A decisão, tomada após meses de disputa entre a startup e o governo americano sobre o uso de seus modelos de IA pelo setor de Defesa, foi proferida por um tribunal federal de apelações após a Anthropic entrar na Justiça para contestar a classificação feita pelo Pentágono.
Na prática, a medida dificulta que órgãos ligados à Defesa dos EUA contratem a empresa ou usem seus serviços.
A Anthropic afirma que a decisão já lhe causou bilhões de dólares em negócios perdidos e prejudicou sua reputação. A disputa ocorre às vésperas de uma possível oferta pública inicial de ações (IPO), quando a empresa poderia passar a ter ações negociadas na bolsa.
Segundo a Reuters, a companhia afirmou que “discorda respeitosamente da decisão”, mas mantém confiança em sua posição e avalia suas opções, incluindo uma possível revisão judicial.
No mês passado, um juiz federal em São Francisco anulou uma designação semelhante, baseada em uma lei diferente, ao considerar que o governo havia retaliado ilegalmente contra a Anthropic por suas posições sobre a segurança da inteligência artificial.
A decisão judicial ocorre no mesmo momento em que a Anthropic busca ampliar sua participação nos debates internacionais sobre o desenvolvimento da inteligência artificial.
Convocado pela França, que preside o Conselho de Segurança da ONU, o encontro ocorreu em meio a alertas de que sistemas de inteligência artificial cada vez mais poderosos podem adquirir capacidades difíceis de controlar e criar novos riscos para a segurança internacional.
Dario Amodei, CEO da Anthropic, discursou no encontro ao lado de representantes de outras gigantes do setor.
A participação das empresas ocorre em um momento de crescente interesse sobre o avanço da inteligência artificial e sobre os limites que devem ser impostos ao desenvolvimento de sistemas cada vez mais poderosos.
Na mesa de Trump estavam Jensen Huang, CEO da Nvidia, acompanhado da mulher, Lori Huang; Lisa Su, CEO da AMD, acompanhada do marido, Daniel Lin; Elon Musk, CEO da SpaceX e da Tesla; e Tim Cook, ex-CEO da Apple, que deixou o cargo em agosto, entre outros executivos.
Relação com o governo Trump
A ausência da Anthropic no jantar ocorre em meio à relação turbulenta da empresa com o governo Trump.
Parceiros estrangeiros, especialmente agências estatais de cibersegurança da Europa e da Ásia, continuaram sem acesso.
Ascensão da Anthropic
A empresa ganhou espaço ao apostar em uma abordagem mais cautelosa para o desenvolvimento da tecnologia, ao mesmo tempo em que seus modelos passaram a despertar interesse de investidores e do público.
A Anthropic foi fundada em 2021 por Dario Amodei e outros executivos que deixaram a OpenAI e defendiam uma abordagem mais cautelosa para o desenvolvimento da inteligência artificial.
O Claude chegou ao público em março de 2023, cerca de cinco meses depois do lançamento do ChatGPT.
Embora tenha entrado na disputa mais tarde e ainda seja menos conhecido do grande público, o chatbot ajudou a impulsionar o crescimento da Anthropic.
O governo de Donald Trump, que durante boa parte do mandato se mostrou contrário a uma regulamentação mais ampla da inteligência artificial, passou a dar maior atenção aos riscos associados ao avanço desses sistemas diante das capacidades cada vez mais avançadas dos modelos.
Logo da Anthropic em ilustração feita em junho de 2026. — Foto: Dado Ruvic/Reuters