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Gabiroba gigante: conheça fruta da Mata Atlântica que venceu concurso | G1

por Gilberto Cruz
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A fruta não é tão comum porque, para aparecer, precisa da polinização de abelhas sem ferrão endêmicas do estado capixaba. Segundo especialistas, o fruto é considerado em extinção e diminuiu sua frequência por causa das mudanças climáticas.

Adenilson Panzini é empresário no setor de rochas, conheceu a fruta há 30 anos, e plantou um pé em sua propriedade na cidade de Vargem Alta, Região Serrana do estado.

Atualmente, a árvore, que já é um pé adulto, gera mais de 100 kg da fruta. Com todo esse material, o empresário de 56 anos guarda grande parte da fruta no freezer e realiza doações para escolas e chefs que fazem pratos com a gabiroba.

A fruta é versátil e rende várias opções na gastronomia, de geleias a bolos e até cachaça. Com tantas possibilidade, a gabiroba e outros frutos nativos da Mata Atlântica no estado renderam um projeto voluntário realizado pelo empresário e o chef Ricardo Silva.

Gabiroba gigante precisa de temperaturas mais amenas e ambiente úmido para conseguir crescer — Foto: Reprodução/TV Gazeta

O Experiência Cores e Sabores da Mata Atlântica apresenta os frutos em eventos. E foi a partir desse projeto que a mestre sorveteira Gabriela Maretto conheceu a gabiroba, se apaixonou pela fruta e fez um sorvete que foi o preferido do público em uma competição de gelatos.

Saiba algumas curiosidades sobre a fruta:

  • 🍋 A fruta é cítrica e lembra o limão, mas com sabor mais marcante e mais ácido;
  • ⛑️ Segundo nutricionistas, a gabiroba é rica em vitamina C, fibras, potássio e cálcio;
  • 🚽 Ajuda na saúde intestinal;
  • ⚖️ Um fruto pode pesar até 400 gramas;
  • 🗓️ Colheita entre julho a agosto;
  • 🍨 Vira de sorvetes a ceviche;
  • ☁️ Prefere temperaturas mais amenas;
  • 🌳 Possui o nome “gigante” por ser a maior das outras espécies de gabiroba.

Conhecendo a gabiroba

A gabiroba, ou guabiroba gigante, faz parte de uma das principais famílias de plantas comestíveis da Mata Atlântica.

De acordo com a Nara Furtado, pesquisadora do Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA), só existem registros dessa espécie em Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do estado e em Vargem Alta.

“Trata-se de uma espécie rara, pouco coletada. Começa frutificar com três anos de vida. o que para uma árvore é muito rápido. O tronco tem casca rugosa e se descama, assim como outras espécies da família (jabuticaba, pitanga, araça). Pode ser descrita como um arbusto ou uma árvore, variando 3 a 10 metros de comprimento”, explicou.

A gabiroba dá o maior dos frutos das espécies das Campomanesia, podendo a chegar a 12 cm de diâmetro, enquanto as espécies próximas podem atingir no máximo 8 cm de diâmetro. “Por isso, o nome super-gabiroba ou gabiroba gigante”, completou a pesquisadora.

Árvore da gabiroba gigante em Vargem Alta, Espírito Santo — Foto: Reprodução/TV Gazeta

Desde quando Adenilson conheceu a fruta, o empresário ficou curioso por ela ser tão diferente e resolveu entender um pouco mais sobre.

“Conheci em 1998 nas andanças dessas matas, fui andando com pessoas mais experientes. Ela não é praticamente cultivada em lugar nenhum, ninguém sabe aproveitar ela. Eu trouxe ela pra casa, plantei, fiz a muda. Conheço algumas pessoas que tinham a gabiroba no quintal, não sabiam do potencial e até cortavam a planta, acham a fruta muito ácida”, disse.

Ao resolver cultivar a gabiroba, Adenilson também montou um pequeno apiário com diversas espécies de abelhas, insetos que são essenciais para a gabiroba dar frutos.

“Nesses anos todos, fui aprendendo a cultivar, dando muito amor e carinho, e com isso o meu pé dá fruta quase o ano inteiro. São três coisas essenciais: altitude, umidade e os insetos. As abelhas sem ferrão que fazem a fecundação dela. Conheço algumas gabirobas na mata, no habitat dela, que não produzem, porque não tem mais tanta abelha, a umidade não é mais a mesma”.

