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Mercado bilionário, fama nas redes e riscos à saúde: os bastidores do universo do fisiculturismo

por Gilberto Cruz
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Fantástico mergulha no universo do fisiculturismo, que exige disciplina extrema
A febre do fisiculturismo foi tema de uma reportagem especial do Fantástico, que revelou os bastidores de um universo marcado por disciplina extrema, um mercado bilionário e riscos à saúde.
O programa acompanhou atletas que enfrentam anos de sacrifícios na busca por um corpo superforte e esculpido. Especialistas também alertaram para os limites do corpo humano e para os perigos do uso inadequado de substâncias voltadas ao ganho muscular — prática que se espalha em um dos segmentos que mais crescem no mercado fitness.
O assunto vem ganhando maior repercussão após a morte recente do fisiculturista Gabriel Ganley, de 22 anos, encontrado morto no último sábado (23), na Zona Leste de São Paulo. O atestado de óbito apontou cardiomiopatia hipertrófica, que é uma doença cardíaca que pode ser agravada pelo uso de anabolizantes. Ganley revelou, em julho de 2025, que havia começado a usar substâncias .
Fantástico mergulha no universo do fisiculturismo, que exige disciplina extrema
Reprodução/TV Globo
Febre nas redes e mercado bilionário
Nos últimos anos, o fisiculturismo deixou de ser um nicho restrito às academias e ganhou espaço nas redes sociais, atraindo milhares de jovens. Influenciadores fitness passaram a acumular milhões de seguidores ao compartilhar rotinas de treino, dietas rigorosas e transformações físicas impressionantes. Alguns deles se tornaram celebridades nacionais.
O maior símbolo dessa explosão no Brasil é Ramon Dino, o “Dinossauro do Acre”. O atleta, de 30 anos, se tornou o primeiro homem brasileiro a vencer a principal competição do fisiculturismo mundial.
Ao Fantástico, Dino contou que começou a treinar em praças públicas de Rio Branco usando apenas o peso do próprio corpo. Sem dinheiro para comprar carne, chegou a consumir 30 ovos por dia para manter a dieta. Durante a pandemia, vídeos dos treinos viralizaram nas redes sociais e mudaram completamente sua vida.
“E isso chamou muito a atenção do pessoal. ‘Se o cara fez o que ele fez com um pouquinho, imagina investindo nele?'”, conta.
Atualmente, Ramon soma milhões de seguidores e figura entre os principais nomes do fisiculturismo mundial. A ascensão dele coincidiu com o boom do esporte no Brasil — impulsionado principalmente pelas redes sociais.
O crescimento da modalidade também movimentou um mercado gigantesco. Segundo Tamer El Guindy, um dos maiores promotores de eventos fitness do mundo, o setor movimenta entre R$ 2 bilhões e R$ 3 bilhões por ano no país. O Brasil já é considerado o segundo maior mercado de fisiculturismo do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.
A profissionalização trouxe grandes eventos, patrocínios, marcas de suplementos, roupas fitness, academias especializadas e uma legião de fãs que acompanham cada detalhe da rotina dos atletas.
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Reprodução/TV Globo
Sacrifícios extremos
Mas por trás dos músculos e da fama existe uma realidade marcada por sacrifícios extremos.
Fisiculturistas chegam a consumir até 8 mil calorias por dia durante determinadas fases da preparação. Em períodos pré-competição, passam semanas em dietas extremamente restritivas para reduzir ao máximo o percentual de gordura corporal. Alguns atletas sobem ao palco com apenas 2% ou 3% de gordura.
Além da alimentação rigorosa, há protocolos intensos de treino, privação social, controle absoluto da rotina e processos severos de desidratação antes das competições para deixar os músculos mais aparentes.
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Reprodução/TV Globo
Uso de anabolizantes e os riscos à saúde
Outro ponto central — e mais controverso — do fisiculturismo envolve o uso de hormônios e anabolizantes.
Embora o uso dessas substâncias seja comum no fisiculturismo profissional, especialistas alertam que não existe dose segura para fins estéticos.
“A testosterona funciona como um tratamento, que é a terapia de reposição hormonal. Fora dessa situação clínica, o uso da mesma, sim, é considerado um uso errado, de um esteroide anabolizante — que a gente vai chamar aqui, leigamente, de bomba”, destaca endócrino, Ricardo Oliveira.
Médicos ouvidos pela reportagem afirmam que os efeitos colaterais vão desde acne e queda de cabelo até problemas cardiovasculares graves, como infarto, AVC e insuficiência cardíaca. Ainda segundo os especialistas, uso inadequado de testosterona e outros esteroides pode provocar atrofia testicular.
Há ainda os riscos dos anabolizantes para o coração, conforme descreve o cardiologista Alexandre Carvalho.
“O anabolizante faz crescer o músculo, só que ele não é tão seletivo a ponto de excluir o coração. Então ele vai no órgão, no músculo cardíaco e aumenta de uma maneira até disforme o coração. E a contração muscular é tão vigorosa que ela perde a potência ao longo do tempo.”
Questionado, Ramon diz que reconhece os riscos desse estilo de vida que assumiu:
“Sim. Assumi. Já tem que entrar nele sabendo que corre esse risco. E para as pessoas que estão iniciando, para os jovens, a gente já deixa a dica aqui: não faça isso se você não for um atleta. Se você não tiver um acompanhamento também, não faça isso. É uma coisa muito séria e mexe um pouco com a sua saúde”, enfatiza.
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Reprodução/TV Globo
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