aproximação do governo com Congresso

por Gilberto Cruz
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O novo ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), José Guimarães (PT), afirmou nesta quinta-feira (16) que a análise do projeto que trata da regulamentação dos aplicativos de transporte e entrega só deve ocorrer após as eleições de outubro, diante da falta de consenso entre os setores envolvidos.
O responsável pela articulação política do governo Lula com o Congresso recebeu jornalistas para um café da manhã no Planalto nesta quinta, ocasião em que falou sobre as prioridades do Executivo neste ano e a necessidade de aproximação com o Legislativo.
” O PL dos aplicativos não votamos porque não tinha acordo sobre nada, plataforma não concorda, entregadores também não, como votar? E a oposição esperando um vacilo pra dizer que o PT estava prejudicando os trabalhadores. Não pode, não teve consenso”, declarou Guimarães.
Ainda segundo Guimarães, os ministros Luiz Marinho e Guilherme Boulos fizeram um “esforço” nas negociações, mas o texto final não conseguiu unificar as partes envolvidas. Por isso, governo passou a defender o adiamento da votação no Congresso para um momento mais oportuno.
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“Acertei com o relator. É minha posição, e é a do governo. Mas, às vezes, a vida se encarrega de resolver. Não adianta fazer beicinho e nem bico, problemas são reais, o Congresso é plural, o governo não tem maioria, é só com diálogo pra ter vitórias necessárias”, afirmou Guimarães aos jornalistas.
O ministro também comparou o PL dos aplicativos à chamada “taxa das blusinhas”. Segundo ele, o debate, da forma que foi conduzido, acabou concentrando no governo o desgaste político da medida.
“Iria para nosso colo como veio a taxa das blusinhas. A SRI não é mérito de matéria é relação com o Congresso. Os aplicativos, entrei de última hora, estavam os ministros Marinho e Boulos, Lula disse pra eu tirar da pauta e eu corri”, contou Guimarães.
Relação com Alcolumbre
José Guimarães frisou que é preciso manter uma boa relação com o Congresso para viabilizar a aprovação de pautas consideradas prioritárias pelo governo.
O ministro reconheceu a necessidade de estreitar a interlocução com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para destravar propostas paradas na Casa. Segundo ele, o diálogo já foi iniciado e “cumprir combinado é o mais barato do ponto de vista político”.
“Aprofundar o diálogo, as matérias ficaram interditadas no Senado. A PEC da Segurança foi em comum acordo, tem que ser votada no Senado. Não podemos obrigar o Senado a votar, e o diálogo com Alcolumbre é o que vai resolver isso”, declarou.
Cenário eleitoral de 2026
José Guimarães também comentou o cenário eleitoral para 2026 e afirmou que o governo não demonstra preocupação com pesquisas que apontam o senador Flávio Bolsonaro à frente do presidente Lula.
“Vamos desidratar nosso opositor, não tem mérito pra ser presidente em um momento como esse” declarou.
Segundo o ministro, o PT conta com alianças consolidadas e palanques competitivos nos principais colégios eleitorais do país, como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Ao tratar de Minas Gerais, Guimarães disse que uma eventual candidatura do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) fortaleceria o campo governista no estado e avaliou que o impasse pode ser resolvido em breve.
“Minas Gerias falta o Pacheco falar que é candidato, quando ele falar, o palanque está montado, ele está falando com Lula, acho que vai se resolver nos próximos dias. É um palanque consistente se Pacheco for nosso candidato, por tudo o que ele representa”, disse.
Ao falar sobre as eleições, o ministro também comentou a decisão de deixar o mandato e não disputar o pleito deste ano no Ceará.
“Minha contribuição estava encerrada na Câmara, queria ir para o Senado pra ajudar. Não deixaram, a realidade política lá, virei a chave, me dizem que vou ficar sem mandato, é a vida, atendi ao apelo do presidente. Foram muitos doídos os bastidores disso tudo, pra mim, pessoalmente”, afirmou.
Guerra
Guimarães afirmou que o governo tomou medidas “corajosas” em relação aos combustíveis e que a equipe econômica deve anunciar novas ações “em breve” para tentar conter a inflação provocada pela guerra.
Endividamento das famílias, juros e bets
Para o novo ministro, um dos principais fatores que contribuíram para o aumento do endividamento das famílias brasileiras é a manutenção da taxa de juros em patamar elevado, além do avanço dos jogos de apostas on-line.
Segundo José Guimarães, o tema deverá ser debatido por Lula no retorno da viagem oficial.
“O Banco Central já perdeu a oportunidade de abaixar a taxa de juros. Estamos em um longo período, de controle absoluto da inflação. E a inflação só caiu, tudo dentro da meta, e o BC insistiu em manter a taxa de juros. O endividamento das famílias é também por alta taxa de juro, não pode dar com uma mão e tirar com a outra”, avaliou.
Fim da escala 6×1
José Guimarães também disse que o governo aceita negociar uma regra de transição para a redução da jornada de trabalho no país, mas disse ser contrário a redução de tributos para empresas.
“A transição eu acho que é possível discutir. Mas isso quem vai dizer é o Congresso. Eu acho que não tem que ter mais desoneração, pelo contrário, o país não suporta isso. Eu fui o autor da lei que acabou com os tais incentivos, viu? Não tem país que sobreviva economicamente o governo renunciando a quase um trilhão de reais”, disse.
Representantes do setor produtivo consideram que a redução da jornada de trabalho implica aumento de custos para o empregador, com prejuízos à competitividade das empresas e impactos sobre a geração de novas vagas.
Na avaliação de economistas, o debate no governo federal e no Congresso Nacional precisa ser acompanhado de discussões sobre ganhos de produtividade que, segundo eles, virão principalmente com o aumento da qualificação dos trabalhadores, inovação e investimentos em melhorias em infraestrutura e logística.
🔎Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que uma redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, por exemplo, pode elevar entre R$ 178,2 bilhões e R$ 267,2 bilhões por ano os custos com empregados formais na economia. Isso equivale a um acréscimo de até 7% na folha de pagamentos, diz a entidade.
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o novo ministro da articulação política, José Guimarães
Reprodução

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