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Lula viaja aos EUA para encontrar Trump; Brasil quer debater combate ao crime organizado

por Gilberto Cruz
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Lula embarca na quarta-feira (6) para encontrar Trump nos EUA
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) embarca nesta quarta-feira (6) para os Estados Unidos (EUA) para encontrar o presidente estadunidense, Donald Trump. A previsão é que o encontro aconteça na Casa Branca, em Washington, na quinta-feira (7).
O encontro é visto por fontes da diplomacia brasileira como um passo para normalizar as relações comerciais entre os dois países, após um período de incertezas e tarifas de importação.
Além da economia, devem compor a mesa de discussões os seguintes temas (clique no assunto para mais detalhes):
ataque ao PIX;
cooperação contra crime organizado e narcotráfico;
parcerias em minerais críticos e terras raras;
geopolítica na América Latina, Oriente Médio e ONU; e
eleições no Brasil.
A viagem a Washington é fruto de um processo de aproximação que ganhou tração em 26 de janeiro de 2026, quando Lula e Trump conversaram por telefone por cerca de 50 minutos.
Após o telefonema, Lula disse que queria ir a Washington em março para ter um encontro “olho no olho” com Trump, mas a guerra no Oriente Médio atrasou a definição da agenda.
De janeiro para cá, a relação já marcada por divergências entre Lula e Trump ganhou novos elementos de tensão no cenário internacional.
A guerra no Oriente Médio, episódios diplomáticos como o cancelamento do visto do assessor Darren Beattie e ruídos envolvendo a prisão e posterior soltura do deputado Alexandre Ramagem contribuíram para tornar o ambiente mais complexo, adicionando desafios à interlocução entre os dois governos.
Enquanto a reunião era negociada nos últimos meses, um auxiliar do presidente Lula explicava que a reunião entre Lula e Trump poderia ser “mais um ponto de partida do que um ponto de chegada” em termos de acordos.
Lula e Trump, durante o 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático – ASEAN em Kuala Lampur, Malásia.
Ricardo Stuckert/Presidência da República
Ataque ao PIX
No mês passado, representantes dos presidentes Lula e Trump se reuniram em Washington, nos Estados Unidos, para discutir uma investigação aberta pelos norte-americanos contra o Brasil com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 dos Estados Unidos.
🔎A Seção 301 é um procedimento administrativo conduzido exclusivamente pelos Estados Unidos, sem caráter judicial ou semelhança com os painéis da Organização Mundial do Comércio (OMC).
A investigação foi anunciada sob a alegação de que o país adota práticas econômicas desleais relacionadas ao PIX e ao etanol, por exemplo. Os EUA também alegam que o Brasil adota “há décadas” uma série de medidas para restringir o acesso de exportadores americanos ao mercado brasileiro.
Lula tem repetido que “ninguém” vai fazer o Brasil fazer mudanças no PIX. Fontes da diplomacia brasileira afirmam que, apesar de declarações públicas de autoridades americanas contra o Brasil, a ordem é negociar a questão comercial e chegar a um consenso.
Combate ao crime organizado e narcotráfico
O tema foi levantado por Lula numa ligação com Trump em dezembro do ano passado. Na ocasião, o presidente brasileiro propôs a Trump uma cooperação entre os dois países no combate ao crime organizado.
Na mesma semana, o Brasil apresentou um plano inicial de discussão. Propôs que os dois países trabalhassem juntos para coibir a lavagem de dinheiro, sugerindo:
o bloqueio nos Estados Unidos de ativos ilícitos de criminosos brasileiros;
medidas para combater o tráfico internacional de armas que abastece o Comando Vermelho e o PCC no Brasil.
Reportagem do jornal “Folha de S.Paulo” mostrou que o governo Trump fez uma contraproposta sugerindo que o Brasil receba em prisões brasileiras os estrangeiros capturados nos Estados Unidos, tal como faz El Salvador. A ideia foi rejeitada pelo governo brasileiro.
