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Audi Q3 evolui para peitar BMW e Mercedes, mas tropeça em tecnologia | G1

por Gilberto Cruz
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É o caso da Denza, divisão de luxo da BYD, e da Wey, marca mais sofisticada da GWM.

Imagem Formato SUV Imagem Formato Sportback

Audi Q3 SUV — Foto 1: Formato SUV — Foto 2: Formato Sportback

O g1 passou uma tarde ao volante das duas versões, rodando cerca de 300 km pelo interior de São Paulo. Do total, aproximadamente 10% do percurso foi em área urbana, enquanto o restante ocorreu em estradas, com limite de 120 km/h e tráfego livre.

Com diferenças restritas ao preço, ao desenho externo e ao tamanho do teto solar, as duas versões passaram por mudanças internas significativas. A ideia é adotar uma proposta mais tecnológica, linha que a Audi tem seguido principalmente em seus modelos mais caros e elétricos.

Audi aposta em tecnologia, mas tropeça na execução

Audi Q3 2026

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Audi Q3 2026 — Foto: divulgação/Audi

Por fora, o Audi Q3 adota linhas mais fluidas e menos “quadradas” do que as de Mercedes-Benz e BMW, deixando claro um foco maior em modernidade e tecnologia — algo que não é prioridade para suas rivais. Essa proposta aparece em detalhes como o sistema de iluminação em LED com múltiplos pontos.

Esses pontos de luz conseguem “recortar” o veículo que vem no sentido contrário e desligar a luz alta apenas nessa área, mantendo a iluminação no restante da via. O sistema vai além e também projeta informações diretamente no asfalto, como:

Audi Q3 com iluminação inteligente — Foto: divulgação/Audi

  • Projetar um retângulo de lado a lado da faixa, com iluminação mais forte do que nas bordas, para aumentar a visibilidade exatamente naquele trecho da pista;
  • As laterais desse retângulo podem “entortar”, sinalizando a aproximação de curvas ou de um estreitamento da via;
  • Projetar o símbolo de um floco de neve na pista quando a temperatura externa estiver abaixo de 4 °C, alertando para o risco de gelo na via.

Audi Q3 com iluminação inteligente — Foto: divulgação/Audi

Vale destacar que esse recurso está disponível apenas nos modelos vendidos no exterior. Ao g1, a Audi afirmou que não descarta oferecer a tecnologia no Brasil, mas, por enquanto, o modelo nacional conta apenas com ajuste automático do farol alto.

Disponível tanto no Brasil quanto no exterior, a iluminação diurna oferece quatro combinações diferentes, permitindo que o motorista personalize o desenho dos LEDs. O mesmo vale para as lanternas traseiras, mas o que mais chama atenção é a iluminação do logotipo da Audi.

Audi Q3 com iluminação inteligente — Foto: divulgação/Audi

O logotipo apagado é branco, mas muda para vermelho e fica iluminado quando o motorista aciona o freio ou está com as lanternas acesas. A solução já aparece em alguns modelos chineses, como Avatr 06, Leapmotor C01 e BYD Dolphin, Seal e Yuan Plus em suas versões mais recentes vendidas na China.

No Brasil, a iluminação do logotipo traseiro ainda é raríssima e aparece em poucos modelos, como os novos Volkswagen Tiguan e Taos.

Audi Q3 2026 — Foto: divulgação/Audi

Outro destaque é o crescimento da central multimídia, que saiu de 8,8 para 12,8 polegadas. Além de maior, a tela foi reposicionada e agora fica alinhada ao painel digital de instrumentos. Apesar de também ter bom tamanho, com 11,9 polegadas, o quadro de instrumentos do motorista mostra uma escolha questionável: ele é estreito demais.

O tamanho elevado em polegadas se explica pela forma como as telas são medidas: pela diagonal. Isso permite que uma tela seja larga, mas baixa. No Audi Q3, as bordas ficam muito aparentes, e o problema vai além da estética, afetando também a leitura das informações.

Quadro de instrumentos do Audi Q3 é fino — Foto: divulgação/Audi

Para reforçar o ponto negativo, a quantidade de informações exibidas é bastante limitada. Na tela, é possível ver apenas:

  • O conta-giros isolado, posicionado no centro;
  • A representação gráfica dos veículos ao redor, identificados pelos sensores do carro;
  • A projeção do Google Maps, do Waze ou do sistema de navegação nativo do carro.

Há uma diferença grande em relação ao que os carros da Volkswagen, que é dona da Audi, oferecem. Neles, a personalização dessa mesma tela — que é mais alta — é bem mais ampla.

Nesses modelos, é possível adicionar ou remover mostradores analógicos, escolher quais informações aparecem no centro e definir o que é exibido entre eles — ou até optar por uma visualização apenas numérica, sem ponteiros.

Até mesmo o Volkswagen Polo, um dos carros mais simples e baratos da marca no Brasil, oferece mais opções de personalização do que o Audi Q3.

A limitação da tela estreita poderia ser amenizada com a projeção de informações no para-brisa, recurso que não está disponível no modelo.

Além disso, outros dois itens ligados à tecnologia também decepcionam. O primeiro é o piloto automático adaptativo, que mantém corretamente a distância do veículo à frente e identifica carros ao redor, mas não mantém o Q3 centralizado na faixa.

O sistema conta com alerta visual de saída de faixa e emite avisos quando o carro começa a se deslocar para fora dela. No entanto, durante o teste, esses alertas não funcionaram em todas as situações. Em alguns trechos de pista livre, o veículo mudou de faixa gradualmente sem qualquer aviso ao motorista.

