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Expectativa no Planalto é pelo afastamento de Jaques Wagner após conversa com Lula

por Gilberto Cruz
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Sadi: Expectativa que Jaques Wagner deixe a liderança no Senado
Uma semana após a operação da Polícia Federal relacionada ao caso Banco Master colocar o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, no centro das investigações, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve se reunir nesta quarta-feira com o senador em Brasília para discutir os próximos passos de sua permanência no cargo.
Apesar da pressão crescente nos bastidores, Wagner segue na liderança governista. O cenário, no entanto, mudou ao longo dos últimos dias. Na quinta-feira passada, logo após a operação, integrantes do Palácio do Planalto chegaram a trabalhar com a hipótese de um afastamento temporário do senador para que ele pudesse se dedicar à sua defesa.
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O roteiro desenhado inicialmente pelo governo, porém, não prosperou. Ao fim daquele mesmo dia, Jaques Wagner concedeu entrevista e descartou qualquer movimento de saída. Mais do que isso: afirmou ter recebido uma ligação de apoio do presidente Lula e não deu qualquer sinal de que pretendia deixar a função.
Desde então, o tema passou a provocar desconforto entre integrantes do governo e dirigentes do PT. A avaliação é que a permanência de Wagner na liderança do Senado pode dificultar o esforço de separar a imagem do governo federal das investigações relacionadas ao Banco Master.
Nos bastidores, governistas reconhecem que a oposição já trabalha para transformar o episódio em um tema de desgaste político com potencial de repercussão eleitoral. A estratégia adversária se apoia na combinação entre especulações anteriores, os fatos revelados pela investigação e as imagens que vieram à tona durante a operação.
Um interlocutor do governo resumiu a preocupação em três elementos: “o boato, o fato e a foto”.
O “boato” seria a especulação que circulava desde as primeiras fases da investigação sobre possíveis conexões de integrantes do PT baiano com o caso. O “fato” surgiu quando a apuração passou a mirar Jaques Wagner em razão de sua relação com Augusto Lima, apontado como sócio de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Já a “foto” refere-se às imagens da apreensão de dinheiro em um dos endereços ligados ao entorno do senador.
Senador Jaques Wagner (PT)
Waldemir Barreto/Agência Senado
A preocupação dentro do governo é evitar que esse conjunto de elementos seja explorado durante a campanha eleitoral. Por isso, cresce entre aliados a expectativa de que o próprio Jaques Wagner decida deixar a liderança do governo, poupando Lula do desgaste de ter de fazer o pedido diretamente a um dos seus mais antigos aliados políticos.
Lula e Jaques Wagner mantêm uma relação de amizade há quase cinco décadas, ao longo da trajetória do PT. Justamente por isso, aliados do governo defendem uma solução que evite constrangimentos para o presidente.
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