Início » Habib’s em recuperação judicial: quais os motivos? O que acontece? | G1

Habib’s em recuperação judicial: quais os motivos? O que acontece? | G1

por Gilberto
habib’s-em-recuperacao-judicial:-quais-os-motivos?-o-que-acontece?-|-g1

Segundo o pedido apresentado à Justiça, a crise financeira foi provocada pela combinação de três fatores principais: os efeitos da pandemia, as mudanças no comportamento dos consumidores e a alta dos juros.

Fundado em 1987, o Habib’s se tornou uma das principais redes de alimentação do país e ficou conhecido principalmente pelas esfihas e outros produtos de inspiração árabe. São 119 lojas no Brasil.

O grupo também controla o 26 lojas do Ragazzo, voltado principalmente a massas, salgados e lanches, seis churrascarias da rede Tendall, além de empresas que atuam na estrutura de franquias e em outras etapas da operação.

Nessa matéria, você vai ver:

  • Os 3 motivos que levaram o grupo à crise
  • Os restaurantes vão fechar?
  • O que acontece com os funcionários?
  • Qual a recomendação para os franqueados?
  • Dívida chega a R$ 265,2 milhões
  • Grupo tentou negociar antes de pedir recuperação judicial
  • O que acontece agora

Os 3 motivos que levaram o grupo à crise

  • A pandemia afetou especialmente as lojas localizadas em grandes centros urbanos. Segundo o grupo, as restrições de circulação reduziram o movimento nesses locais. Mesmo depois da reabertura da economia, o avanço do trabalho remoto e híbrido mudou a rotina de consumidores que antes frequentavam regiões comerciais e shoppings.
  • Ao mesmo tempo, o crescimento dos serviços de entrega mudou a forma de consumir refeições. Mais clientes passaram a fazer pedidos por aplicativos e outras plataformas digitais, em vez de frequentar os restaurantes. O delivery ajudou a manter as vendas, mas, segundo o grupo, também pressionou os resultados das lojas físicas.
  • O terceiro fator foi a alta dos juros. Segundo o grupo, dívidas contraídas para sustentar as operações ficaram mais caras com o aumento da taxa básica de juros, a Selic. Com isso, uma parcela maior do dinheiro gerado pelos restaurantes passou a ser usada para pagar juros e dívidas, reduzindo os recursos disponíveis para manter o negócio.

Os restaurantes vão fechar?

“Não há determinação de fechamento das lojas. Pelo contrário: a recuperação judicial existe justamente para tentar manter a empresa funcionando enquanto reorganiza suas dívidas”, explica Fernando Moreira, advogado especialista em direito do consumidor e professor da FGV.

A empresa informou que o atendimento e as operações seguem normalmente e reiterou que empresas franqueadas não integram o processo.

Entretanto, vale ficar atento. O advogado explica que “dentro de uma reestruturação, pode haver futuramente o fechamento de unidades deficitárias, venda de ativos ou outras medidas previstas no plano, mas isso dependerá da estratégia de recuperação que vier a ser apresentada”.

Ao aceitar o pedido de recuperação judicial, a Justiça determinou a suspensão temporária de parte das ações e cobranças contra as empresas, respeitadas as exceções previstas em lei. Também proibiu que credores interrompam contratos apenas porque o grupo entrou em recuperação.

O que acontece com os funcionários?

A recuperação judicial não significa demissão automática nem encerramento dos contratos de trabalho.

“A lógica da recuperação é justamente preservar a atividade empresarial, os empregos e a fonte produtora”, afirma Moreira.

Segundo ele, os salários correntes continuam tendo de ser pagos normalmente. Eventuais dívidas trabalhistas anteriores ao pedido de recuperação são congeladas e entram no processo, observadas as regras e prioridades previstas na lei.

Por exemplo, se a empresa pedir recuperação judicial em agosto e tiver uma rescisão de contrato de julho em aberto, esse valor é considerado uma dívida anterior ao pedido e entra na recuperação judicial. Já as demissões após agosto são pagas normalmente.

Qual a recomendação para os franqueados?

O primeiro passo é não tomar nenhuma medida precipitada.

“A recuperação judicial da franqueadora não extingue automaticamente os contratos de franquia e também não autoriza, por si só, o franqueado a deixar de pagar royalties ou outras obrigações contratuais”, enfatiza o professor da FGV.

“Minha recomendação é que cada franqueado revise seu contrato e a COF [Circular de Oferta de Franquia], acompanhe o processo e, principalmente, documente qualquer falha concreta da franqueadora”.

São consideradas falhas concretas:

  • Falta de produtos;
  • Problemas de abastecimento;
  • Interrupção de sistemas, publicidade, treinamento ou suporte operacional.

