Aliados do candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, alertam para o risco de declarações como a de mudar a Constituição para “redemocratizar o país”, que podem transmitir uma mensagem de autoritarismo. Também pedem que o senador evite adotar um tom de “já ganhou”.
Na avaliação desses interlocutores, o momento é favorável a Flávio Bolsonaro, que chegou ao segundo turno à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas a diferença entre os dois candidatos ainda pode ser revertida.
Segundo aliados do senador, Flávio Bolsonaro adotou nesta terça-feira (6), em Goiânia, um tom de quem já se considerava eleito e começava a planejar as primeiras medidas de um eventual governo, entre elas mudanças na Constituição.
Desde a redemocratização, os candidatos que terminaram o primeiro turno à frente também venceram o segundo turno das eleições presidenciais. Interlocutores de Flávio, no entanto, avaliam que esse histórico não é garantia de vitória e consideram perigoso entrar na etapa final da disputa de “salto alto”.
Flávio Bolsonaro fala em maioria no Congresso para alterar a Constituição
Ao receber o apoio do ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, Flávio Bolsonaro afirmou que um Congresso com maioria de direita permitiria fazer mudanças na Constituição para “redemocratizar o país”.
A declaração foi explorada por aliados do presidente Lula, que afirmaram que o candidato do PL estaria planejando medidas autoritárias capazes de colocar em risco regras democráticas.
Interlocutores de Flávio Bolsonaro buscaram explicar a declaração. Segundo eles, o candidato não pretende adotar medidas autoritárias e as cláusulas pétreas da Constituição não podem ser abolidas por emenda constitucional.
Entre as garantias protegidas estão o voto direto, secreto, universal e periódico; a separação dos Poderes; e os direitos e garantias individuais.
Na interpretação desses aliados, o senador queria sinalizar que, com uma maioria no Congresso, teria condições políticas de levar adiante propostas de campanha que dependem do Legislativo, como a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos e mudanças no Judiciário.
Nesta primeira semana do segundo turno, Flávio Bolsonaro saiu na frente na busca por apoios políticos.
Conseguiu as adesões de Ronaldo Caiado e Romeu Zema, além de União Brasil e Progressistas. Nesta quarta (7), Republicanos e Podemos podem seguir o mesmo caminho.
O candidato do PL busca atrair a maior parte dos 8% dos votos que, segundo o texto, foram destinados aos demais candidatos de direita no primeiro turno, parcela que pode ser decisiva para o resultado da eleição.
Nesta quarta, Flávio Bolsonaro usou um tom mais moderado em sua fala, e prometeu respeito à Constituição. Afirmou ainda não ter procedência avaliações de que ele poderia adotar medidas autoritárias.
Ronaldo Caiado e Flávio Bolsonaro, em Goiânia
Wildes Barbosa/O Popular
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