Segundo o ministro, não houve discussão sobre medidas específicas.
“Como a gente está dizendo em melhora, avançar, ter superávit nos próximos anos, estamos necessariamente falando em reforçar as regras vigentes hoje de modo que a gente garanta a valorização de políticas públicas de maneira sustentável”, afirmou ao ser questionado se haveria necessidade de ajustes nos parâmetros do arcabouço fiscal para estabilização da dívida pública.

Agora no g1
📈 O arcabouço fiscal é o conjunto de regras proposto e aprovado em 2023 para orientar os gastos públicos. Ele inclui um sistema de metas e gatilhos para controlar o crescimento das despesas e, em tese, levar os cofres federais para um patamar sustentável de gastos.
O objetivo é conter um crescimento maior da dívida pública brasileira, que já é considerada elevada para o padrão de países emergentes, evitando, assim, um aumento maior da inflação e dos juros básicos, fixados pelo Banco Central, que servem de referência para as taxas cobradas do setor produtivo.
Como desdobramento da conversa, Durigan informou que ele e o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, irão analisar os pontos levantados no encontro, além daqueles que já vinham sendo considerados.
A ideia é apresentar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), quando ele retornar de compromissos internacionais, eventuais medidas para avaliação. Ele defendeu que tudo seja feito com “bastante método” e “previsibilidade”.
“Acho que a mensagem mais importante é: quem investe, quem produz nesse país não vai ter, neste governo, nenhum problema, nenhuma dificuldade com relação à previsibilidade, regras claras”, disse o ministro, completamentando que “faz questão” de comunicar qualquer avanço nesse sentido.
Participaram da reunião com o presidente, além de Dario Durigan, o vice-presidente Geraldo Alckmin, os ministros Bruno Moretti (Planejamento), Miriam Belchior (Casa Civil) e Esther Dweck (Gestão), os ex-ministros Fernando Haddad, Aloizio Mercadante e Guido Mantega, além dos economistas Luciano Coutinho, Eduardo Moreira e Laura Carvalho.
Após o encontro, Durigan não fez anúncios de medidas para equilibrar as contas públicas, que são aguardadas pelo mercado e por especialistas em finanças públicas.
“A gente teve bastante convergência [na reunião], tanto nos diagnósticos quanto nos caminhos para o futuro. Não nos parece haver fórmula mágica e, sim, manutenção dos compromissos fiscais”, disse Durigan.
“Compromisso de seguir melhorando as contas públicas, com a manutenção e reforço do que precisa ser reforçado com as regras fiscais atuais. De modo que a gente siga melhorando tanto os indicadores sociais quanto o resultado das contas públicas do governo”, acrescentou.
Questionado por jornalistas sobre ações concretas, Durigan afirmou que, na reunião desta quinta, não foram discutidas “medidas específicas”. Na sequência, afirmou que o governo tem compromisso de fazer “superávit” nos próximos anos.
No último fim de semana, circulou a informação de que Lula poderia receber para uma conversa André Lara Resende, um dos pais do Plano Real, para avaliar uma ideia do economista de redução da taxa de juros a até 7,5% ao ano, para depois fixar um teto tanto para a inflação como para a taxa Selic do Banco Central.
Juros altos
A reunião com Lula aconteceu em um momento em que petistas criticam o Banco Central pelos juros altos e pedem mudanças na política monetária.
🔎Nesta quarta-feira, o Banco Central do Brasil interrompeu um ciclo de quedas e manteve em 13,75% ao ano a taxa básica de juros da economia, a Selic.
Além disso, os aliados de Lula rejeitam um ajuste fiscal forte. Enquanto isso, o mercado está na espera do anúncio de medidas de contenção de despesas pelo governo.
Economistas cobram um plano crível e consistente de redução do crescimento das despesas para garantir estabilidade na economia.
Caso contrário, avaliam os especialistas, o país vai conviver com crescimento baixo, falta de recursos para programas e pressões inflacionárias.
Durigan na portaria do Ministério da Fazenda, Brasília – DF — Foto: Washington Costa/MF
