A China passa por uma transformação que afeta diretamente o Brasil. Como explica Larissa Wachholz, especialista do núcleo de Ásia do Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais), a potência asiática busca reduzir sua dependência externa — especialmente de importações como soja e proteínas brasileiras.
Pequim acelera uma estratégia de autossuficiência alimentar porque a fome, historicamente presente no país, é tratada hoje como uma “vulnerabilidade”. Por isso, o 15º Plano Quinquenal, que orienta o desenvolvimento do gigante asiático, projeta um crescimento mais moderado e maior foco no fortalecimento do mercado interno. Nesse contexto, segurança alimentar e segurança nacional passam a caminhar juntas.
Esse movimento já aparece nos indicadores: na última década, a participação das importações no PIB chinês caiu de 22% para menos de 18%. Na área de alimentos, a estratégia combina tecnologia, subsídios, expansão da produção doméstica e estoques elevados — um cenário que tende a pressionar exportadores no longo prazo. Hoje, o Brasil responde por 25% de tudo o que a China importa do agronegócio global.
Diante disso, analistas avaliam que a relação bilateral permanece sólida no curto prazo, mas impõe um desafio estratégico: como o Brasil deve se posicionar diante de uma China que continua investindo aqui, mas busca depender cada vez menos do mundo?
Para Wachholz, o país também precisa ficar atento a possíveis acordos entre Estados Unidos e China e ampliar seu leque de parceiros comerciais.
Convidado: Larissa Wachholz, especialista do núcleo de Ásia do Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais)
O que você precisa saber:
O podcast O Assunto é produzido por: Luiz Felipe Silva, Sarah Resende, Carlos Catelan, Luiz Gabriel Franco, Juliene Moretti , Stéphanie Nascimento e Guilherme Gama. Apresentação: Victor Boyadjian. Colaborou neste episódio Paula Paiva Paulo.

Por que o exportador brasileiro vai ter que se sofisticar
O Assunto é o podcast diário produzido pelo g1, disponível em todas as plataformas de áudio e no YouTube. Desde a estreia, em agosto de 2019, o podcast O Assunto soma mais de 168 milhões de downloads em todas as plataformas de áudio. No YouTube, o podcast diário do g1 soma mais de 14,2 milhões de visualizações.
‘Efeito China’: aproximação com o gigante asiático pode enfraquecer a indústria no Brasil? — Foto: Getty Images via BBC