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Bayer apresenta recurso nos EUA em processo sobre glifosato | G1

por Gilberto Cruz
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A Bayer recorreu de uma decisão de um júri em um tribunal estadual do Missouri que condenou a empresa a pagar US$ 1,25 milhão a John Durnell. Ele afirmou ter sido diagnosticado com linfoma não Hodgkin após anos de exposição ao glifosato, substância presente no Roundup.

Paul Clement, advogado que representa a Bayer, disse aos juízes que a legislação federal que regula pesticidas impediria que ações baseadas em leis estaduais, como a movida por Durnell, avançassem na Justiça quando tratam da obrigação de advertência ao consumidor.

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A empresa alemã, que atua nos setores farmacêutico e agrícola, argumenta que a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) concluiu repetidas vezes que o glifosato não causa câncer e aprovou os rótulos do produto sem qualquer alerta desse tipo.

“Um júri do Missouri impôs uma exigência de alerta sobre câncer que a EPA não faz. Essa exigência adicional é preterida”, afirmou Clement.

Segundo ele, o Congresso deixou claro que buscava padronização nas advertências de segurança presentes nos rótulos de pesticidas.

Ignorar essa diretriz, disse o advogado, abriria espaço para uma avalanche de processos e colocaria em risco os interesses de agricultores que dependem de produtos registrados em nível federal para garantir sua renda.

De acordo com a Bayer, mais de 100 mil autores já entraram com ações em tribunais estaduais e federais nos Estados Unidos alegando relação entre o produto e o câncer. A empresa afirma que uma decisão favorável da Suprema Corte pode encerrar a maior parte dos processos envolvendo o Roundup.

Associações ligadas ao agronegócio apoiam a empresa no caso, assim como o governo do presidente republicano Donald Trump.

Do outro lado, entidades ambientais, representantes de trabalhadores rurais e grupos de saúde pública apresentaram manifestações em apoio a Durnell.

Bayer anunciou que fechou acordo pela compra da Monsanto — Foto: Marco Bello/Reuters/Arquivo; Brendan McDermid/Reuters/Arquivo

Glifosato retirado do uso doméstico

A Bayer passou a controlar o Roundup após a compra da empresa de agroquímicos Monsanto por US$ 63 bilhões, em 2018.

O volume de processos levou a companhia a retirar o glifosato da versão do produto voltada ao consumidor doméstico.

A empresa também afirmou que as ações judiciais podem comprometer sua capacidade de fornecer o herbicida aos agricultores. Causando, então, o risco de indenizações bilionárias.

O centro da disputa é uma lei federal conhecida como Lei de Inseticidas, Fungicidas e Raticidas, que regula a venda e a rotulagem de pesticidas e impede que os estados imponham exigências diferentes ou adicionais às previstas em nível federal.

Essa legislação proíbe, em especial, a comercialização de produtos com rótulos considerados enganosos, quando não trazem alertas adequados para proteger a saúde e o meio ambiente.

A Bayer sustenta que as alegações feitas por Durnell não seriam válidos justamente por causa dessa lei.

A empresa afirma que a EPA aprovou repetidamente rótulos sem advertência sobre câncer, o que demonstraria que o produto não é rotulado de forma inadequada. A companhia também destaca que mudanças significativas nos rótulos dependem de autorização da agência.

Os advogados de Durnell argumentam que, mesmo com o registro do Roundup pela EPA, o rótulo ainda pode ser questionado judicialmente.

Eles afirmam que as ações não entram em conflito com a lei federal, pois a legislação do Missouri exige o mesmo princípio previsto na norma nacional: que os produtos alertem de forma adequada sobre seus riscos.

Durnell processou a Monsanto em um tribunal estadual do Missouri em 2019, alegando que a empresa falhou ao não informar os usuários sobre os perigos associados ao Roundup e ao glifosato.

Ele foi diagnosticado com uma forma rara e agressiva de linfoma não Hodgkin, um tipo de câncer que se origina nos glóbulos brancos, e atribuiu a doença à exposição ao herbicida a partir de 1996.

Por cerca de 20 anos, atuou como o responsável pela aplicação do produto em áreas verdes de um bairro de St. Louis, pulverizando o herbicida em parques locais sem o uso de equipamentos de proteção, segundo documentos do processo.

O júri deu razão a Durnell em 2023, e, em 2025, um tribunal de apelação estadual manteve a decisão.

A expectativa é que a Suprema Corte anuncie sua decisão até o fim de junho. Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada na semana passada indicou os riscos políticos para o governo Trump ao apoiar a Bayer.

Segundo o levantamento, 63% dos entrevistados disseram ser contrários à proteção de empresas contra processos judiciais quando elas vendem produtos que causam câncer, mesmo que haja algum tipo de aviso sobre o risco.

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