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Casas Bahia espera 2027 pior que 2026, diz presidente | G1

por Gilberto Cruz
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“Não trabalhamos com melhora no cenário macro. Consideramos que 2027 será pior que 2026”, disse o executivo durante uma conferência com analistas, um dia após a companhia se tornar mais uma empresa do setor a pedir recuperação judicial.

“O endividamento vai continuar e algumas alavancas que deram fôlego para o consumo este ano vão criar um passivo no futuro, o que pode gerar uma deterioração do cenário de crédito”, acrescentou Franklin.

Segundo ele, a Casas Bahia está cada vez mais restritiva na concessão de financiamentos aos consumidores.

Segundo Franklin, os fechamentos foram feitos em uma “onda única”, já considerando uma possível deterioração do mercado no próximo ano e para “não gerar ansiedade por mais ajustes”. O executivo afirmou que, com as medidas, a rede eliminou “todas as lojas que estavam na UTI”.

Questionado sobre as parcerias da Casas Bahia com empresas de marketplace, Franklin afirmou que a rede vai priorizar as margens de lucro nos canais on-line e reduzir o volume de vendas que não são rentáveis.

Durante a conferência, ele disse que os marketplaces são “viabilizadores desse ajuste que estamos fazendo no mercado digital”.

No ano passado, a Casas Bahia fechou uma parceria com o Mercado Livre para reforçar sua operação on-line.

Analistas do Citi afirmaram, em relatório enviado a clientes, que o pedido de recuperação judicial da Casas Bahia é marginalmente negativo para o Mercado Livre.

Segundo eles, uma alternativa para suprir a empresa no segmento de eletroeletrônicos poderia ser uma “futura parceria com o Magazine Luiza, que atualmente mantém um acordo comercial semelhante com a Amazon”.

Apesar disso, os analistas avaliam que o Mercado Livre poderá se beneficiar de um cenário de melhores negociações com fornecedores.

Loja das Casas Bahia em shopping de São José dos Campos é fechada. — Foto: Sarah Brito/g1

Pedido de recuperação judicial

O Grupo Casas Bahia anunciou na noite deste domingo (16) que entrou com um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo.

A medida inclui a própria companhia e outras nove empresas do grupo e tem como objetivo reorganizar as finanças e renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas, além de garantir a continuidade das operações.

Segundo a companhia, a decisão foi aprovada pelo Conselho de Administração e pelo acionista controlador. O pedido foi protocolado no Foro Central Cível de São Paulo, especializado em falências e recuperações judiciais.

A empresa informou que pretende manter o funcionamento das lojas físicas, do comércio eletrônico e dos demais canais de venda.

Como o pedido foi apresentado em caráter de urgência, ele ainda precisará ser ratificado pelos acionistas em Assembleia Geral Extraordinária.

Reestruturação começou em 2023

O pedido de recuperação judicial é o desfecho de um processo de reestruturação iniciado há cerca de três anos.

Segundo a petição à qual o g1 teve acesso, a companhia lançou, em meados de 2023, um Plano de Transformação para reduzir custos, aumentar a eficiência operacional e fortalecer a geração de caixa.

Na primeira etapa, foram fechadas 55 lojas consideradas deficitárias até o fim daquele ano, além da redução de aproximadamente 8.600 postos de trabalho.

Em 2024, a Casas Bahia também realizou uma recuperação extrajudicial, quando renegociou cerca de R$ 4,1 bilhões em dívidas com instituições financeiras.

Na época, a empresa apostava que a renegociação, somada à expectativa de queda dos juros e da retomada do consumo, seria suficiente para estabilizar as contas. No entanto, segundo a companhia, o cenário econômico continuou desfavorável.

Em agosto de 2026, já durante a segunda fase do Plano de Transformação, a empresa promoveu uma nova rodada de cortes, com a demissão de cerca de 3 mil funcionários e o fechamento de quase 300 lojas.

Segundo a petição, o grupo emprega atualmente mais de 20 mil pessoas. A companhia afirma que a recuperação judicial é necessária para preservar esses empregos e garantir a continuidade das operações.

*Com informações da agência de notíciasReuters.

Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial

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