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Como a cerveja é feita? Do lúpulo à levedura, veja o caminho da bebida | G1

por Gilberto Cruz
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Um dos maiores desafios da produção nacional está justamente no cultivo do lúpulo, uma das principais matérias-primas da bebida. A planta precisa de longos períodos de luminosidade para se desenvolver, condição comum em países como Estados Unidos e Alemanha durante o verão, mas rara no Brasil.

Para contornar esse obstáculo, produtores brasileiros recorrem à iluminação artificial e “enganam” a planta, simulando dias mais longos para estimular seu crescimento.

Além de ser um ingrediente essencial da cerveja, o lúpulo também desperta curiosidade por pertencer à mesma família botânica da cannabis, a Cannabaceae. Apesar do parentesco, as semelhanças praticamente terminam aí.

“O lúpulo não tem o THC, por exemplo, que a maconha produz. Então, ela não é uma planta que vai dar o efeito entorpecente que a maconha dá”, explica o produtor Murilo Ricci.

Segundo ele, a planta produz apenas um efeito relaxante e tem cultivo permitido no Brasil.

‘Rotas da Cerveja’ é lançado com circuitos em Sorocaba, Votorantim, Jundiaí e região — Foto: Divulgação/Cervejaria Alvorada

O que realmente vai para a cerveja

A parte mais valiosa do lúpulo está na flor. Nela ficam pequenos grãos dourados chamados lupulina, responsáveis por boa parte do amargor e dos aromas característicos da cerveja, além dos óleos essenciais utilizados na produção da bebida.

Depois da colheita, as flores passam por um processo cuidadoso. Elas não podem ser lavadas para evitar a oxidação. Em seguida, são limpas manualmente e levadas para a secagem, etapa que reduz a umidade natural da flor e dura entre 16 e 20 horas.

‘Rotas da Cerveja’ é lançado com circuitos em Sorocaba, Votorantim, Jundiaí e região — Foto: Divulgação/Cervejaria Pangea

“No processo de fabricação da cerveja, a gente costuma usar o lúpulo no formato que chamamos de pellet”, explica Guilherme Manganello, engenheiro de alimentos e cervejeiro.

Triturado e prensado, o ingrediente se torna mais prático para ser incorporado ao processo de fabricação.

Não é só o lúpulo

Embora seja um dos ingredientes mais conhecidos, o lúpulo está longe de ser o único componente da cerveja.

Segundo Manganello, a base da maioria das receitas é o malte pilsen, também chamado de malte claro ou malte base. Nas cervejas classificadas como puro malte, a bebida é produzida apenas com malte, sem a adição de outros cereais.

Além do malte de cevada, também é possível utilizar malte de trigo, responsável pelas tradicionais cervejas de trigo. Outras receitas podem incluir ingredientes conhecidos como adjuntos cervejeiros, como milho, arroz, centeio e sorgo.

Taça, copo, cerveja, álcool, bebida alcoólica. — Foto: Reprodução/EPTV

Quem faz a cerveja é a levedura

Na fábrica, os grãos são moídos e misturados à água para formar um líquido adocicado chamado mosto. Apesar de toda a tecnologia envolvida, Guilherme destaca que essa etapa ainda não produz a cerveja.

“Nós, enquanto cervejeiros, não fazemos cerveja. A gente faz mosto. Quem faz a cerveja é a levedura”, afirma.

Após um primeiro período de descanso e resfriamento, o mosto recebe a levedura, microrganismo responsável pela fermentação. É ela que consome os açúcares presentes no líquido e os transforma em álcool, gás carbônico e diversos compostos responsáveis pelos sabores e aromas da bebida.

Segundo o cervejeiro, esse processo leva entre 15 e 20 dias. Só depois disso a cerveja segue para o envase, recebe tampa e rótulo e vai para a câmara fria, onde permanece refrigerada para preservar o frescor.

Afinal, qual é a diferença entre cerveja e chopp?

Uma dúvida comum entre consumidores é se existe diferença entre cerveja e chopp.

No Brasil, convencionou-se chamar de cerveja a bebida pasteurizada — aquela que passa por aquecimento para aumentar a durabilidade —, enquanto o chopp não é submetido a esse processo.

Guilherme explica que, na cervejaria onde trabalha, a opção é não pasteurizar a bebida.

“A gente quer manter essa cerveja o mais fresca possível”, diz. Segundo ele, embora a pasteurização aumente o tempo de conservação, o processo também reduz parte do frescor que caracteriza a bebida.

A favorita dos brasileiros

Entre os diversos estilos produzidos no país, a pilsen continua sendo a preferida dos brasileiros. O estilo é conhecido pela coloração dourada, amargor moderado e teor alcoólico geralmente entre 4,5% e 4,8%, características que ajudam a explicar sua popularidade.

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