A reportagem mostrou ainda que os Estados Unidos também queriam que o Brasil apresentasse um plano para acabar com o PCC, o Comando Vermelho, o Hezbollah e as organizações criminosas chinesas em solo brasileiro.
O governo americano vem discutindo classificar o PCC e o Comando Vermelho como grupos terroristas, o que, segundo uma interpretação das regras internas do país, justificaria medidas unilaterais – inclusive com uso de força militar.
No mês passado, sem a definição da data da reunião entre os dois presidentes, o governo brasileiro anunciou um acordo com os EUA de combate ao crime organizado que, na realidade, queria divulgar após o encontro entre Lula e Trump.
Agora, o governo planeja lançar na próxima semana o programa Brasil Contra o Crime Organizado, que prevê ações de forças federais e estaduais para recuperar áreas dominadas por facções e o endurecimento de regras no sistema prisional, entre outras medidas.
O governo brasileiro deve fazer uma apresentação ao governo americano sobre essa proposta com intuito de demonstrar o esforço do Brasil em enfrentar o crime.
Minerais críticos e terras raras
O governo brasileiro quer que a exploração de minerais críticos e terras raras ocorra sob controle nacional e com parcerias que garantam transferência de tecnologia e desenvolvimento da indústria brasileira e soberania nacional sobre os recursos.
O Brasil já sinalizou que não pretende aderir à aliança proposta pelos Estados Unidos para o setor e que deve priorizar acordos bilaterais com diferentes países. A avaliação é de os EUA buscam influenciar as regras do comércio global desses recursos, hoje concentrados principalmente na China.
🔎 O Brasil, por sua vez, detém uma das maiores reservas desses minerais, é a segunda maior do mundo.
O acordo firmado entre o governo de Goiás e os Estados Unidos para a exploração de minerais críticos, que provocou reação do governo federal, pode se abordada nas negociações. A avaliação é de que a iniciativa não tem validade jurídica.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, o subsolo brasileiro pertence à União, que também é responsável por regular a atividade mineral e firmar acordos internacionais, o que inviabiliza iniciativas isoladas por estados.
Geopolítica
Venezuela
Lula deve buscar informações atualizadas sobre as condições de Nicolás Maduro e da esposa, presos pelos EUA no início do ano. O Brasil classificou a ação como uma violação da soberania e do direito internacional.
Lula condenou a operação e cobrou resposta de organismos internacionais. A posição brasileira tem sido a de evitar uma escalada de tensão, ao mesmo tempo em que reforça a necessidade de transparência e de solução dentro das regras do direito internacional.
Cuba e América Latina
A crise humanitária em Cuba também é uma preocupação do governo brasileiro e deve ser tema nas discussões internacionais. O Brasil teme que o agravamento da situação no país caribenho pode aumentar a instabilidade na região.
O governo brasileiro receia que uma eventual postura mais dura de Trump contribua para uma escalada de conflitos na América Latina, o que poderia impactar diretamente o equilíbrio político e econômico do continente.
Oriente Médio
Lula tem feito críticas públicas a Donald Trump pelos ataques dos Estados Unidos ao Irã. O petista tem cobrado líderes globais por paz, feito críticas ao que chama de corrida armamentista e lamentado a perda de credibilidade da Organização das Nações Unidas (ONU), defendendo a reforma do órgão.
O Brasil também decidiu não aderir à proposta de criação de um conselho para paz por Trump e acredita que o tema não deve ser conduzido de forma unilateral e exige debate multilateral.
Eleições no Brasil
Lula deve aproveitar o encontro com Trump para tentar uma posição de neutralidade do líder americano em relação às eleições no Brasil. A expectativa não é buscar um apoio direto, mas evitar que Trump sinalize apoio a Flávio Bolsonaro (PL), possível candidato da oposição.
A avaliação é de que o encontro também deve ser explorado durante a campanha eleitoral do petista. A ideia é reforçar a imagem de Lula como um líder com trânsito internacional, capaz de dialogar, inclusive, com figuras associadas à direita global.

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