
Presença do Comando Vermelho no Amazonas
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Pesquisa Ipsos-Ipec divulgada nesta sexta-feira (26) mostra que mais da metade dos brasileiros afirmam que a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas por parte dos Estados Unidos é uma interferência em assuntos que dizem respeito apenas ao Brasil.
De acordo com o estudo, 54% concordam total ou parcialmente que a medida anunciada por Donald Trump representa uma interferência, enquanto 35% discordam total ou parcialmente dessa avaliação. Veja os números:
É uma interferência em assuntos que dizem respeito apenas ao Brasil:
Concorda totalmente: 39%
Concorda em parte: 15%
Nem concorda, nem discorda: 4%
Discorda em parte: 11%
Discorda totalmente: 24%
Não sabe/não respondeu: 8%
A pesquisa foi realizada entre os dias 13 e 17 de junho com 2.000 entrevistados de 130 municípios. A margem de erro máxima estimada é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, com um nível de confiança de 95%.
Segundo o levantamento, o tema que mais preocupa os brasileiros é a segurança dos moradores de comunidades dominadas pelo PCC e CV. Para 56% dos entrevistados, a classificação internacional coloca em risco moradores que vivem em comunidades dominadas pelo PCC e CV. Outros 33% discordaram totalmente ou em parte dessa afirmação.
Agora no g1
De acordo com os números, o PIX não entra como uma preocupação para a maioria dos entrevistados. Pouco mais da metade dos entrevistados (52%) discordam totalmente ou em parte da ideia de que o sistema de pagamento será ameaçado pela decisão dos EUA. Outros 33% concordam em parte ou totalmente com a afirmação.
“Os dados revelam um brasileiro cauteloso e atento às consequências práticas da medida adotada pelo governo norte-americano. A população demonstra preocupação legítima com os moradores de comunidades vulneráveis e enxerga a ação como uma possível interferência em questões internas. Ao mesmo tempo, chama atenção a discordância à narrativa de ameaça ao PIX: o brasileiro confia na manutenção do sistema que utiliza diariamente e acredita que ele está a salvo de interferências externas”, analisa Márcia Cavallari, diretora da Ipsos-Ipec.
As percepções continuam polarizadas quando se trata da segurança pública como um todo: 48% concordam em parte ou totalmente que a medida iria melhorar esse aspecto, enquanto 41% discordam totalmente ou em parte dessa avaliação. Dos entrevistados, 8% não sabem ou não responderam, e 3% disseram não concordar ou discordar.
Ao serem questionados sobre possíveis consequências negativas, 48% dos entrevistados concordaram em parte ou totalmente que a classificação representa uma ameaça aos recursos nacionais. Já 39% discordaram, 9% não sabiam ou não responderam, e 3% não concordavam nem discordavam.
Similarmente, 47% concordaram em parte ou totalmente com a afirmação de que a medida irá prejudicar a economia brasileira. Ao mesmo tempo, 41% discordaram em parte ou totalmente 3% não concordam, nem discordam e aqueles que não sabem ou não respondem à pergunta somam 8%.
A afirmação que gerou mais respostas divididas foi sobre o impacto da classificação no trabalho conjunto das forças policiais brasileiras e dos EUA. Para 43%, pode atrapalhar a parceria, enquanto outros 43% discordaram dessa possibilidade. 3% não concordam, nem discordam e 10% preferiram não opinar.
Classificação nos EUA
A classificação do PCC e do CV como organizações terroristas entrou em vigor em 5 de junho. Foi anunciada pelo governo dos Estados Unidos em 28 de maio.
Com a medida, as facções passaram a ser tratadas como organizações terroristas ao invés de narcotráfico e crime organizado. Isso significa que pessoas e empresas que fornecerem apoio aos grupos podem ser punidos pelos EUA. O conceito na legislação americana é amplo, e inclui recursos financeiros, serviços, logística e outros tipos de assistência.
Neste caso, instituições e empresas brasileiras ligadas ao sistema financeiro norte-americano se encontram sob maior pressão para reforçar seus métodos de controle e evitar relação com integrantes ou empresas associadas às facções.
Bens que estiverem em território americano podem ser congelados, ao mesmo tempo em que pessoas enquadradas por autoridades dos EUA podem lidar com restrições de entrada no país.
No Brasil, a legislação não muda e os grupos continuam sendo tratados como organizações criminosas.
Tema eleitoral
A medida do governo dos EUA representou uma derrota ao governo Lula, que vinha melhorando sua relação com o presidente Donald Trump desde a imposição do tarifaço, em 2025.
O governo era contra a classificação, argumentando que a mudança colocaria a soberania nacional em risco ao abrir espaço para ações militares norte-americanas sob o pretexto de combate ao terrorismo.
O anúncio do secretário de estado dos EUA, Marco Rubio, coincidiu com uma visita do senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) à Casa Branca. A oposição afirma que a posição contrária de Lula é uma conivência com o crime organizado.
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