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Azzas 2154 anuncia cisão após crise entre sócios e queda nos resultado | G1

por Gilberto Cruz
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A companhia surgiu em 2024, a partir da fusão entre a Arezzo&Co e o Grupo Soma. A união criou um dos maiores grupos de moda do país, mas, desde então, a empresa passou por mudanças que culminaram na decisão de separar novamente os negócios.

A reorganização prevê a separação dos negócios entre a Arezzo&Co, que será liderada pelo bloco de Birman, e a SOMA, sob comando do bloco de Jatahy.

As duas empresas deverão ser listadas no Novo Mercado da B3 e terão estruturas próprias de administração e governança.

A operação também prevê a criação de uma sociedade específica para reunir a Farm e suas extensões, com participação de 57,4% da Arezzo&Co e 42,6% da SOMA.

No comunicado enviado ao mercado nesta quarta-feira (2), Birman e Jatahy afirmam que a separação permitirá uma estrutura mais adequada para os diferentes negócios do grupo. Segundo eles:

“A Reorganização tem por propósito permitir que cada companhia resultante opere com administração separada, com foco em seus respectivos modelos de negócios e oportunidades de mercado, além de acesso direto e independente ao mercado de capitais e a outras fontes de financiamento.”

A decisão acontece após um período marcado por divergências entre os dois grupos de acionistas e mudanças na estrutura de comando da companhia.

Ao longo do último ano, a Azzas 2154 passou por alterações no conselho de administração e em sua governança, em meio aos impasses envolvendo os dois principais grupos de acionistas.

Dança das cadeiras

As mudanças no alto escalão da companhia começaram a ganhar força em maio de 2025, apenas nove meses após a conclusão da fusão entre Arezzo e Soma.

A primeira saída foi a do empresário Guilherme Benchimol — fundador da XP e então membro do conselho de administração da Azzas —, que renunciou ao cargo devido a “outros compromissos profissionais”, que demandavam “crescente disponibilidade de tempo e agenda”. André De Vivo assumiu a vaga.

Em junho, a empresa anunciou uma reestruturação no conselho de administração. Na mesma data, nomeou Nicola Calicchio Neto como presidente e Marcel Sapir como vice-presidente do colegiado, em substituição a Pedro Parente e Anna Chaia, que renunciaram aos cargos.A Azzas 2154, criada em 2024 pela fusão entre Arezzo&Co e Grupo Soma, será dividida novamente, com o anúncio feito nesta quarta-feira (2).

Nos meses seguintes, outros executivos deixaram seus cargos, como Rony Meisler, fundador da marca Reserva. O último deles foi o próprio Calicchio Neto, que deixou a presidência do conselho um ano após assumir a função.

Resultados mais fracos

Além das mudanças no alto escalão, os resultados da empresa também perderam força nos últimos trimestres.

No segundo trimestre deste ano, a companhia registrou lucro líquido recorrente de R$ 106,5 milhões, queda de 62,5% em relação ao mesmo período de 2025.

O resultado, porém, foi superior ao do primeiro trimestre, quando o lucro recorrente havia sido de R$ 63,9 milhões. A melhora de um trimestre para o outro ocorreu mesmo com a receita líquida em queda, e foi influenciada principalmente pela melhora da margem bruta e do resultado financeiro.

Os resultados anteriores já mostravam uma piora no desempenho da companhia. De janeiro a março, o lucro líquido havia recuado 45,7% em relação ao primeiro trimestre de 2025, passando de R$ 117,7 milhões para R$ 63,9 milhões.63,9 milhões.

Como fica a divisão por marcas

  • Arezzo
  • Schutz
  • Anacapri
  • Vans
  • Alexandre Birman
  • Carol Bassi
  • Hering e extensões
  • 57,4% da sociedade que reunirá a FARM Rio
  • Animale
  • NV
  • Maria Filó
  • Cris Barros
  • Reserva e extensões
  • Oficina
  • Foxton
  • 42,6% da sociedade que reunirá a FARM Rio

Os sócios na Justiça

Outro episódio marcante envolvendo a companhia ocorreu em maio, quando Jatahy entrou com um processo judicial contra Birman pedindo que a Justiça barrasse mudanças internas promovidas pelo então presidente da empresa.

A Justiça acatou o pedido e determinou que a empresa não pode fazer alterações em sua estrutura interna neste momento, mantendo Jatahy como responsável pelas unidades de vestuário feminino e masculino. Birman tentou reverter a decisão, mas teve o pedido negado.

Em comunicado divulgado a investidores, a companhia afirmou ter sido “surpreendida” pela existência do pedido judicial protocolado por Jatahy.

Agora no g1

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“A companhia buscará acesso às informações pertinentes relacionadas à referida ação e tomará medidas que sejam aplicáveis”, afirmou o diretor financeiro corporativo, Eric Alexandre Alencar, no documento.

O caso evidenciou os desentendimentos entre os sócios e aumentou as expectativas em torno de uma eventual cisão da companhia.

Arezzo&Co e Grupo Soma: negócios complementares na moda

A fusão que deu origem à Azzas 2154 partiu de duas empresas relevantes do setor de moda, com atuações complementares.

Enquanto a Arezzo&Co concentrava seus negócios em calçados, bolsas e acessórios — com marcas como Arezzo, Schutz e Reserva em seu portfólio —, o Grupo Soma tinha força no segmento de vestuário, reunindo grifes como Farm, Animale e Hering.

A união das duas companhias, anunciada em 2024, criou uma gigante do varejo nacional, com mais de 30 marcas de roupas, calçados e acessórios, cerca de 2 mil lojas e faturamento conjunto estimado em R$ 12 bilhões.

À época, como o g1 mostrou, a criação da Azzas foi bem recebida pelo mercado financeiro, que esperava que a empresa se consolidasse como um dos principais grupos de moda do país, com portfólio ampliado e oferta mais completa ao consumidor de renda média e alta.

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