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Anvisa assina acordo com Dinavisa, agência do Paraguai, em meio à alta no contrabando de tirzepatida

por Gilberto Cruz
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Mais de 2,7 mil ampolas de tirzepatida foram apreendidas em carreta com carga de farinha
Polícia Rodoviária Federal
A Anvisa assinou nesta quinta-feira (20), em Brasília, um acordo com a Direção Nacional de Vigilância Sanitária do Paraguai (Dinavisa) para reforçar a fiscalização na fronteira entre os dois países. O acordo acontece em meio a alta do contrabando de canetas emagrecedoras vindas do Paraguai.
Entre os pontos centrais do texto está o reforço da cooperação em ações de fiscalização e controle sanitário voltadas à prevenção e ao combate ao contrabando, à falsificação e à circulação irregular de produtos sujeitos à vigilância sanitária.
A ideia é que a Dinavisa possa fornecer à Anvisa informações que ajudem na fiscalização, investigação a apreensões.
O acordo ocorre em meio a um salto nas apreensões de medicamentos emagrecedores contrabandeados no Brasil, sobretudo as canetas injetáveis à base de semaglutida e tirzepatida, vindas em grande parte do Paraguai sem registro ou fiscalização da Anvisa.
Um levantamento da Polícia Federal mostra que, somente até junho de 2026, já foram apreendidos 165.589 emagrecedores — entre canetas, ampolas e frascos —, mais do que o dobro do total registrado em todo o ano de 2025, quando as apreensões somaram 60.865 unidades. A alta é de 172%.
O tema se tornou um dos principais pontos de atrito sanitário entre Brasil e Paraguai, com produtos comercializados fora do circuito regulado chegando ao mercado brasileiro por rotas de fronteira.
Tirzepatida do Paraguai proibida no Brasil vira alvo de disputa judicial
Disputa judicial
Atualmente, todas as tirzepatidas além da registrada pela Eli Lilly e aquelas manipuladas, mas sob regras específicas, são proibidas. Ou seja, as marcas paraguaias não podem entrar no país.
Atualmente, há proibições para as marcas:
Lipoless
Tirzec
Gluconex
Tirzedral
Slimex MD
Slimex
Rapha
Synedica
TG
A proibição da tirzepatida paraguaia pela Anvisa já gerou ao menos 12 ações na Justiça Federal, identificadas pelo g1. Em cinco delas, juízes autorizaram a importação por liminar, sob a alegação de uso pessoal.
O argumento mais usado pelos pacientes é o preço: a versão aprovada no Brasil custa cerca de R$ 1,4 mil por mês, contra R$ 460 da paraguaia — menos de um terço do valor.
A Anvisa recorre das decisões. Para a agência, os medicamentos nunca passaram por avaliação sanitária no país e não têm garantia de conservação, já que a substância precisa ser mantida refrigerada desde a fabricação.
Especialistas em direito sanitário questionam a validade das liminares, argumentando que o Judiciário não tem competência técnica para contrariar a agência reguladora nessa matéria.
O impasse ocorre em meio a um aumento nas notificações de reações adversas ao medicamento: são 545 registradas desde 2023, incluindo 44 mortes ainda sob investigação.

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