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Vacina criada com ajuda de IA passa em primeiro teste em humanos, mas resposta imunológica ainda é limitada

por Gilberto Cruz
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Vacina criada com ajuda de IA passa em primeiro teste em humanos, mas resposta imunológica ainda é limitada
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Uma vacina experimental desenvolvida com auxílio de inteligência artificial para proteger contra diferentes coronavírus apresentou resultados positivos de segurança em seu primeiro teste em humanos, no Reino Unido. O imunizante, chamado pEVAC-PS, foi considerado seguro e bem tolerado, mas gerou uma resposta imunológica considerada modesta pelos pesquisadores, sem demonstrar proteção ampla contra diversos coronavírus.
Vacina busca proteção contra coronavírus atuais e futuros
A pEVAC-PS foi projetada para oferecer proteção contra os sarbecovírus, grupo que inclui o SARS-CoV-1, responsável pela epidemia de SARS, e o SARS-CoV-2, causador da Covid-19. Para desenvolvê-la, os pesquisadores utilizaram a plataforma DIOSynVax, que emprega métodos computacionais para identificar regiões conservadas compartilhadas entre diferentes vírus da família.
O objetivo é estimular o sistema imunológico a reconhecer estruturas comuns presentes em coronavírus atuais e em possíveis vírus com potencial pandêmico que circulam em animais. Segundo os autores, a estratégia busca responder ao surgimento contínuo de variantes e ao risco de novos coronavírus emergirem no futuro.
O estudo, publicado na revista científica Journal of Infection, foi realizado em dois centros de pesquisa clínica vinculados ao sistema público de saúde britânico (NHS). Os participantes foram recrutados inicialmente na NIHR Southampton Clinical Research Facility, no University Hospital Southampton NHS Foundation Trust, em Southampton e, a partir de abril de 2023, também na NIHR Cambridge Clinical Research Facility, no Addenbrooke’s Hospital, em Cambridge.
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Aplicação sem agulha e tecnologia de DNA
O estudo avaliou uma forma incomum de aplicação: a administração intradérmica sem agulha, realizada por meio de um dispositivo que injeta a vacina diretamente na pele.
A pEVAC-PS utiliza tecnologia de DNA, considerada mais estável ao calor e menos dependente de infraestrutura de armazenamento. Essas características podem facilitar a distribuição em países de baixa e média renda e em situações de resposta rápida a surtos, segundo os pesquisadores.
Estudo incluiu 39 voluntários
Entre dezembro de 2021 e setembro de 2023, os pesquisadores avaliaram 180 candidatos e selecionaram 39 participantes saudáveis, com idades entre 18 e 50 anos. Todos já haviam recebido duas ou três doses de vacinas contra a Covid-19 e não apresentavam infecção recente pelo SARS-CoV-2.
Os voluntários receberam duas doses da vacina, com intervalo de 28 dias, em quatro níveis de dosagem: 0,2 mg, 0,4 mg, 0,8 mg e 1,2 mg. O principal objetivo foi avaliar segurança, tolerabilidade e ocorrência de eventos adversos, além da resposta imunológica produzida após a vacinação.
Nenhum evento adverso grave foi registrado
Não foram observadas reações adversas graves relacionadas à vacina, durante o acompanhamento.
Os pesquisadores registraram 121 eventos adversos não solicitados, todos classificados como leves ou moderados.
Também foram identificadas 12 alterações laboratoriais clinicamente significativas, igualmente leves e resolvidas sem necessidade de intervenção médica.
Os autores relataram que não houve aumento das reações com doses mais elevadas e que a segunda aplicação provocou menos efeitos adversos do que a primeira.
Resposta imunológica foi modesta
Apesar dos bons resultados de segurança, a vacina não provocou um aumento expressivo dos anticorpos além dos níveis já existentes nos participantes em decorrência da vacinação prévia e da exposição ao coronavírus durante a pandemia.
Embora tenham sido observados aumentos estatisticamente significativos em alguns grupos e contra determinadas variantes, os pesquisadores classificaram esses efeitos como modestos. A atividade neutralizante, considerada importante para impedir a infecção viral, permaneceu limitada.
Segundo os autores, a análise foi dificultada pelos diferentes históricos de vacinação e exposição ao SARS-CoV-2 entre os participantes e pelo fato de o estudo ter ocorrido durante distintas fases de circulação da variante Ômicron.
Achado sugere reconhecimento de região comum dos coronavírus
Uma das observações consideradas mais relevantes foi a identificação de anticorpos capazes de reconhecer uma região conservada presente em diferentes sarbecovírus, associada ao chamado epítopo S309. Essa área é alvo de anticorpos conhecidos por apresentarem atividade contra múltiplos coronavírus.
Para os pesquisadores, o resultado sugere que a estratégia de direcionar o sistema imunológico para regiões compartilhadas entre diferentes vírus pode ser viável, embora ainda seja necessário ampliar a intensidade da resposta gerada pela vacina.
O que os pesquisadores concluíram
Na avaliação final, os autores afirmam que a pEVAC-PS foi segura, bem tolerada e apresentou evidências de reconhecimento cruzado de regiões conservadas presentes em diferentes coronavírus.
Mas os resultados não demonstraram atividade neutralizante ampla ou robusta, o que significa que a vacina ainda não comprovou proteção abrangente contra os diversos sarbecovírus. Mesmo assim, os pesquisadores consideram que o estudo fornece evidências iniciais importantes para o desenvolvimento de futuras vacinas voltadas à prevenção de variantes do SARS-CoV-2 e de novos coronavírus com potencial pandêmico.

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