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Após reportagem do g1, candidato com mandado de prisão renuncia; outros dizem ter quitado dívidas de pensão

por Gilberto Cruz
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EXCLUSIVO: 9 candidatos disputam as eleições de 2026 com mandados de prisão em aberto
Após o g1 revelar que nove candidatos às eleições de 2026 tinham mandados de prisão em aberto por dívida de pensão alimentícia, um deles apresentou renúncia, três afirmaram ter quitado os débitos, a assessoria de um candidato apontou erro processual e um partido informou que outro está regularizando os valores pendentes.
A dívida de pensão não gera inelegibilidade nem retira o candidato da disputa. Ele pode ser preso se for encontrado e, ainda assim, continuar concorrendo, embora a detenção limite a participação presencial na campanha.
Bruno Souto Martins, que havia registrado candidatura a segundo suplente de senador pela Unidade Popular (UP) na Paraíba, apresentou formalmente sua renúncia, segundo o partido. Carlos Alexandre Ferreira Silva (Solidariedade), Elivaldo Saldanha Brasil (Republicanos) e Cleuber Gomes Ferreira (Republicanos) disseram que os pagamentos haviam sido feitos.
A assessoria de João Reginaldo de Alencar Filho (Novo) classificou o caso como um “erro processual”. O Novo informou que Vitor Hugo Pinheiro Bicca, filiado ao partido, relatou dificuldades financeiras e está regularizando os valores pendentes.
As declarações de pagamento não retiram automaticamente uma ordem do Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP). Segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), cabe ao tribunal responsável atualizar o sistema quando um mandado é cumprido, suspenso, revogado, cancelado ou corrigido.
Veja o que aconteceu e o que disseram candidatos e partidos.
Bruno Souto apresenta renúncia
Bruno Souto é o nome de urna de Bruno Souto Martins. Ele havia registrado candidatura a segundo suplente de senador pela UP na Paraíba.
O mandado consultado pelo g1 informava uma dívida de pensão de R$ 48.198,17 e estabelecia prisão por 90 dias, em regime fechado e em local separado de presos definitivos. Era o maior valor entre os nove casos civis identificados.
Após a publicação, a UP informou que Bruno apresentou formalmente sua renúncia e que o partido concordou com a decisão. A legenda afirmou que adotaria as medidas necessárias junto à Justiça Eleitoral.
Segundo a UP, Bruno relatou que há um processo em andamento para revisar os valores destinados a filhos maiores de idade, com audiência marcada para 3 de setembro. O candidato também informou ao partido que realiza tratativas para regularizar a situação.
Bruno afirmou ainda, por meio da UP, que, conforme consulta feita por ele, “não consta decisão definitiva relativa ao mandado, que não foi encaminhado para cumprimento e é passível de revisão” na audiência.
O documento consultado pelo g1 na manhã desta quinta-feira (20), entretanto, aparecia no BNMP como pendente de cumprimento. A decisão ressalta que a prisão não elimina a obrigação financeira: “O cumprimento do tempo no cárcere não exime o executado do pagamento das prestações devidas”.
Em consulta feita na manhã desta quinta-feira (20), Bruno ainda aparecia no sistema do TSE como “concorrendo”, com o pedido de candidatura aguardando julgamento. A página informava que os dados haviam sido atualizados pela última vez na terça-feira (18), antes do anúncio da renúncia.
O Tribunal de Justiça da Paraíba foi procurado, mas não respondeu até a última atualização.
Alexandre da Carbrás diz desconhecer mandado
Alexandre da Carbrás é o nome de urna de Carlos Alexandre Ferreira Silva, candidato a deputado federal pelo Solidariedade no Amazonas.
O mandado informava uma dívida de R$ 7.294,50 e estabelecia prisão civil por 90 dias. A decisão afirmou que a ordem foi decretada diante da “inércia do devedor”.
Carlos disse que todos os valores referentes à pensão estavam quitados e em dia. Também afirmou que desconhecia a existência de processo ou mandado ativo relacionado ao caso.
O Tribunal de Justiça do Amazonas, porém, confirmou ao g1 que a ordem estava ativa e pendente de cumprimento. O tribunal informou que não poderia fornecer outros detalhes porque o processo tramita em segredo de Justiça.
O Solidariedade foi procurado, mas não respondeu até a última atualização.
Elivaldo Brasil afirma ter pagado antes da ordem
Elivaldo Brasil é o nome de urna de Elivaldo Saldanha Brasil, candidato a deputado estadual pelo Republicanos em Roraima.
O mandado informava uma dívida de R$ 984,89, referente ao período entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026. A decisão foi tomada em 24 de julho, a ordem foi expedida em 31 de julho e o registro foi incluído no BNMP em 4 de agosto.
Elivaldo afirmou que o débito “já se encontrava integralmente pago desde 28 de abril de 2026”, antes da decisão e da expedição do mandado. Segundo ele, as prestações posteriores também foram quitadas.
O candidato declarou que o mandado permaneceu ativo porque os pagamentos não haviam sido registrados no processo. Disse ainda que sua defesa pediu à Justiça o reconhecimento da quitação e a retirada da ordem, mas que o pedido aguardava decisão.
O Tribunal de Justiça de Roraima e o Republicanos foram procurados, mas não responderam sobre esse caso até a última atualização.
Cleuber afirma que pagamento foi realizado em janeiro
Ferreira do Portal Notícia é o nome de urna de Cleuber Gomes Ferreira, candidato a deputado federal pelo Republicanos em Goiás.
