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Compass estreia na bolsa nesta segunda, em 1º IPO na B3 desde 2021 | G1

por Gilberto Cruz
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🔎 Um IPO (Initial Public Offering) é a primeira oferta pública de ações de uma empresa. A operação marca a entrada da companhia na bolsa e permite que investidores passem a negociar seus papéis no mercado.

A Compass será listada na B3 sob o código “PASS3”. A companhia definiu o preço de suas ações em R$ 28 no IPO, no piso da faixa estimada para a oferta, que ia até R$ 35 por papel. Com isso, a operação irá movimentar cerca de R$ 3,2 bilhões.

Inicialmente, a oferta envolveu 89,3 milhões de ações, em uma operação de cerca de R$ 2,5 bilhões. Diante da demanda dos investidores, a oferta foi ampliada com lotes adicionais de ações, elevando o valor total em aproximadamente R$ 700 milhões.

Com o IPO, a Compass faz sua estreia na bolsa avaliada em cerca de R$ 20 bilhões.

  • 💵 A operação é totalmente secundária — ou seja, não envolve a emissão de novas ações. Na prática, os papéis ofertados já pertencem a acionistas atuais, que estão reduzindo suas participações. Com isso, os recursos da oferta não irão para o caixa da companhia, mas para os vendedores.

Entre os investidores que estão vendendo ações estão a controladora Cosan, fundos da Atmos e da Brasil Capital, além de Bradesco Vida e Previdência e do grupo Bússola. Com isso, a operação serve para reforçar o caixa da Cosan. (leia mais abaixo)

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O BTG Pactual atua como coordenador líder da operação — ou seja, é o banco responsável por organizar a oferta e liderar a venda das ações ao mercado. A operação também conta com Bank of America, Bradesco BBI, Citi, Itaú BBA, Santander, JPMorgan, XP, BNP Paribas e UBS BB.

Em comunicado ao mercado, a controladora Cosan informou que irá reduzir sua participação de 88% para 77,25%, podendo chegar a 75,37% caso as ações adicionais também sejam negociadas no IPO. A oferta envolve 76,8 milhões de ações, com lote suplementar que pode contemplar 13,4 milhões de papéis.

Ainda segundo a Cosan, caso todas as ações suplementares sejam vendidas, a oferta pode chegar a R$ 3,2 bilhões, dos quais R$ 2,5 bilhões ficam com a companhia. O movimento ocorre em um processo em que o grupo busca reduzir o endividamento.

Segundo o documento apresentado aos investidores para o IPO, a oferta é voltada apenas a investidores profissionais, como fundos de investimento, bancos e instituições financeiras.

Esse é o primeiro IPO na bolsa brasileira em quase cinco anos. O hiato ocorreu em meio a um cenário de juros elevados e preocupação com as contas públicas no país, o que dificultou esse tipo de operação. (entenda abaixo)

O que faz a Compass?

Carreta criogênica da Edge, empresa da Compass, transporta GNL do Terminal de Regaseificação de São Paulo (TRSP) para indústrias localizadas em regiões sem acesso a gasodutos. — Foto: Divulgação

A Compass, empresa de gás e energia da Cosan, controla diversos negócios e atua em diferentes etapas do mercado de gás natural no Brasil, incluindo distribuição, infraestrutura e comercialização.

Entre seus principais ativos está a participação na Comgás, maior distribuidora de gás canalizado do país, com atuação em São Paulo.

A empresa também tem participação em outras distribuidoras, como Sulgás (RS), Compagás (PR), MS Gás e SCGás, além de operar o Terminal de Regaseificação de São Paulo (TRSP), no Porto de Santos.

O terminal é responsável por importar gás natural liquefeito (GNL) — combustível transportado em navios e convertido novamente em gás no Brasil para abastecer o mercado nacional.

A Compass também investe na expansão da rede de distribuição para atender residências, comércios e indústrias, principalmente em regiões de forte atividade econômica.

Com cerca de 3,1 milhões de clientes conectados, a empresa opera uma rede de aproximadamente 28 mil quilômetros, por onde são distribuídos 14,4 milhões de metros cúbicos de gás por dia. Desde 2020, os investimentos somaram cerca de R$ 15 bilhões, segundo a companhia.

De acordo com o documento apresentado aos investidores para o IPO, a companhia encerrou 2025 com patrimônio líquido de R$ 7,43 bilhões.

A capitalização total ajustada da empresa — indicador que reflete sua estrutura de capital e considera patrimônio líquido, empréstimos, financiamentos e debêntures — somava R$ 25,36 bilhões no fim de 2025.

O que explica o hiato dos IPOs?

O Brasil ficou mais de quatro anos sem IPOs. O último havia ocorrido em setembro de 2021, quando a empresa de insumos agrícolas Vittia estreou na bolsa de valores. Foi a 45ª abertura de capital daquele ano, segundo dados da B3.

Como mostrou o g1, a seca na bolsa brasileira ocorreu, em grande parte, devido à disparada dos juros no país nos últimos anos, movimento que levou a taxa Selic a 15% ao ano — o maior patamar em cerca de duas décadas. Atualmente, ela está em 14,50% ao ano, com perspectiva de queda.

A lógica é simples: quanto maiores os juros, maior tende a ser o retorno de aplicações de renda fixa, que costumam oferecer menos risco. Dessa forma, muitos investidores preferem direcionar recursos para esses investimentos, reduzindo o interesse por IPOs.

Além dos juros elevados, também pesou a preocupação com as contas públicas do país. Antes de lançar uma oferta inicial de ações, as empresas costumam levar em conta todo esse cenário econômico, além de fatores internos e das condições do mercado.

Apesar das incertezas provocadas pelo tarifaço do presidente dos EUA, Donald Trump, e pelos conflitos no Oriente Médio, a expectativa do mercado é de queda da taxa Selic para 13% ao ano, o que tende a melhorar o ambiente para esse tipo de operação. Para o fim de 2027, a projeção é de juros em 11% ao ano.

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