O roubo, atribuído pelo FBI à Coreia do Norte, pode ser o maior assalto financeiro da história, segundo analistas. O episódio se soma a uma série recente de ataques contra o setor de criptomoedas. No ano passado, criminosos roubaram o equivalente a US$ 2,9 bilhões (R$ 15,7 bilhões) em quase 150 ataques, segundo pesquisadores da TRM Labs.
Fundada na China, a Binance afirmou que a primeira fase da retomada abrangeria 15 criptoativos, incluindo bitcoin, ether, XRP e dogecoin. Os saques de bitcoin foram restabelecidos pouco depois das 3h (horário de Brasília). As retiradas de ether, BNB e das stablecoins USDT e USDC também foram retomadas.
FBI atribui ataque a grupo ligado à Coreia do Norte
A Coreia do Norte nega há anos usar grupos cibernéticos ligados ao Estado para espionagem, roubos financeiros e obtenção de receitas. A missão norte-coreana em Genebra e a embaixada do país na China não responderam aos pedidos de comentário.
O FBI afirmou que autoridades americanas observaram integrantes do grupo convertendo os ativos roubados principalmente em ether. A agência disse ainda esperar novas etapas de lavagem desses recursos por meio de plataformas de finanças descentralizadas (DeFi) e serviços de troca instantânea de criptomoedas.
Analistas também atribuíram o roubo à Coreia do Norte.
A maior parte do roubo ocorreu em cerca de 20 minutos, a partir da noite de quinta-feira, e apresentou semelhanças com grandes ataques anteriores atribuídos à Coreia do Norte, segundo as empresas americanas de análise de blockchain TRM Labs e Chainalysis.
“Não sabemos se é a Coreia do Norte, mas, se for, conversaremos com a Coreia do Norte sobre isso”, disse Trump a repórteres no sábado. A declaração foi publicada por uma conta da Casa Branca no X.
Binance diz que vai arcar com prejuízo
A corretora afirmou que arcará com o prejuízo provocado pelo ataque e reservou cerca de US$ 6,34 bilhões (R$ 34,4 bilhões) de recursos próprios para cobrir as perdas.
Os recursos usados para comprar tokens de reposição vieram de diferentes reservas da Binance. Entre elas estão o Secure Asset Fund for Users (SAFU), fundo de cerca de US$ 1 bilhão (R$ 5,4 bilhões) mantido pela empresa para proteger clientes em casos de incidentes de segurança, além de parte do fundo de seguros ligado a operações com futuros e do caixa da companhia, segundo a empresa.
O co-CEO Yi He afirmou no sábado que metade dos recursos do SAFU seria usada para cobrir as perdas. A Binance se comprometeu a recompor o fundo posteriormente para cerca de US$ 1 bilhão.
Richard Teng, o outro co-CEO da Binance, afirmou que a invasão foi um “ataque complexo” que envolveu um laptop comprometido e um software malicioso projetado para apagar rastros de sua atividade, dificultando a investigação.
Os preços das criptomoedas caíram na sexta-feira, enquanto a Binance tentava tranquilizar os clientes e afirmava que os recursos dos usuários estavam seguros após o ataque.
A Binance, plataforma que permite comprar, vender e negociar ativos digitais, tinha 335 milhões de usuários registrados em todo o mundo e cerca de US$ 162,8 bilhões (R$ 888,6 bilhões) em ativos sob custódia, segundo seu relatório anual de 2025.
Logo da Binance. — Foto: Unsplash/Kanchanara
Fundador da Binance agradece a autoridades dos EUA
Em uma publicação no X que citava a declaração do FBI sobre o envolvimento da Coreia do Norte, a Binance agradeceu à agência pelo apoio. A empresa não respondeu a um pedido de comentário da Reuters sobre a atribuição do ataque ao país.
Changpeng Zhao, fundador da Binance, afirmou que as autoridades americanas prestaram ajuda fundamental no caso, inclusive no rastreamento e congelamento dos ativos roubados. Zhao havia sido condenado nos Estados Unidos por falhas no programa de combate à lavagem de dinheiro da Binance e foi posteriormente perdoado por Trump.
“Um post não consegue expressar totalmente nossa gratidão. Muitos entusiastas de criptomoedas podem não perceber, mas grande parte do mérito por o bitcoin não ter caído ainda mais é deles”, escreveu Zhao, referindo-se às autoridades americanas.