A prisão civil foi decretada por 30 dias por causa de uma dívida de R$ 1.886,03, referente ao período de outubro de 2025 a janeiro de 2026.
Segundo a decisão, houve o pagamento de parte dos valores, mas não havia comprovação da quitação integral. “Embora tenha efetuado o depósito dos valores apontados às fls. 59/60, o executado não comprovou a quitação da dívida”, afirma o documento.
Após a publicação, Cleuber disse que desconhecia o mandado porque considerava a situação resolvida. “Eu não tinha conhecimento porque isso estava resolvido”, afirmou.
Segundo o candidato, o pagamento foi realizado em 12 de janeiro de 2026. Cleuber declarou que seu advogado analisa o caso.
O processo tramita em segredo de Justiça. O Republicanos foi procurado, mas não respondeu sobre esse caso até a última atualização.
Assessoria de João Alencar aponta “erro processual”
Farmacêutico João Alencar é o nome de urna de João Reginaldo de Alencar Filho, candidato a deputado estadual pelo Novo em Rondônia.
O mandado informava uma dívida de R$ 5.642,23, relacionada às pensões de dezembro de 2025, à parcela do 13º salário daquele ano e aos meses de janeiro e fevereiro de 2026. A prisão foi estabelecida por 90 dias, em regime fechado.
Após a publicação, a assessoria do candidato afirmou que a ordem decorre de um “erro processual” e que a documentação referente aos pagamentos foi protocolada na Justiça. Segundo a nota, uma nova audiência foi marcada para esclarecer o caso.
A assessoria enviou ao g1 seis comprovantes de transferências feitas entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026. Os documentos somavam R$ 1.777. A equipe do candidato afirmou que parte dos repasses foi realizada em espécie e, por isso, não tinha registro bancário.
A 2ª Vara de Família de Porto Velho informou que o processo tramita em segredo de Justiça e que não poderia fornecer informações sobre a movimentação processual. O Novo não enviou manifestação específica sobre o caso de João.
Novo diz que Vitor Bicca regulariza valores
Vitor Bicca é o nome de urna de Vitor Hugo Pinheiro Bicca, candidato a deputado federal pelo Novo no Rio Grande do Sul.
O mandado informava uma dívida de R$ 3.307,71, referente aos meses de agosto, setembro e outubro de 2025. A Justiça decretou a prisão civil por um mês, em regime fechado e em local separado de presos comuns.
O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul confirmou a existência da ordem e informou que não poderia divulgar outros detalhes devido ao sigilo.
Após a publicação, o Novo afirmou que realiza uma verificação de antecedentes dos candidatos e que, na época da seleção, não havia registros relacionados a Vitor.
Segundo o partido, Vitor disse que não havia sido intimado da decisão e que enfrentou dificuldades financeiras em 2024 e no início de 2025, quando ocorreram os atrasos. O Novo informou que o candidato está atualizando os pagamentos e providenciando a quitação dos valores pendentes.
O candidato não respondeu diretamente ao g1.
Partidos dizem que desconheciam casos de Antonio e Marcos Paulo
O MDB-RS afirmou que desconhecia a ação relacionada a Antonio Ricardo Costa Moeler, o Dr. Antonio Moeler, candidato a deputado federal no Rio Grande do Sul.
O mandado informava uma dívida de pensão de R$ 19.674,61 e estabelecia 30 dias de prisão civil.
O partido declarou ter recebido todas as certidões exigidas pela legislação e disse que buscaria mais informações sobre o caso. Antonio não respondeu ao g1.
O Republicanos do Amapá também afirmou que desconhecia previamente o caso de Marcos Paulo Bertolo, o Dr. Marcos Paulo, candidato a deputado estadual.
Na terça-feira (18), Marcos aparecia no BNMP como alvo de uma prisão preventiva por suspeita de inserção de dados falsos no Sistema de Gestão Fundiária. Depois do contato do g1 com o Tribunal de Justiça do Amapá, a ordem saiu da lista de mandados em aberto. O tribunal não explicou o motivo da alteração.
O Republicanos disse que os documentos apresentados pelo candidato estavam regulares e que, conforme as informações disponíveis ao partido, não havia condenação que causasse inelegibilidade ou impedisse a candidatura. Marcos não respondeu diretamente ao g1.
Outra ordem de origem criminal saiu do BNMP
Uma ordem relacionada à execução de pena contra Lindameri de Oliveira Rodrigues também saiu da lista de mandados em aberto do BNMP.
Lindameri, candidata a deputada federal pelo PRD em Santa Catarina, havia sido condenada por permitir que uma pessoa sem habilitação dirigisse um veículo. O mandado determinava que ela fosse apresentada à Justiça e colocada imediatamente em liberdade depois de uma audiência.
Após ser informado pelo g1 de que Lindameri era candidata, o Tribunal de Justiça de Santa Catarina afirmou que a ordem seria revogada e que “sairá do BNMP assim que o trâmite se completar”. Na consulta seguinte, o mandado já não aparecia entre as ordens em aberto.
Lindameri e o PRD não responderam.
Outros candidatos não se manifestaram
Odair Yamamoto Araujo, candidato a deputado estadual pela Democracia Cristã em Rondônia, e Valdiley Abadia da Silva, o Dom Valdiley, candidato a deputado federal pela mesma legenda em Goiás, não responderam até a última atualização.
A Democracia Cristã também não enviou manifestação sobre os casos.
Leia mais detalhes dos casos na reportagem completa.
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Jornal Nacional/ Reprodução

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