Segundo o produtor, se levar a gabiroba para uma região mais costeira, por exemplo, ela pode não produzir mais por causa dessas condições necessárias. “Hoje, ela está praticamente extinta, é muito difícil de encontrar, o homem mudou o ecossistema”, destacou.

Na época da colheita entre os meses de junho a agosto, o empresário retirar os frutos e os congela. A principal destinação é geração de mudas, doação para escolas e também para a culinária. Toda a colheita do empresário é distribuída de forma gratuita.

Adenilson disse que pela raridade da gabiroba, um quilo chega a valer R$ 100. Quando madura, os frutos são grandes e podem chegar até 400 g.

Mesa com várias opções de pratos feitos com gabiroba gigante: bombom, suco, ceviche, caponata, mousse, bolo, brigadeiro, geleia e cachaça — Foto: Viviane Lopes/g1

Com a ajuda da esposa e do chef Ricado, o trio faz diversos pratos como bombons, mousse, caponatta, ceviche, bolos, sucos e cachaça e apresentam as opções feitas não só com a gabiroba, mas outros frutos nativos.

“Eu não conhecia a fruta, fiquei sabendo a partir da minha amizade com o Adenilson, e aí nós começamos a elaborar receitas e pratos falando da Mata Atlântica há dois anos. É importante mostrar o poder que tem a Mata Atlântica. Com a gabiroba, dá pra fazer várias coisas. Ela tem um sabor fantástico e você consegue utilizar em várias coisas na cozinha”, disse o chef Ricado.

“A variedade de frutas, essências e sabores da Mata Atlântica é imenso, mesmo hoje não tendo sobrado muito de floresta. E muita gente não conhece ainda. Eu quero divulgar isso, valorizar o homem do campo. Para ele saber que, se cultivar essa espécie, vai ter uma renda. Através das abelhas você preserva um bioma inteiro. É um valor inexplicável”, completou Adenilson.

Sabores da Mata

Gabriela Maretto é capixaba e faz sorvete há mais de três anos. A relação da capixaba com a produção de gelatos começou desde pequena, ao fazer sorvetes na lavanderia da casa da mãe. Sonho que foi deixado de lado com o passar dos anos, mas que voltou para a vida da mulher após o diagnóstico precoce da doença de Parkinson.

Ela conheceu o projeto das frutas da Mata Atlântica e topou o desafio do chef Ricardo em escolher uma fruta diferente para fazer um novo sabor de sorvete.

“Ele me apresentou a gabiroba e explicou a proposta de utilizar frutas não convencionais e outras plantas na comida. Eu fiquei encantada com ela. De início, foi bem difícil entender como aproveitar o sabor, porque ele é bem ácido, tem uma consistência diferente. Fiz baseado na minha receita de limão, de sorbet a base de água, e deu certo”, comentou.

Gabiroba gigante e sorvete feito com gabiroba gigante no Espírito Santo — Foto: TV Gazeta e Adenilson Panzini

Depois de aprender a trabalhar com a gabiroba, Gabriela resolveu apostar no sabor único da fruta para participar de um concurso nacional de sorvetes, o Gelato Festival World Masters, que aconteceu em julho em São Paulo.

“Eu já sabia que o sorvete de gabiroba tinha feito sucesso na loja, então resolvi mexer um pouco na receita, acrescentei o mel de uruçu, geleia de frutas vermelhas e um praliné de castanhas da Mata Atlântica e aí surgiu o Sabores da Mata, que eu sirvo em uma taça”, pontuou.

Durante a competição, pessoas do Brasil e do mundo inteiro passaram pelo estande da capixaba no evento, e Gabriela disse que se divertiu ao ver a reação das pessoas ao experimentarem um sorvete tão diferente.

O Sabores da Mata ganhou a Menção Honrosa do Júri Popular, um reconhecimento especial concedido ao sorvete que recebe a maior votação do público presente no evento. Ao contrário dos prêmios principais, que são em grande parte determinados por um júri técnico de especialistas, este prêmio destaca a popularidade e o apelo do sabor entre os consumidores.

“Cerca de 20 mil pessoas passaram por lá e todos podiam provar os 15 sabores do Brasil inteiro e o sabor encantou o pessoal. Teve uma senhora que até chorou quando experimentou, eu fiquei tão emocionada, disse que o sorvete tinha sabor de infância e todo mundo queria conhecer a gabiroba”, destacou.

Sorvete de gabiroba gigante feito por mestre sorveteira do Espírito Santo — Foto: Reprodução/TV Gazeta

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