
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e deputado federal José Guimarães (PT-CE)
Reprodução
O deputado federal José Guimarães (PT-CE) toma posse nesta terça-feira (14) como novo ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI).
O ex-líder do governo na Câmara substituirá Gleisi Hoffmann, que deixou o cargo no início do mês para disputar uma vaga no Senado pelo Paraná.
No terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a pasta foi comandada inicialmente por Alexandre Padilha. Com a ida de Padilha para o Ministério da Saúde, Gleisi assumiu a articulação política do governo no Congresso Nacional e, agora, será sucedida por Guimarães.
A SRI é a responsável pela interlocução do Palácio do Planalto com o Congresso Nacional e os demais Poderes da República. Ocupa posição estratégica para viabilizar a agenda do governo no poder Legislativo.
A pasta é encarregada de negociar propostas de interesse do governo e construir maioria parlamentar para as votações.
Em ano eleitoral, o governo Lula tenta avançar em pautas de apelo popular. Entre as prioridades está o fim da escala 6×1, proposta defendida pelo Planalto e que deve ser encaminhada ao Congresso por meio de projeto de lei.
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A relação com o Congresso, no entanto, segue como um dos principais desafios do governo. Diante de uma maioria formada por parlamentares de oposição, Lula enfrenta resistências desde o início do mandato.
Em discursos públicos, o presidente tem recorrido a feitos durante o mandato para reforçar a marca do diálogo institucional. Lula costuma citar como exemplos a aprovação da Reforma Tributária e a proposta de isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil por mês.
Apesar do discurso em defesa da negociação política, o terceiro mandato de Lula também foi marcado por momentos de atrito com o Congresso Nacional, com trocas de críticas públicas e episódios de tensão entre o Planalto, parlamentares e os comandos da Câmara e do Senado.
Em 2024, a relação entre Executivo e Legislativo atravessou um período de desgaste. À frente da SRI à época, Alexandre Padilha protagonizou embates com o então presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Lira chegou a afirmar publicamente que Padilha era “desafeto pessoal” e “incompetente”.
Na ocasião, o governo atuava para orientar aliados a votarem pela manutenção da prisão do deputado Chiquinho Brazão (sem partido-RJ), envolvido no caso Marielle Franco. O movimento foi interpretado por Lira como interferência do Executivo no Legislativo.
Com a saída de Nísia Trindade do Ministério da Saúde e a transferência de Padilha para a pasta, Gleisi Hoffmann assumiu a missão de reduzir tensões e reconstruir pontes com o Congresso.
A gestão de Gleisi teve um tom mais moderado na interlocução com congressistas. Embora tenha mantido a defesa das pautas do governo, adotou uma postura de maior abertura com deputados e senadores.
Agora, com a saída de Gleisi para disputar as eleições, Lula aposta em um nome com trânsito no Congresso para reforçar a articulação política e defender as pautas que o governo pretende priorizar neste ano eleitoral.
José Guimarães chegou a ser cotado para assumir na Secretaria de Relações Institucionais no ano passado, na vaga de Padilha. O nome dele chegou a despontar como favorito, mas depois foi descartado.
Na época, a leitura entre aliados do presidente no Planalto e no PT, no entanto, era que Lula queria alguém de estrita confiança e, por esta razão, Gleisi ficou na frente do colega de Câmara.
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