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Direito Previdenciário e a Luta das Mães

por Drª. Ingrid Dialhane

O Desafio Invisível da Mãe Atípica: Entre o Cuidado e o Despreparo do Sistema 

 Ser mãe já é desafiador. Ser mãe atípica cuidando de um filho com deficiência, muitas vezes invisível, é enfrentar batalhas silenciosas todos os dias. Mas, além das dificuldades físicas e emocionais do cuidado, existe outro obstáculo muitas vezes negligenciado: o despreparo e o preconceito institucional do próprio sistema que deveria oferecer apoio. 

No Brasil, mães atípicas enfrentam rotinas exaustivas: consultas médicas, terapias, escola, adaptações na casa e no trabalho. Quando procuram o INSS ou outros órgãos públicos para garantir benefícios ao filho, muitas vezes se deparam com um olhar limitado, técnico e, infelizmente, desumanizado. O foco se restringe ao benefício financeiro do filho, enquanto a mãe, peça central desse cuidado, é praticamente invisível para o sistema. 

É aí que surge o dilema: como cuidar de alguém plenamente quando quem cuida não recebe amparo? A mãe precisa estar bem para que o filho esteja bem. Mas a burocracia, a falta de escuta e até o preconceito sutil fazem com que muitas mulheres se sintam sozinhas, desvalorizadas e sobrecarregadas. 

O Direito Previdenciário, quando bem aplicado, pode mudar essa realidade. Benefícios como o BPC, auxílios-doença ou aposentadorias especiais não são apenas direitos do filho com deficiência. Podem e devem se estender para apoiar a mãe, reconhecendo sua sobrecarga e a necessidade de amparo integral. O cuidado não é unilateral: é um sistema que precisa enxergar a família todo. 

Além disso, a voz da mãe deve ser ouvida. Ela percebe sinais, mudanças e necessidades do filho que escapam muitas vezes a exames médicos ou laudos padronizados. Ignorar essa perspectiva é não só despreparo, mas também um preconceito institucional, que desconsidera a experiência e a sensibilidade feminina no cuidado diário. 

Reconhecer a mãe atípica é reconhecer a base do cuidado. É garantir que o sistema público seja, de fato, um instrumento de inclusão, apoio e dignidade. Afinal, uma mãe amparada não apenas cuida melhor: ela transforma a vida do filho e fortalece toda a rede de cuidado. 

O desafio é grande, mas não impossível. O que falta é humanizar a legislação, ouvir quem realmente vive a realidade e aplicar o Direito Previdenciário com empatia e visão social. Porque no fim das contas, cuidar de quem cuida é cuidar de todos.  

Com muito carinho, deixo meu agradecimento especial ao grupo e ao apoio da @diversa830 e @Mães Atípicas pelo trabalho incansável e pelo amparo às mamães atípicas. Vocês fortalecem a luta e tornam o caminho menos solitário.
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Por: Dra. Ingrid Dialhane – Advogada Previdenciária 

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