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Com novos tratamentos, estudo propõe mudar critério para identificar pacientes com forma mais grave de mieloma múltiplo

por Gilberto Cruz
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Com novos tratamentos, estudo propõe mudar critério para identificar pacientes com forma mais grave de mieloma múltiplo
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Os avanços no tratamento do mieloma múltiplo — um câncer que afeta os plasmócitos, células produzidas pela medula óssea — estão mudando a forma como os médicos avaliam o prognóstico da doença.
Um estudo publicado na revista Cancer, da Sociedade Americana do Câncer, sugere ampliar de 18 para 36 meses o período considerado para identificar pacientes com o chamado mieloma múltiplo funcional de alto risco.
Segundo os pesquisadores, esse novo critério reflete melhor a realidade dos tratamentos atuais e pode ajudar a reconhecer mais cedo quem precisa de abordagens terapêuticas mais agressivas ou de inclusão prioritária em estudos clínicos.
A proposta surge porque os esquemas modernos conseguem controlar a doença por mais tempo do que no passado. Com isso, pacientes que antes seriam considerados de risco intermediário podem, na prática, apresentar uma evolução igualmente desfavorável.
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O que é o mieloma múltiplo funcional de alto risco
O mieloma múltiplo funcional de alto risco reúne pacientes cuja doença volta ou progride rapidamente mesmo após o tratamento inicial, um comportamento associado a menor sobrevida.
Até hoje, a classificação considerava principalmente os casos em que a recaída acontecia até 18 meses após o início da terapia. Esse parâmetro, porém, foi estabelecido antes da incorporação dos tratamentos mais modernos.
Atualmente, muitos pacientes recebem uma combinação de quatro medicamentos — incluindo anticorpos monoclonais, inibidores de proteassoma, imunomoduladores e corticoides — seguida, em muitos casos, de transplante autólogo de células-tronco.
Essas estratégias prolongaram significativamente o tempo de controle da doença, tornando necessário revisar os critérios de risco.
O que o estudo mostrou
Os pesquisadores acompanharam 310 pacientes recém-diagnosticados tratados com terapia quádrupla seguida de transplante autólogo de células-tronco por cerca de três anos e meio.
Nesse período, foram registrados 66 casos de progressão da doença. A equipe comparou diferentes intervalos para definir alto risco funcional — de 12, 18, 24 e 36 meses após o início do tratamento — e concluiu que o limite de três anos foi o que melhor identificou os pacientes cuja expectativa de sobrevida após a progressão permanecia inferior a dois anos.
Isso significa que a doença pode demorar mais para voltar por causa da maior eficácia dos tratamentos atuais, sem que isso represente necessariamente um prognóstico melhor quando ocorre a recaída.
Os pacientes cuja doença progrediu nos primeiros 36 meses representaram 16,4% da amostra analisada.
Critérios tradicionais deixam pacientes de fora
Outro achado foi que os sistemas tradicionais de classificação de risco não conseguem identificar todos os pacientes com evolução mais agressiva.
Entre aqueles que preencheram o novo critério de alto risco funcional, mais de um terço ainda era considerado de baixo estágio da doença por um dos principais sistemas de classificação utilizados atualmente. Além disso, pouco mais da metade era enquadrada como de risco padrão por outro modelo amplamente adotado na prática clínica.
Segundo os autores, isso mostra que a evolução clínica continua fornecendo informações importantes que nem sempre aparecem nos exames realizados no momento do diagnóstico.
Tipos de terapia com melhores resultados
O estudo também analisou os tratamentos utilizados após a progressão da doença.
Pacientes que receberam terapias de redirecionamento de células T — grupo que inclui estratégias capazes de direcionar o sistema imunológico para atacar as células do mieloma — apresentaram resultados significativamente melhores.
Após um ano, 80% permaneciam sem progressão da doença, ante 23% entre aqueles tratados por outras abordagens. A taxa de resposta ao tratamento também foi superior: 91%, contra 47%.
Mesmo após ajustes estatísticos, esse tipo de terapia permaneceu associado a melhores resultados.
O que muda na prática
Os pesquisadores defendem que, na era dos tratamentos modernos, o mieloma múltiplo funcional de alto risco passe a incluir pacientes cuja doença progride até 36 meses após o início da terapia, e não apenas aqueles que apresentam recaída nos primeiros 18 meses.
Na avaliação dos autores, a mudança pode ajudar os médicos a identificar com maior precisão os pacientes com pior prognóstico, direcionando-os mais cedo para tratamentos inovadores e para ensaios clínicos.
Eles ressaltam, porém, que os resultados ainda precisam ser confirmados por estudos independentes antes que a nova definição seja incorporada às diretrizes clínicas.

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