Para eles, a proximidade do presidente com a indústria de tecnologia ajuda a explicar a falta de medidas mais rígidas.
A Casa Branca afirmou que acompanha a situação, e Trump disse que analisava possíveis controles para a IA.

Agora no g1
Steve Bannon, aliado de longa data de Trump e ex-assessor da Casa Branca, afirmou que a regulação da IA pelo governo é insuficiente diante dos riscos à segurança nacional e atribuiu a situação à influência das empresas de tecnologia.
“Há uma relação muito próxima entre as empresas e a equipe, não apenas na Casa Branca, mas também, acredito, no aparato de segurança nacional”, disse Bannon à Reuters. “Por que você permitiria que eles estivessem no controle? (…) Você precisa de pelo menos uma estrutura rudimentar de algum tipo de aparato regulatório” para regular a IA, acrescentou.
O senador democrata Ron Wyden, do Oregon, fez críticas semelhantes.
“Trump sumiu porque acha que os bilionários donos de empresas de IA estão do lado dele. Em vez de tentar resolver esses problemas, Trump e seus aliados estão focados em bloquear as leis estaduais sobre IA e derrubar as proteções básicas que empresas como a Anthropic impuseram sobre o uso de seus modelos”, afirmou.
A Casa Branca e a OpenAI não responderam aos pedidos de comentário da Reuters. Um porta-voz da Anthropic também se recusou a comentar.
As críticas de Bannon e Wyden refletem uma preocupação compartilhada por integrantes de diferentes correntes políticas: a de que a proximidade de Trump com as grandes empresas de tecnologia possa reduzir a disposição do governo para adotar medidas mais duras diante dos riscos da IA.
Empresas de tecnologia e seus executivos doaram mais de US$ 300 milhões para apoiar a campanha de reeleição de Trump em 2024 e a MAGA Inc., comitê de ação política alinhado ao presidente. Além disso, Trump nomeou profissionais do setor para cargos importantes no governo.
Em junho, o governo anunciou que pediria a empresas como OpenAI e Anthropic que submetessem voluntariamente modelos de IA com capacidades avançadas de invasão de sistemas a testes de cibersegurança antes do lançamento ao público.
Até o momento, porém, não detalhou como esses testes funcionarão. A Reuters informou que apenas alguns modelos deverão participar dessa avaliação voluntária.
O deputado democrata Gregorio Casar, do Texas, afirmou que Trump está “falhando completamente” em proteger os americanos dos riscos da IA.
“Ele recebeu milhões dos bilionários da IA. Agora, diante de problemas extremamente perigosos de cibersegurança envolvendo IA, diz que implementou uma revisão ‘voluntária’ que ninguém viu. Está dormindo ao volante. Está ocupado demais lucrando para proteger nossos empregos ou a segurança nacional”, escreveu na rede social X.
Setor da tecnologia e Trump
O presidente dos EUA, Donald Trump, e Elon Musk participam de uma coletiva de imprensa no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, D.C., EUA, em 30 de maio de 2025. — Foto: Reuters/Nathan Howard
Executivos e investidores do setor de IA estiveram entre os maiores doadores individuais da MAGA Inc. em 2025.
O presidente da OpenAI, Greg Brockman, e sua esposa, Anna Brockman, doaram juntos US$ 25 milhões ao comitê, segundo registros da Comissão Federal de Eleições (FEC).
A empresa de capital de risco Andreessen Horowitz, investidora da OpenAI, e seus cofundadores, Ben Horowitz e Marc Andreessen, doaram juntos US$ 12 milhões ao comitê desde a segunda posse de Trump. Nenhum deles respondeu aos pedidos de comentário da Reuters.
A investidora do Google Asha Jadeja, o CEO da SpaceX, Elon Musk, e o CEO da Blackstone, Stephen Schwarzman, doaram pelo menos US$ 5 milhões cada ao comitê em 2025, segundo registros da FEC.
A Blackstone investe em infraestrutura de IA, incluindo um empreendimento de computação em nuvem voltado para IA com o Google. Jadeja, Musk, Schwarzman e a Blackstone também não responderam aos pedidos de comentário.
Amy Kremer, organizadora conservadora e apoiadora de Trump que ajudou a organizar o comício de 6 de janeiro antes da invasão ao Capitólio, acusou a indústria de tecnologia de construir “um fosso ao redor da Casa Branca”.
Trump também levou executivos do setor para o governo. Entre eles estão Elon Musk, que supervisionou os cortes na força de trabalho federal nos primeiros meses do segundo mandato; David Sacks, nomeado czar da IA da Casa Branca; Sriram Krishnan, da Andreessen Horowitz; e Michael Kratsios, da Scale AI.
Sacks e Krishnan já deixaram o governo, embora Sacks continue atuando como assessor externo da Casa Branca para temas de tecnologia.
Sacks defende uma política de menor intervenção na regulação da IA, sob o argumento de que regras mais rígidas podem desacelerar a disputa das empresas americanas com concorrentes chinesas. O governo Trump também tentou convencer o Congresso a aprovar uma lei que restringisse regulamentações estaduais sobre IA, proposta rejeitada pelo Senado dos EUA.

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