
Juliette descobre endometriose em estágio inicial e diz que tratamento envolve interrupção da menstruação; entenda a condição
reprodução redes sociais
Juliette revelou nas redes sociais nos últimos dias que recebeu o diagnóstico de endometriose e compartilhou que, desde então, busca entender melhor sobre a doença. A influenciadora e empresária contou que descobriu a condição precocemente, vai iniciar um tratamento para interromper a menstruação e pretende compartilhar mais informações sobre o tema com os seguidores.
O diagnóstico ocorreu depois de Juliette enfrentar uma crise de inflamação no fígado durante uma viagem a Salvador, no início de junho. A artista contou que precisou de atendimento médico após sentir dores fortes, episódios de vômito e mal-estar.
Depois da confirmação, Juliette destacou que a doença foi identificada em estágio inicial e que, segundo as médicas, o quadro não inspira maiores preocupações.
“Como está muito no início, o tratamento de interromper a menstruação já pode ajudar a regredir, porque para de inflamar”, explicou.
Ela revelou ainda não ter muitos sintomas, nem muita dor, apenas um pouco de inchaço.
“Quanto mais eu vejo sobre o assunto, mais eu penso como algo tão comum no corpo feminino ainda é tão pouco falado. Parece que por ser uma coisa que afeta pessoas com útero, muita coisa acaba sendo ignorada ou normalizada”, acrescentou.
O que é a endometriose
A endometriose é uma doença ginecológica crônica, inflamatória e dependente de estrogênio, caracterizada pela presença de um tecido semelhante ao endométrio — revestimento interno do útero — fora da cavidade uterina. Essas lesões podem atingir os ovários, o peritônio, os ligamentos uterinos, o intestino, a bexiga e outras estruturas da pelve, provocando um processo inflamatório persistente.
A doença afeta cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva em todo o mundo. Entre os sintomas mais frequentes estão dor pélvica, cólicas menstruais intensas, dor durante as relações sexuais e infertilidade. Cerca de 90% das pacientes apresentam
algum tipo de dor pélvica e aproximadamente 26% enfrentam infertilidade.
Por que o diagnóstico costuma demorar
Embora Juliette tenha descoberto a doença em estágio inicial, esse não é o cenário mais comum.
Segundo a ginecologista Fabiene Bernardes Castro Vale, professora da Faculdade de Medicina da UFMG e presidente da Comissão Nacional Especializada em Sexologia da FEBRASGO, o diagnóstico da endometriose costuma ser tardio. Em média, passam-se de cinco a 12 anos entre o início dos sintomas e a confirmação da doença, e muitas mulheres consultam três ou mais profissionais de saúde antes de receberem o diagnóstico.
A especialista explica que o diagnóstico é baseado principalmente na avaliação clínica, considerando os sintomas e o exame ginecológico. Exames de imagem, como a ultrassonografia transvaginal realizada por profissional experiente e, em casos específicos, a ressonância magnética da pelve, ajudam a identificar lesões mais profundas.
Ela ressalta, porém, que exames físicos e de imagem normais não descartam a doença. Embora a confirmação definitiva possa ocorrer por cirurgia, atualmente nem sempre é necessário realizar um procedimento apenas para confirmar o diagnóstico quando a suspeita clínica é consistente e há resposta ao tratamento.
Tratamento depende de cada paciente
O tratamento da endometriose é individualizado e leva em consideração fatores como sintomas, idade, extensão da doença e desejo de engravidar.
Para mulheres com dor que não pretendem engravidar no momento, a primeira opção costuma ser o tratamento hormonal, com anticoncepcionais hormonais combinados ou progestagênios. Esses medicamentos promovem a supressão hormonal, reduzindo a atividade das lesões e a inflamação — estratégia semelhante à mencionada por Juliette ao afirmar que interromperá a menstruação.
Quando não há resposta adequada, existem alternativas de segunda linha. Já a cirurgia, geralmente por laparoscopia, é indicada quando o tratamento clínico não funciona, é contraindicado ou quando há lesões que justificam abordagem cirúrgica, especialmente em casos de infertilidade ou comprometimento anatômico importante.
Doença inflamatória e sistêmica
A endometriose envolve múltiplos fatores biológicos. Segundo a ginecologista e obstetra Vanessa Cairolli, ela é uma doença inflamatória de predominância estrogênica, com vários mecanismos fisiopatológicos envolvidos. A imunidade e o microbioma intestinal podem participar desse processo.
A médica acrescenta que existe uma relação importante entre o intestino e a microbiota vaginal, devido à proximidade anatômica entre as duas regiões.
“Alterações no microbioma intestinal podem influenciar o microbioma vaginal”, afirma.
Cairolli destaca ainda que a doença pode evoluir silenciosamente.
“Muitas pacientes descobrem a endometriose apenas quando investigam infertilidade. Em cerca de 70% dessas mulheres, a doença nunca havia sido diagnosticada antes”, diz.
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