Audi Q3 2026

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Audi Q3 2026 — Foto: divulgação/Audi

Outro ponto negativo é a ausência de alerta de ponto cego. Não há luz nos retrovisores nem outro recurso, como uma câmera que mostre o tráfego ao lado do carro.

A ausência do recurso é parcialmente compensada por retrovisores mais largos na horizontal, que ampliam o campo de visão em relação a um espelho convencional — solução semelhante à adotada pela Jeep em alguns de seus modelos.

Audi Q3 cumpre a proposta premium

Quase todo o acabamento do Audi Q3 é macio ao toque. As exceções ficam por conta do plástico preto brilhante no console central e de uma faixa com acabamento metalizado que atravessa o painel de uma ponta à outra.

Visualmente, o minimalismo ganhou espaço, mas sem chegar ao exagero visto em marcas como a Volvo. O Audi Q3 ainda atende bem a um público mais conservador, típico de carros premium de fabricantes da Alemanha.

O minimalismo aparece em detalhes como o volante, que tem textura mais uniforme e existem menos botões físicos em todo o carro. Para contornar a migração dos comandos do ar-condicionado para a central multimídia, a Audi adotou botões virtuais fixos para os ajustes de climatização.

A face mais radical do minimalismo aparece no câmbio, que deixou a posição tradicional no console central e foi transferido para a coluna de direção. Ele fica atrás do volante, em uma alavanca fixa que concentra várias funções.

No lado direito está o seletor do câmbio. Já à esquerda ficam as setas indicadoras, os comandos dos limpadores do para-brisa e do vidro traseiro, além dos ajustes do farol. Tudo fica concentrado em um único conjunto, que não gira junto com o volante.

Barra fixa no Audi Q3 — Foto: arte/g1

Nos primeiros momentos ao volante, o estranhamento é inevitável e foram necessários alguns minutos para memorizar a posição de cada comando. No início do trajeto, acionar a seta exigia olhar para confirmar onde ela estava localizada.

Depois de cerca de uma hora, o estranhamento dá lugar à sensação de um ajuste bem pensado. Os comandos ficam todos ao alcance dos dedos, permitindo até associar cada função a um dedo específico.

Para isso, há texturas diferentes para cada função:

  • O limpador do para-brisa dianteiro, por exemplo, usa uma pequena roda com ranhuras;
  • O do vidro traseiro tem um botão liso, com toque mais frio;
  • As setas ficam em uma área mais áspera e reta.

Dirigibilidade segue fórmula conhecida

O motor continua sendo um 2.0 turbo, agora com mais potência. Ele passou de 231 para 258 cavalos, e o torque chega a 37,7 kgfm. Trata‑se do mesmo conjunto usado no Golf GTI vendido na Europa, que tem alguns cavalos a mais do que a versão brasileira.

Com esse conjunto, mesmo sendo o SUV mais acessível da Audi, o Q3 apresenta números superiores aos do carro mais potente e caro da Volkswagen no Brasil. A resposta ao acelerador é rápida, com todo o torque disponível já a partir de 1.650 giros.

Na prática, isso significa arrancadas sem atraso entre o comando do acelerador e o ganho de velocidade, tudo sem um ronco exagerado do motor. Para quem gosta de ouvir a potência aparecendo, o Q3 pode parecer silencioso demais — ainda assim, entrega desempenho rápido.

A aceleração de 0 a 100 km/h é feita em 5,9 segundos. Na comparação com o Golf GTI, o hatch esportivo da Volkswagen cumpre a mesma prova em 6,1 segundos, mesmo sendo mais leve e menor.

Motor 2.0 turbo do Audi Q3 — Foto: divulgação/Audi

Enquanto houve avanços no visual, na potência e em parte da tecnologia, a dirigibilidade mudou pouco, resultando em sensações mistas ao volante. A suspensão é mais firme do que a de um Volkswagen, por exemplo, algo que não chega a ser novidade nos carros da Audi.

A suspensão mais rígida, combinada com a tração integral nas quatro rodas, garante boa estabilidade em velocidades mais altas e maior controle da carroceria em curvas.

Por outro lado, nos 10% de percurso urbano — em sua maior parte na cidade de São Paulo (SP) — os impactos causados por buracos são mais percebidos pelos ocupantes. Com isso, o conforto no uso urbano fica abaixo do oferecido por SUVs chineses.

Vale a pena?

O Audi Q3 continua tratando a tecnologia como um dos pilares do projeto, algo que a marca vem adotando há algum tempo — como no retrovisor com câmera no lugar do espelho, visto nos modelos elétricos da Audi.

Há avanços nessa área, mas o modelo falha justamente em aspectos básicos da tecnologia. Um piloto automático menos completo do que o de carros mais baratos e um painel de instrumentos estreito, com poucas opções de personalização, vão na contramão dessa proposta.

Ainda assim, para quem busca um carro premium potente, com uma dirigibilidade mais envolvente, o Q3 se mostra uma boa opção. A combinação de avanços pontuais com um motor forte o deixa mais preparado para enfrentar a chegada de marcas como Denza e Wey, por exemplo.

Ao mesmo tempo, o modelo reforça sua distância em relação a Mercedes-Benz e BMW, marcas mais tradicionais no luxo e no visual. Entre as alemãs, a concorrência direta fica com:

  • BMW X1: a partir de R$ 330.950;
  • Mercedes GLA: a partir de R$ 359.900.

A BMW ainda amplia a oferta ao disponibilizar uma versão 100% elétrica do X1, chamada de iX1, com preço a partir de R$ 383.950.

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