Início » Discord pede revogação da suspensão de lives e diz não conseguir cumprir prazo da ANPD

Discord pede revogação da suspensão de lives e diz não conseguir cumprir prazo da ANPD

por Gilberto Cruz
discord-pede-revogacao-da-suspensao-de-lives-e-diz-nao-conseguir-cumprir-prazo-da-anpd


A plataforma Discord enviou um ofício à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) no qual pediu ao órgão federal que revogue a determinação de suspensão da ferramenta que permite transmissões ao vivo na rede.
No pedido de reconsideração, enviado nesta sexta-feira (14), a empresa afirma que não consegue cumprir o prazo, de três dias úteis, para suspender transmissões ao vivo. O prazo para cumprimento da determinação termina nesta segunda-feira (17).
A decisão da ANPD foi tomada em meio à repercussão do caso em que uma adolescente de 13 anos que teria sido induzida a tirar a própria vida na plataforma, o que gerou reações por parte do governo federal e até uma operação policial de combate a crimes contra crianças e adolescentes.
Após aviso da polícia, Discord demorou 25 minutos para derrubar live que vitimou menina
“A plataforma vem sendo utilizado de forma recorrente como ambiente para a prática de graves violações contra crianças e adolescentes, episódios nos quais as lives têm sido reiteradamente empregadas em práticas de violência, assédio, indução à automutilação e ao suicídio”, alegou a ANPD ao tomar a medida.
➡️Na última quarta-feira (12), a ANPD determinou a suspensão das transmissões ao vivo do Discord em território brasileiro. Isso não significa a suspensão da plataforma, a decisão atingiu apenas a ferramenta de ‘lives’.
Em um dos documentos enviados à agência, o Discord pediu à ANPD que “reconsidere o Despacho Decisório nº 3/2026/SFI e revogue a medida preventiva, à luz dos elementos ora juntados aos autos, inclusive a Resposta ao Ofício nº 16/2026 protocolada nesta data, sem prejuízo do prosseguimento da instrução deste processo de fiscalização, no qual a Discord seguirá cooperando integralmente”
O despacho citado pela plataforma “determina […] a suspensão, em relação aos usuários localizados no território nacional, da funcionalidade ‘Go Live’ e de quaisquer outros recursos de transmissão e compartilhamento de vídeo funcionalmente equivalentes”.
💻O Discord é uma plataforma de comunicação amplamente utilizada por jogadores de games online e também por adolescentes. A empresa tem sido alvo de críticas e investigações relacionadas a falhas na moderação de conteúdo e na verificação da idade dos usuários.
Sobre a impossibilidade de cumprir a decisão, a empresa afirma que o prazo determinado pela ANPD não é “materialmente executável”.
“A engenharia, o teste e a implantação de uma desativação delimitada por país nos clientes de desktop, dispositivos móveis e consoles, com a evidência de verificação que a decisão exige, não são materialmente executáveis, com integridade, no prazo fixado”, afirma a empresa.
O Discord pede ainda que a ANPD estabeleça um cronograma para a implementação da medida, com prazo mínimo de 15 dias úteis, e prorrogue pelo mesmo período o prazo para comprovação do cumprimento das exigências.
LEIA TAMBÉM:
Discord: o que é a rede social que terá lives suspensas no Brasil após decisão da ANPD
‘Graves violações de direitos de crianças’: por que o Discord teve lives suspensas no Brasil
Caso ‘isolado’, diz plataforma
Na noite desta sexta (14), a plataforma enviou à ANPD os esclarecimentos demandados pela agência após a determinação de suspensão das transmissões ao vivo da plataforma no Brasil.
A plataforma afirma — ao se referir ao caso da menina de 13 anos — que “a existência isolada de conteúdo ilícito não constitui, por si só, falha sistêmica”.
Nesse contexto, por entender ter sido um caso “isolado”, o Discord cita o decreto que regulamenta o ECA Digital, segundo o qual: “As penalidades não serão aplicadas nas hipóteses de descumprimento decorrente de falha isolada ou residual, inerente ao estado da técnica e à natureza da operação, observados os critérios de proporcionalidade e razoabilidade”.
Entretanto, o argumento se opõe à conclusão à qual a agência chegou, a de que o Discord é utilizado de forma “recorrente” em casos de violação aos direitos de crianças e adolescentes.
Discord
Ivan Radic/Flickr
No documento, o aplicativo afirma que atua continuamente para que o ambiente digital seja seguro e saudável, rechaçando qualquer prática de violência, automutilação ou incitação a atos lesivos”.
Entre os argumentos apresentados à agência, o Discord alega que a criptografia impediu bloqueio de conteúdo, e diz que análises técnicas apontam que o “ato final de suicídio não ocorreu na plataforma”, sobre o caso da adolescente de 13 anos.
Quando determinou a suspensão da ferramenta que permite as transmissões ao vivo, a ANPD informou que a medida vai durar até que a plataforma “demonstre a implementação e a efetividade de medidas técnicas, de segurança e de governança adequadas aos riscos identificados para crianças e adolescentes e obtenha autorização expressa e prévia da ANPD para reativação, total ou parcial”.
Conforme o documento enviado pelo Discord à agência, a empresa alega que “serve primordialmente como ferramenta de comunicação legítima, colaboração e compartilhamento de conhecimento, e não como ambiente para atividades nocivas ou ilícitas”.
Caso grave
Na última semana, a primeira-dama Janja da Silva afirmou que era necessário retirar do ar, “imediatamente”, a plataforma Discord.
Ela citou o caso de uma menina de 13 anos que teria sido induzida, por um grupo de adolescentes, a cometer suicídio durante uma transmissão na plataforma.
➡️A ação motivou uma operação da Polícia Federal, deflagrada em 4 de agosto. Entre os presos na operação estão cinco adolescentes, de idades entre 13 e 17 anos, e um homem de 18 anos. O chefe do grupo criminoso é um menino de 14 anos, que foi apreendido no Rio.
O Discord prestou esclarecimentos sobre o caso, e alegou no documento que houve a “remoção integral do canal e a suspensão das contas envolvidas em menos de 25 minutos”.
A empresa afirmou também que avaliações técnicas preliminares indicam que o ato consumado não foi transmitido pela plataforma, e que repassou dados e registros aos investigadores.

você pode gostar

SAIBA QUEM SOMOS

Somos um dos maiores portais de noticias de toda nossa região, estamos focados em levar as melhores noticias até você, para que fique sempre atualizado com os acontecimentos do momento.

CONTATOS

noticias recentes

as mais lidas

Jornal de Minas Ltda © Todos direitos reservados CNPJ: 65.412.550/0001-63