O município concentra a maior parte da produção capixaba da noz. Por ano, uma cooperativa local recebe cerca de 1.600 toneladas de macadâmia, que passam por beneficiamento antes de serem comercializadas no Brasil e em outros países.
Cultivo começou a ganhar força nos anos 1980
A produção de macadâmia começou a ganhar espaço em São Mateus na década de 1980, período em que a agricultura do Norte do estado passava por transformações e os agricultores buscavam alternativas para diversificar as atividades no campo.
Segundo o produtor Eliseu Bonomo, o governo estadual participou desse processo com subsídios e distribuição de mudas.
“Com a década de 1980, houve uma grande mudança no Espírito Santo, especialmente no Norte do estado, na agricultura. Antes, era muita agricultura familiar e ali foi um período de transformação, onde começaram a chegar novas culturas, novas atividades e muitos foram em busca de novas alternativas agrícolas. E, nesse buscar de novas alternativas, a macadâmia também foi uma delas”, contou.
Ao longo dos anos, porém, os desafios da atividade fizeram com que muitos produtores abandonassem o cultivo. Na família Bonomo, a produção continuou de uma geração para outra.
Produção de macadâmia atravessa gerações e fortalece a agricultura em São Mateus, no Norte do Espírito Santo — Foto: Raphael Verly
Ítalo Bonomo deu sequência ao trabalho iniciado pelo pai e passou a investir em tecnologia para facilitar uma das etapas mais trabalhosas do processo: a colheita.
Máquinas ajudam a reduzir custos
Há três anos, a propriedade da família adquiriu máquinas capazes de recolher do chão as macadâmias que caem das árvores. A tecnologia diminuiu a necessidade de trabalhadores nessa etapa e ajudou a reduzir os custos da produção.
“Isso fez com que o nosso trabalho demandasse menos pessoas e também reduziu o custo e ganhou um pouco em qualidade também do serviço. Vem ajudando a gente nesse processo de colheita, que é um processo que demanda bastante pessoas”, explicou Ítalo.
Mesmo com a mecanização, o trabalho manual continua importante, especialmente durante a colheita, quando aumenta a necessidade de mão de obra.
A propriedade tem aproximadamente 100 hectares destinados à atividade. São 15 funcionários fixos durante o ano, número que chega a cerca de 30 no período de colheita.
“Hoje, para trabalhar nessa área de aproximadamente 100 hectares, nós temos 15 funcionários fixos que trabalham o ano todo e, no período de colheita, esse número de funcionários dobra”, afirmou.
Produção de macadâmia atravessa gerações e fortalece a agricultura em São Mateus, no Norte do Espírito Santo — Foto: Raphael Verly
Da amêndoa para doces, biscoitos e gelatos
Além de vender a noz, produtores da região encontraram outra forma de aproveitar a macadâmia: transformá-la em alimentos com maior valor agregado.
Na fazenda administrada por Ana Paula, a amêndoa é usada na fabricação de doces, biscoitos e gelatos. A ideia começou com a tia dela, que desenvolveu um doce de macadâmia durante um curso do Empretec.
Quando assumiu a administração da propriedade, Ana Paula decidiu tirar a ideia do papel e ampliar a produção.
“Tudo começou com a minha tia fazendo curso do Empretec, em que ela tinha que desenvolver um produto. Como ela também é produtora de macadâmia, ela criou o doce de macadâmia. E eu, em seguida, assim que assumi a administração aqui da fazenda, falei assim: ‘Vou colocar em prática e produzir esse doce para o Brasil e quem sabe para o mundo todo'”, contou.
O processamento permite aproveitar a amêndoa em diferentes receitas e criar alternativas de comercialização para além da venda tradicional da noz.
“A macadâmia é processada, então a gente pega o produto e traz aqui para a mesa para fazer essas delícias, que não é só o doce. Aqui na fazenda nós fazemos o doce, o biscoito e o gelato”, explicou.
Produção de macadâmia atravessa gerações e fortalece a agricultura em São Mateus, no Norte do Espírito Santo — Foto: Raphael Verly
Espírito Santo é o segundo maior produtor do país
O Espírito Santo ocupa a segunda posição entre os maiores produtores de macadâmia do Brasil, atrás de São Paulo, segundo os produtores entrevistados.
No estado, São Mateus se destaca pela concentração do cultivo e pela organização dos agricultores em torno da cooperativa.
“São Paulo é o maior produtor do Brasil, e nós somos o segundo maior. E aqui, especialmente aqui no Norte do estado, em São Mateus, a gente tem esse trabalho e, através da cooperativa, conseguiu manter e se organizar com esse trabalho que a gente acha muito importante para nós, produtores de macadâmia”, afirmou Eliseu Bonomo.
Entre a continuidade do trabalho familiar, a mecanização da colheita e a criação de novos produtos, os agricultores buscam manter viva uma atividade que começou a ganhar força na região há mais de 30 anos e que hoje alcança consumidores dentro e fora do Brasil.
Cooperativa reúne produtores há mais de 25 anos
Produção de macadâmia atravessa gerações e fortalece a agricultura em São Mateus, no Norte do Espírito Santo — Foto: Raphael Verly
A união dos agricultores também ajudou a manter a atividade na região. Em 1999, produtores de São Mateus criaram uma cooperativa para compartilhar conhecimentos, enfrentar dificuldades e organizar as etapas de beneficiamento e comercialização da macadâmia.
Desde então, a estrutura se tornou um ponto importante para reunir a produção local e preparar a noz para chegar aos consumidores.
Por ano, a cooperativa recebe aproximadamente 1.600 toneladas. Depois do beneficiamento, a macadâmia pode ser comercializada in natura ou torrada.
Parte da produção é enviada para os Estados Unidos e países da Europa e da América do Sul. Outra parte abastece o mercado brasileiro.
*Texto adaptado por Matheus Souza, aluno do 29º Curso de Residência em Jornalismo. Este conteúdo teve orientação de Juirana Nobres e edição de Vitor Ferri.
Produção de macadâmia atravessa gerações e fortalece a agricultura em São Mateus, no Norte do Espírito Santo — Foto: Raphael Verly
Produção de macadâmia atravessa gerações e fortalece a agricultura em São Mateus, no Norte do Espírito Santo — Foto: Raphael Verly
