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ANÁLISE: Michelle risca o chão, se apresenta como a Bolsonaro mais leal a Jair e detona Flávio

por Gilberto Cruz
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Briga entre Michelle e Flávio escancara disputa pelo futuro do bolsonarismo
O vídeo em que Michelle Bolsonaro escancara os rachas dentro da família Bolsonaro e deixa uma mensagem política clara: ela se apresenta como a integrante mais fiel às orientações e aos acordos definidos pelo líder do grupo, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Ao afirmar que foi humilhada por Flávio Bolsonaro e que ouviu dele que não entendia de política, concluindo, por isso, que sua presença não era necessária na pré-campanha presidencial do PL, a ex-primeira-dama transfere para o senador a responsabilidade por seu afastamento e expõe um conflito que, até então, era tratado nos bastidores.
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A fala também produz outro efeito político. Mesmo sem ser uma Bolsonaro de sangue, Michelle se coloca como alguém que cumpre a palavra do líder e respeita os acordos firmados em seu nome, numa diferenciação implícita em relação aos filhos do ex-presidente — especialmente no episódio do Ceará, quando defenderam uma aproximação com Ciro Gomes, crítico histórico tanto de Jair Bolsonaro quanto de seus filhos.
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Michelle publicou em suas redes sociais
Reprodução
Nos bastidores, aliados de Flávio admitem preocupação com o impacto do depoimento, especialmente entre mulheres e evangélicos, segmentos nos quais Michelle construiu forte identificação política. Ao se apresentar como alvo de humilhação e desrespeito, ela reforça a imagem de lealdade ao ex-presidente e de vítima de um conflito interno, enquanto Flávio acaba associado ao desgaste familiar.
Na avaliação desses aliados de Flávio Bolsonaro, a fala de Michelle tem um objetivo político claro: enfraquecer o senador no presente para fortalecer sua própria posição no futuro. A leitura é de que Michelle trabalha na lógica do “perder-perdendo”, e não do “perder-ganhando” — ou seja, prefere ver Flávio sair menor do episódio, mesmo que isso exponha publicamente as divisões da família.
Nos bastidores, o movimento é interpretado como uma disputa que vai além de 2026 e mira 2030, quando o cenário político poderá ser marcado pelo pós-Lula e pela reorganização das principais forças da direita.
Para esses aliados de Flávio Bolsonaro, a fala escancara uma batalha antecipada pelo espólio político do bolsonarismo no pós-Lula e, sobretudo, pelo papel de herdeiro legítimo do capital político de Jair Bolsonaro.
Mais do que explicar sua ausência na campanha, Michelle transformou a declaração em uma demonstração pública de força e em uma disputa por legitimidade dentro do próprio bolsonarismo.
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