Na falha desses itens, poderá existir fundamento para discutir a relação contratual judicialmente ou em arbitragem.

Dívida chega a R$ 265,2 milhões

O grupo declarou R$ 265.207.959,83 em dívidas no pedido de recuperação judicial.

  • Desse total, R$ 22,3 milhões correspondem a dívidas trabalhistas.
  • Outros R$ 241,7 milhões são devidos a credores sem uma garantia específica de pagamento, grupo que reúne grande parte das dívidas com bancos, fornecedores e outros parceiros comerciais.
  • Há ainda R$ 1,15 milhão devido a micro e pequenas empresas.

Grupo tentou negociar antes de pedir recuperação judicial

Antes de pedir a recuperação judicial, o Grupo Gennius tentou negociar diretamente com os credores. Em 25 de junho, o grupo pediu à Justiça proteção temporária contra cobranças enquanto negociava com os credores por meio de uma mediação. A medida previa um período de 60 dias para que as partes tentassem chegar a um acordo.

A estratégia, porém, não foi suficiente para resolver a crise financeira. O grupo relatou que instituições financeiras estavam retendo recursos e que havia risco de interrupção de serviços e fornecimentos essenciais para manter as lojas funcionando.

Entre os problemas apontados estava o risco de interrupção dos sistemas de tecnologia usados pelo grupo. Segundo a empresa, a suspensão desses serviços poderia prejudicar vendas, gestão e outras atividades necessárias ao funcionamento das lojas.

Sem conseguir chegar a um acordo com os credores, o Grupo Gennius pediu recuperação judicial na segunda-feira (24). A Justiça aceitou o pedido no dia seguinte.

O que acontece agora

Das esfihas à dívida: trajetória do Habib’s

DataO que aconteceuO que significa
2020–2022Pandemia de Covid-19O grupo afirma que a pandemia reduziu o movimento das lojas, especialmente em grandes centros urbanos, e mudou o comportamento dos consumidores.
Após a pandemiaMudança no hábito de consumoO avanço do delivery reduziu o fluxo nos restaurantes físicos e, segundo o grupo, pressionou as margens das operações.
Anos seguintesAlta dos jurosO grupo afirma que a elevação da Selic aumentou o custo das dívidas contraídas para sustentar as operações.
24 de agosto de 2026Grupo Gennius pede recuperação judicialA tentativa de negociação não é suficiente e o grupo apresenta oficialmente o pedido de recuperação judicial, declarando passivo de R$ 265,2 milhões.
25 de agosto de 2026Justiça aceita o processamento da recuperaçãoO juiz autoriza o início do processo, nomeia a KPMG Corporate Finance como administradora judicial e determina a suspensão das ações e execuções contra as empresas, dentro das exceções legais.
Próximos 60 diasGrupo deverá apresentar plano de recuperaçãoO Gennius terá 60 dias para apresentar aos credores uma proposta de reorganização das dívidas. Se não apresentar o plano no prazo, a recuperação poderá ser convertida em falência.

“O grande desafio será conciliar a renegociação da dívida com a geração de caixa necessária para manter a operação funcionando”, explica Fernando Moreira, advogado do direito do consumidor.

A KPMG Corporate Finance foi nomeada administradora judicial. Ela será responsável por acompanhar a recuperação, fiscalizar as informações apresentadas pelo grupo e auxiliar a Justiça durante o processo.

O grupo terá 60 dias para apresentar um plano de recuperação. O documento deverá mostrar como pretende pagar ou renegociar as dívidas e manter as empresas funcionando. Se o plano não for apresentado no prazo, o processo poderá ser convertido em falência.

Enquanto isso, o grupo deverá apresentar relatórios financeiros mensais e prestar contas à Justiça sobre a evolução de sua situação.

A recuperação judicial não significa que o Habib’s vai fechar as portas. O objetivo do processo é justamente permitir que as empresas continuem funcionando enquanto tentam reorganizar as dívidas e evitar a falência.

O futuro do grupo dependerá principalmente do plano que será apresentado aos credores e da capacidade das empresas de voltar a gerar dinheiro suficiente para manter as operações e pagar as dívidas renegociadas.

Crime ocorreu na unidade do Habib’s de Guarujá — Foto: Sílvio Luiz/A Tribuna Jornal

Saiba mais sobre o funcionamento da recuperação judicial:

você pode gostar

SAIBA QUEM SOMOS

Somos um dos maiores portais de noticias de toda nossa região, estamos focados em levar as melhores noticias até você, para que fique sempre atualizado com os acontecimentos do momento.

CONTATOS

noticias recentes

as mais lidas

Jornal de Minas Ltda © Todos direitos reservados CNPJ: 65.412.550/0001-63